Posts Tagged ‘produção de alimentos’

Lançada campanha nacional permanente contra o uso de agrotóxicos e pela vida

Mirian Claudia Lourenção Simonetti

 

Movimentos sociais e pesquisadores afirmam que é possível e urgente produzir sem venenos que afetam a saúde humana e do meio ambiente. Suco de frutas, verduras, legumes, cereais. Alimentação saudável? Nem sempre. Lançada nesta semana, no Dia Mundial da Saúde (7 de abril), a Campanha permanente contra o uso de agrotóxicos e pela vida pretende denunciar que o veneno usado nos cultivos agrícolas brasileiros prejudica a saúde das pessoas e do meio ambiente.

De acordo com a campanha, com os atuais níveis de utilização de agrotóxicos, cada brasileiro consome em média 5,2 kg de veneno por ano. O Brasil foi considerado em 2009, segundo o sindicato dos próprios produtores de defensivos agrícolas, o maior consumidor destas substâncias pelo segundo ano consecutivo. A campanha é organizada por mais de 20 entidades e movimentos sociais, que pretendem realizar atividades em todo o país para conscientizar sobre a necessidade de outro modelo de produção agrícola, sem utilização de veneno e baseado no respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente, para aí, sim, produzir alimentos verdadeiramente saudáveis.

A campanha escolheu o Dia Mundial da Saúde para lançar oficialmente as atividades. Mas, mesmo antes da data, seminários, palestras e outros eventos tiveram como tema o prejuízo dos agrotóxicos à saúde. Em Brasília, uma passeata contra o uso de agrotóxicos e em defesa do código florestal reuniu mais de duas mil pessoas. A atividade fez parte da Jornada contra o Uso de Agrotóxicos, em Defesa do Código Florestal e pela Reforma Agrária, realizada nos dias 6 e 7 de abril.

As lutas contra o uso de venenos na agricultura e em defesa do código florestal são convergentes. A bancada ruralista quer alterar a legislação para liberalizar os agrotóxicos. No código florestal, vemos o mesmo movimento e quem está por trás destas duas articulações é o próprio agronegócio: querem desmatar mais áreas e querem ter isenção de impostos para agrotóxicos. Além disso, os temas se relacionam porque à medida que se limita a proteção das nascentes com a mudança no código florestal se facilita a contaminação da água pelos próprios agrotóxicos. Esses temas estão articulados visto que ameaçam à biodiversidade e à qualidade da água, elementos vitais para a vida.

Para saber mais e participar: http://www.addthis.com/bookmark.php?v=250&winname=addthis&pub=xa-4d821e2c223d4c09&source=tbx-250&lng=pt&s=orkut&url=http%3A%2F%2Fwww.ecodebate.com.br%2F2011%2F04%2F11%2Flancada-campanha-nacional-permanente-contra-o-uso-de-agrotoxicos-e-pela-vida%2F&title=Lan%C3%A7ada%20campanha%20nacional%20permanente%20contra%20o%20uso%20de%20agrot%C3%B3xicos%20e%20pela%20vida%20%7C%20Portal%20EcoDebate&ate=AT-xa-4d821e2c223d4c09/-/-/4da2f8dcef39daf4/1/x&uid=4da2f8dc0b84f522&CXNID=2000001.5215456080540439074NXC&tt=0>

Imagem: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://fisenge.org.br/wp-content/uploads/2011/04/campanhaagrotoxicos.JPG&imgrefurl=http://fisenge.org.br/2011/04/08/lancada-campanha-nacional-permanente-contra-o-uso-de-agrotoxicos/

Energias renováveis x produção de alimentos: Qual o caminho?

Cassia Lussani

A temática relativa aos recursos energéticos renováveis e limpos ambientalmente ganhou grande visibilidade na atualidade. Vários estudos estão sendo estimulados para tratar dos problemas que surgem com essa mudança do padrão de proveniência da energia. A diminuição da emissão de CO2 assim como a necessidade de se encontrar novos meios sustentáveis e que não sejam recursos energéticos de curto prazo de alcance se tornaram pauta dos noticiários como de órgãos de pesquisa públicos e privados.

Em reportagem* do dia 22 de fevereiro vinculada a Folha de São Paulo (versão digital), publicou-se que, segundo estudo do Banco Mundial, para se reduzir a emissão de CO2 no Brasil até 2030 seriam necessários em torno de 400 bilhões de dólares em investimentos.

Muitas alternativas indicam a substituição da utilização de combustíveis fósseis, como a gasolina, pelo etanol. E o uso de energias limpas, como as produzidas em hidrelétricas e a eólica aparecem como competentes para a continuidade de expansão industrial sem ônus para o meio-ambiente.

Estudos que se voltam para essa temática ambiental nos contemplam por estarem abordando um problema que tão pouco destaque teve nos anos que a industrialização iniciou-se e que, como conseqüência, suas ações mal direcionadas são sentidas na atualidade.

Porem, ao pensarmos as formas como estão sendo pensadas essas alternativas de energia, percebemos que a viabilidade econômica é pensada de forma aprimorada, mas não os impactos socioambientais que a implementação dessas alternativas causariam. Veiculada pela Folha de São Paulo no dia 16 de fevereiro, uma reportagem** afirma que segundo balanço do IPEA, o Brasil consumiu, em 2009, 25 bilhões de litros de etanol, e que, para o ano de 2017, essa demanda poderá ser de 60 bilhões de litros. Mas de onde iremos tirar tamanha produção de álcool combustível?

Apesar da grande área agriculturável do Brasil, sabemos que esse recurso utilizado de forma imprudente pode se esgotar. A necessidade imediata de alternativas energéticas também não considera o principal papel da agricultura: a produção de alimentos! A quem o papel de produtor de alimentos para o consumo humano será dado quando os incentivos a produção de soja e outras oleaginosas superar a agricultura tradicional destinada a produção de alimentos de primeira necessidade?

Deixe seu comentário!

Referências:

* http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/879348-brasil-necessita-de-us-400-bilhoes-para-cortar-emissoes-de-co2.shtml

**http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/876405-brasil-precisa-de-investimento-em-energia-limpa-diz-ipea.shtml