Alimentação como ato político.

No dia doze de junho, a Carta Capital publicou a entrevista com a nutricionista Elaine de Azevedo, contando que o consumo de alimento orgânico, além de ser uma prática saudável, está dentro da ampliação política para a soberania alimentar, reforma agrária e a ajuda para os produtores familiares.

Segue abaixo a matéria feita por Mariana Melo:

Por que é bom consumir orgânicos? Dos adeptos dos alimentos “naturebas” produzidos sem agrotóxicos ou outros insumos considerados agressivos ao meio ambiente, a resposta vem de forma imediata: porque é melhor para a saúde. Mas, segundo a nutricionista Elaine de Azevedo, pesquisadora do Centro de Ciências Humanas e Naturais da Universidade Federal do Espírito Santo, essa resposta pode ser muito reducionista para demonstrar todo impacto que o consumo orgânico pode ter à sociedade. Em uma discussão que abrange desde a problemática social do campo até a questão da fome mundial, consumir tais alimentos pode ser um gesto político. “A agricultura orgânica é mais do que um modo produtivo, é uma proposta, é um movimento ativista. É importante ampliar os conceitos, para entender o que é que está por trás da produção orgânica”, diz Elaine, autora do livro Alimentos Orgânicos: ampliando os conceitos de saúde humana, ambiental e social, da Editora Senac. Confira a entrevista.

CartaCapital: Alguns defendem o consumo de produtos orgânicos pelo viés ambiental, outros, nutricional. Você diz que os benefícios do consumo dos orgânicos são uma questão mais plural, que beneficia uma série de setores. Você poderia falar mais a respeito?
Elaine de Azevedo: Na verdade, esses vieses parecem que são separados, mas são costurados pelo contexto de saúde coletiva. A saúde coletiva implica em condições sociais, ambientais e de estilo de vida saudáveis. Quando você olha na perspectiva de saúde coletiva, para você ser saudável você tem que trabalhar, ter dignidade, estar com quem gosta em um ambiente sustentável pra ter saúde. Nessa perspectiva, o alimento orgânico de origem familiar vai ao encontro da promoção de saúde social, porque vai dignificar o agricultor, e isso repercute na qualidade de vida nas grandes cidades na questão do desemprego, da violência. Tem a ver com a saúde social urbana. E na saúde ambiental também, porque não adianta comer bem se o ar e o mar estiverem poluídos, se o clima estiver desequilibrado. Você tem repercussões sociais porque o ambiente não é só o indivíduo. Então, o aspecto de alimentos equilibrados nutricionalmente é quase uma consequência. Respirar ar poluído, não ter trabalho e viver em uma cidade violenta com graves problemas sociais não é saudável.

CC: Por que consumir orgânicos é um ato político?
EA: Se você analisar de um modo mais amplo, o que o orgânico de origem familiar está trazendo é uma opção política. 80% da produção orgânica é de origem familiar. Além disso, o ato ambiental é um ato político. É você cuidar da saúde, comprar alimentos locais, que tem a ver com a sua cultura. O conceito de política não pode ser muito restrito, na verdade eles são mais porosos, têm a ver com comportamento.

CC: Você alegou que os orgânicos não têm “maior” valor nutricional, mas “melhor” valor nutricional. O que isso quer dizer?
EA: “Mais” não quer dizer “melhor”. A gente quer plantas nutricionalmente equilibradas, e isso o orgânico faz. A gente não quer maior, a gente quer valor nutricional mais equilibrado e aproveitável. O que adianta ter um monte de nitrogênio no solo para a planta absorver, formando nitrito, que é cancerígeno? Ou que atrai mais pragas? É um conceito errado.

CC: De que forma a produção de orgânicos pode responder à demanda mundial por alimentos? Muitos afirmam que só com o uso de agrotóxicos e de sementes transgênicas, por exemplo, é possível suprir essa demanda.
EA: Sabe aquela história de que uma mentira contada tantas vezes acaba sendo levada como verdade? Esse é um caso clássico. O agronegócio não produz alimento hoje. Ele produz PIB, relações exteriores, negócios. Ele produz soja, biodiesel, cana, algodão, não produz comida. Arroz, feijão, mandioca já não são produzidos pelo agronegócio. Já produzimos o suficiente no mundo para alimentar o que está previsto até 2050 de aumento da população. O que acontece é que nós não temos distribuição de renda e de riqueza, ou seja, têm países, pessoas e grupos que concentram alimentos, além de ter pessoas que não têm acesso à terra ou ao dinheiro. Comida já tem. O transgênico vai continuar a excluir pequenos de produzir e vai colocar na mão dos grandes a produção do não-alimento. Então, na mão de quem ficará a produção de alimentos?

