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Energia Nuclear: Herói ou Vilão?

Thaylizze Pereira

Para diminuir as emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa e seus impactos na mudança climática no mundo, decidiu-se por adotar o uso da energia nuclear como sendo um modo de produção de energia eficaz e sem grandes problemas ambientais. Depois dessa medida, a produção de energia elétrica se modificou, a energia nuclear obteve um salto de 0,1% para 17% em 30 anos de utilização da mesma, se aproximando da porcentagem de energia produzida pelas hidrelétricas.

De acordo com os dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) 32 países já se utilizavam de energia nuclear em 1998, somando um total de 434 usinas nucleares e ainda haviam outras 36 usinas sendo construídas. Hoje essas já são mais de 350 em construção em todo o mundo. A explicação que a AIEA obtém para esse crescimento é preocupação com o aquecimento global que se alastra por todo o mundo.

Mas, em virtude do ocorrido no Japão dia 11 desse mês, sexta-feira, o mundo todo se alertou para o uso de energia nuclear, pois o terremoto seguido de tsunami acabou por provocar vazamento de material radioativo da usina de Fukushima. O que mais alarma a sociedade civil é o fato de que as usinas japonesas serem consideradas as mais seguras do mundo e o país o melhor preparado a lidar com desastres desse porte.

Outros dados da AIEA nos deixam mais alarmados, quando notamos que cerca de 20% das usinas nucleares estão localizadas em áreas de atividade sísmica. E ainda existem os novos projetos que aumentaram as chances de acontecimentos como esse da ultima semana no Japão.

Para pressionar as autoridades grupos de ambientalistas de todas as partes do mundo, querem que sejam feita a suspensão dos novos projetos e que se criem padrões mais rigorosos de controle e segurança desse tipo de energia.

Em virtude disso, Guenther Oettinger, atualmente comissário de Energia da União Européia declarou: “Se assumirmos a seriedade da tragédia no Japão e analisarmos que o vazamento pode ter alterado o que antes definíamos como ‘seguro’ em termos de energia nuclear, nada, nem mesmo o fechamento de usinas, pode ser descartado dos nossos planos”.

O que podemos perceber é que ainda não é possível saber quais serão os impactos desse acontecimento para a continuidade da energia nuclear e assim, quais serão os efeitos ao meio ambiente, mas o que já se sabe é que esse setor agora mais do que nunca está crise e será muito questionado sobre quais seriam as vantagens da utilização desse tipo de energia.

Aqui no Brasil, uma petição foi lançada pedindo a Presidente Dilma que  interrompa a construção da Angra III. Ricardo Baitelo, coordenador de campanha de energia Greenpeace Brasil, diz: “Elas são uma forma de geração cara e insegura. O país não precisa dela. Temos sol e vento suficientes para suprir nossas necessidades de energia no futuro. Exija um Brasil mais seguro e limpo”.

A energia nuclear era a solução encontrada por muitos países para frear em certa parte o aquecimento global. Esses agora precisam repensar qual será o plano de expansão de energia adotado, sobretudo, o futuro da energia nuclear! E você, já pensou nessa questão? Quais seriam as reais vantagens de sua utilização? E o Brasil, como deve se declarar em relação a energia nuclear? Energia nuclear, herói ou vilão?

Fontes:

http://www.institutocarbonobrasil.org.br/reportagens_carbonobrasil/noticia=727083

http://www.institutocarbonobrasil.org.br/cidades1/noticia=727075

http://www.tnsustentavel.com.br/noticia/4593/vazamento-cria-duvidas-sobre-futuro-da-energia-nuclear

http://www.greenpeace.org/brasil/energia

Imagens:

Energias renováveis x produção de alimentos: Qual o caminho?

Cassia Lussani

A temática relativa aos recursos energéticos renováveis e limpos ambientalmente ganhou grande visibilidade na atualidade. Vários estudos estão sendo estimulados para tratar dos problemas que surgem com essa mudança do padrão de proveniência da energia. A diminuição da emissão de CO2 assim como a necessidade de se encontrar novos meios sustentáveis e que não sejam recursos energéticos de curto prazo de alcance se tornaram pauta dos noticiários como de órgãos de pesquisa públicos e privados.

Em reportagem* do dia 22 de fevereiro vinculada a Folha de São Paulo (versão digital), publicou-se que, segundo estudo do Banco Mundial, para se reduzir a emissão de CO2 no Brasil até 2030 seriam necessários em torno de 400 bilhões de dólares em investimentos.

Muitas alternativas indicam a substituição da utilização de combustíveis fósseis, como a gasolina, pelo etanol. E o uso de energias limpas, como as produzidas em hidrelétricas e a eólica aparecem como competentes para a continuidade de expansão industrial sem ônus para o meio-ambiente.

Estudos que se voltam para essa temática ambiental nos contemplam por estarem abordando um problema que tão pouco destaque teve nos anos que a industrialização iniciou-se e que, como conseqüência, suas ações mal direcionadas são sentidas na atualidade.

Porem, ao pensarmos as formas como estão sendo pensadas essas alternativas de energia, percebemos que a viabilidade econômica é pensada de forma aprimorada, mas não os impactos socioambientais que a implementação dessas alternativas causariam. Veiculada pela Folha de São Paulo no dia 16 de fevereiro, uma reportagem** afirma que segundo balanço do IPEA, o Brasil consumiu, em 2009, 25 bilhões de litros de etanol, e que, para o ano de 2017, essa demanda poderá ser de 60 bilhões de litros. Mas de onde iremos tirar tamanha produção de álcool combustível?

Apesar da grande área agriculturável do Brasil, sabemos que esse recurso utilizado de forma imprudente pode se esgotar. A necessidade imediata de alternativas energéticas também não considera o principal papel da agricultura: a produção de alimentos! A quem o papel de produtor de alimentos para o consumo humano será dado quando os incentivos a produção de soja e outras oleaginosas superar a agricultura tradicional destinada a produção de alimentos de primeira necessidade?

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Referências:

* http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/879348-brasil-necessita-de-us-400-bilhoes-para-cortar-emissoes-de-co2.shtml

**http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/876405-brasil-precisa-de-investimento-em-energia-limpa-diz-ipea.shtml