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Leonardo Boff reflete sobre a sustentabilidade e cuidado!

Mirian Claudia Lourenção Simonetti

 

Em recente artigo denominado “Sustentabilidade e cuidado: um caminho a seguir”, (Adital de 17/06/2011) o querido teólogo, filósofo e escritor Leonardo Boff discorre sobre a crise da civilização que se abateu perigosamente sobre a humanidade e as saídas possíveis em termos de valores e princípios que atribuam uma real sustentatibilidade ao mundo que deverá vir. Para ele, a participação na elaboração da Carta da Terra ajudou a pensar essa saídas, visto que esta afirma “O destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal”.
Em suas considerações destaca dois valores, que considera centrais para esse novo começo: a sustentabilidade e o cuidado.
Para ele “a sustentabilidade, significa o uso racional dos recursos escassos da Terra, sem prejudicar o capital natural, mantido em condições de sua reprodução, em vista ainda ao atendimento das necessidades das gerações futuras que também têm direito a um planeta habitável.”
Trata-se de um esforço que “envolve um tipo de economia respeitadora dos limites de cada ecossistema e da própria Terra, de uma sociedade que busca a equidade e a justiça social mundial e de um meio ambiente suficientemente preservado para atender as demandas humanas.” Ou seja, para ele a sustentabilidade deve envolver a sociedade, a política, a cultura, a arte, a natureza, o planeta e a vida de cada pessoa, visto que o nosso estilo de vida é demasiado hostil à vida e deixa de fora grande parte da humanidade.
A outra categoria, que o autor tem escrito em seus estudos é o cuidado. Para ele, “o cuidado representa uma relação amorosa, respeitosa e não agressiva para com a realidade e por isso não destrutiva. Ela pressupõe que os seres humanos são parte da natureza e membros da comunidade biótica e cósmica com a responsabilidade de protegê-la, regenerá-la e cuidá-la. Mais que uma técnica, o cuidado é uma arte, um paradigma novo de relacionamento para com a natureza, para com a Terra e para com os humanos.”
Para o autor “a sustentabilidade e cuidado devem ser assumidos conjuntamente para impedir que a crise se transforme em tragédia e para conferir eficácia às praticas que visam a fundar um novo paradigma de convivência ser-humano-vida-Terra. A crise atual, com as severas ameaças que globalmente pesam sobre todos, coloca uma impostergável indagação filosófica: que tipo de seres somos, ora capazes de depredar a natureza e de por em risco a própria sobrevivência como espécie e ora de cuidar e de responsabilizar-nos pelo futuro comum? Qual, enfim, é nosso lugar na Terra e qual é a nossa missão? Não seria a de sermos os guardiães e os cuidadores dessa herança sagrada que o Universo e Deus nos entregaram que é esse Planeta, vivo, que se autorregula, de cujo útero todos nós nascemos?” e finaliza “sustentabilidade e cuidado, juntos, nos mostram um caminho a seguir.

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Vídeo promovido pela GNT Sustentabilidade

Fonte: GNT

Sobre as mudanças no Código Florestal realizadas pelo Congresso brasileiro

Adriane Camargo

Mirian Cláudia Lourenção Simonetti

O Código Florestal foi editado em 1965 e reformulado, posteriormente, em 1989, e é parte essencial da legislação ambiental, que é reconhecidamente uma das legislações ambientais mais atualizadas do planeta. Esse código é responsável pela conservação de paisagens diversas, ou seja, ele é responsável pela preservação tanto de áreas destinadas à produção alimentícia quanto à manutenção de ecossistemas.

O Congresso brasileiro sugeriu que o Código Florestal deveria passar por uma reformulação mediante a  alegação de que não haveria mais áreas disponíveis para a expansão do agronegócio no país. No entanto, nessa reformulação não foi consultado nem a comunidade científica nem outros segmentos da sociedade, de modo que foi somente regulada por interesses econômicos, principalmente os interesses do grupo ruralista.

Mediante tal situação, vários seguimentos da sociedade civil, como ONGs, comunidade científica, dentre outros, estão se mobilizando em torno da questão, que é alarmante. Face às mudanças no Código Florestal, podemos esperar uma ampliação das áreas agrícolas em locais sensíveis, onde deveria haver áreas naturais, como ao longo dos rios e topos de morros. Mas não é somente no campo que a situação muda. Na cidade, o novo Código Florestal, poderá causar a dilatação da ocupação de áreas de risco, sem contar a incitação da impunidade, já que defende uma ampla anistia àqueles que já cometeram crimes ambientais.

O que é realmente preocupante em tudo isso é que, sem dúvida, haverá uma diminuição significativa da biodiversidade brasileira, como também maior erosão no solo, já que perderá sua cobertura natural, dentre outros danos que não poderão ser reparados e que favorecem sobremaneira a ocorrência de catástrofes naturais, como a ocorrida recentemente no Nordeste. Assim, podemos perceber que uma mudança no Código Florestal exige um amplo debate na sociedade brasileira, levando-se em conta que cada bioma responde de maneira diferente às mesmas medidas, de modo que os interesses ligados tanto à produção quanto à conservação contemplem, conjuntamente, o que o mundo busca e o que o Estado brasileiro deveria estar buscando, sustentabilidade socioambiental.