CC: Mas e a produtividade inferior do orgânico?
EA: Nunca vamos conseguir produzir soja orgânica igual. Agora, arroz ou batata tem a produtividade comparável. Mas, para isso, tem que ter manejo, emprego, assistência técnica. Agora, eu não consigo produzir tomate no Paraná como eu produzo no México, por exemplo. No Paraná, tem que ser com veneno. Temos de considerar conceitos como o local do plantio e a sazonalidade. Vários conceitos têm de ser adicionados na dieta, como a questão do alimento sazonal e do alimento local. Uma época terá abobrinha, tomate, outra terá tubérculos, outra arroz. A gente pode não ter o ano inteiro esse arroz orgânico, mas a gente vai ter épocas de arroz. Isso que a gente tem de discutir. Produtos específicos em épocas específicas. É uma grande questão a ser discutida.

Já para a produção orgânica animal não é possível comparar a produtividade. Não conseguimos ter e também não desejamos, porque precisamos rever a nossa ingestão de proteínas. O consumo de carne está excessivo, nenhuma cultura já comeu assim. Mas vai dizer isso para pessoas que têm como conceito que mais é melhor? Nós estamos morrendo por falta de minerais, vitaminas, não por falta de proteínas. São muitas revoluções que precisam ser feitas, na agricultura e na nutrição, juntos, pra gente chegar no que se precisa.

CC: Além dessa mudança comportamental, o que é preciso pra suprir essa produtividade inferior?
EA: A agricultura familiar pode produzir os orgânicos com custos mais baixos, porque teremos mais oferta, mais gente produzindo, e menos veneno. A alegação de que precisaremos de agrotóxicos é uma estratégia da indústria. O agrotóxico veio, a tecnologia veio, e tem gente que continua passando fome.

CC: Por que a padronização nutricional (todos no mundo têm o mesmo tipo de dieta) é negativa para a população?
EA: A nossa gordura aqui não é o azeite de oliva, é o óleo de coco, óleo de palma. Esses são saudáveis? São. A banha também é saudável, mas não é ideal comer banha na Amazônia, da mesma forma que não é normal comer azeite de oliva nos trópicos. A dieta culturalmente ajustável é o próximo passo a se alcançar. É legal comer batata e peixe de água profunda na Noruega. Aqui, eu não vou fazer isso, eu vou ter que ter frutas. Não adianta a dieta macrobiótica ser maravilhosa se é uma dieta tradicional do Japão. Ela é ruim? Não, mas precisa ser ajustada à nossa realidade. A gente mora em um país tropical, com muitas frutas. Carne, iremos consumir pouco, como se fosse aquela caça eventual. Não é que a gente vai voltar a só comer isso, mas temos de nos ater à dieta culturalmente ajustada. É um outro passo.

CC: Como você avalia a política de estímulo à produção de orgânicos?
EA: O financiamento da agricultura brasileira é de 25% para agricultura familiar e 75% para agronegócio. Você acha que, com essa diferença, dá pra produzir da mesma forma? E mesmo com 25%, a agricultura familiar corresponde a 80% do que a gente come. Faltam incentivos e sensibilização do consumidor. O consumidor, ao buscar mais e ao querer mais orgânicos, pode procurar por políticos que apoiem isso e, também, forçar o preço a baixar. A problemática do preço tem de ser compartilhada. Laptops acabaram baixando de preço porque todo mundo começou a comprar. O alimento ainda é uma mercadoria, se a gente comprar mais, o preço vai baixar. É aquela discussão, a gente quer comprar remédio ou quer comprar saúde?

A agricultura orgânica é mais do que um modo produtivo, é uma proposta, é um movimento ativista. É importante ampliar os conceitos, para entender o que é que está por trás do alimento orgânico, se não fica uma discussão muito reducionista. Quando essas campanhas contra o orgânico aparecem, é importante ver quem as comanda. Quem pode querer veneno?

 

http://www.cartacapital.com.br/sustentabilidade/alimentacao-organica-um-ato-politico-460.html?fb_action_ids=699978176703923&fb_action_types=og.recommends

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Nota do MST em relação ao mestre e pastor Dom Tomas Balduíno

VIDA E REVIDA

Um adeus a nosso mestre e Pastor Dom Tomas Balduino

Como a flor cheirosa, do campo se despede;

Dobra-se ao ciclo da eterna evolução

Fica a semente que a mão do vento expede

Com seu murmúrio em forma de canção.

Canção de vida que na morte é revida…

Revida, renascendo em testemunho dado!

Revida, em luta do índio revoltado!

Revida, em marcha do camponês magoado!

Revida, mulher pobre, branca, negra e homem favelado…

Por um instante, desçam do alto dos mastros as bandeiras;

Cale-se a terra concentrada, lamentando a perda…

Juntem-se os pés nas bases das fileiras…

Caia sincera a lágrima da pálpebra esquerda…

Juntem-se as mãos deixando os gestos vãos…

Baixe o olhar em sinal de respeito

Ergam-se os braços em forma de oração

Dobre-se o corpo, inclinando o peito.

Não é por dor, tampouco por tristeza!

Mas pelo brilho da obra e sua grandeza

Que fez a vida profetizadora…

Se a natureza a põe interrompida…

Não haverá nenhuma despedida

Se cada mão for sua continuadora.

Fica o exemplo firme e militante…

A crítica e o desprezo aos governantes

Que não ouviram as suas sugestões.

Fica um bendito a quem com luta espera…

A maldição aos que tomam a terra

E a esvaziam de suas populações.

Fica o chamado para o seguimento…

Para os valores e o bom comportamento

Na formação da consciência humanista.

Vigiai por nós enquanto caminhamos;

Que aqui ficamos e de ti lembramos

De punho erguido e frontes otimistas…

Assim sentimos leve o nosso coração

Pois com certeza irás ao panteão

Onde estão os grandes socialistas.

Por Ademar Bogo,

4 de maio de 2014

Com pesar e muita tristeza recebemos a notícia do falecimento do querido e aguerrido lutador Dom Tomás Balduíno, ocorrida na noite de ontem.

Dom Tomás foi uma daquelas pessoas que nos marcam pela simplicidade e generosidade, qualidades aliadas com as da coragem, coerência e determinação na luta por seus ideais e compromissos de vida.

Esteve sempre presente nas lutas dos povos indígenas, negros e dos camponeses. A jovialidade o o sorriso que mantinha permanentemente iluminando sua face apenas refletia a grandeza do seu caráter e a corajosa militância pastoral e política que exercia numa das regiões mais violentas do país atacada, primeiro, pelo latifúndio e, depois, pelo agronegócio.

Na luta pela Reforma Agrária, foi um dos mais ardorosos defensores. Não hesitou em estar sempre do lado do povo, enfrentando tanto os governos do regime militar quanto todos os outros que os sucederam. Foi um dos mais fortes pilares na construção de uma pastoral social que aproximou a Igreja Católica de todas as etnias, raças e gêneros, vítimas da irracionalidade do capitalismo e de uma sociedade elitista e preconceituosa. Com uma clareza política ímpar, sabia que o povo deveria ser o protagonista de sua própria história. Por isso não mediu esforços para que a classe trabalhadora, os camponeses, povos indígenas e negros construíssem suas próprias organizações e, de forma autônoma, fizessem suas lutas.

Nós, do MST, somos eternamente gratos pela contribuição e efetiva participação que recebemos de D. Tomás na construção da nossa organização. Nunca nos faltou uma palavra sua de incentivo e orientação. E, sempre que julgou necessário, não hesitou em, fraternalmente, nos apresentar suas críticas e divergências, sempre com a grandeza dos que sabem ouvir e repensar suas opiniões e posicionamentos políticos.

Ele, Paulo de nascimento, também  combateu o bom combate. E, certamente, por sua trajetória de vida e coerência política em defesa dos pobres, entrou no Panteão dos que o poeta Bertold Brecht considera que são imprescindíveis, porque lutam sempre!

Perdemos, ontem a noite, a convivência física de Dom Tomás. Ganhamos um legado que nos incentivará, a nós e as gerações posteriores, à luta e há um compromisso de vida com a construção de uma sociedade justa, solidária, democrática e igualitária, socialista!

Bispo emérito da cidade de Goiás, dom Tomás Balduino (Foto: Wildes Barbosa/ O Popular)

VIVA DOM TOMÁS BALDUÍNO!

VIVA AS LUTAS DOS CAMPONESES, POVOS INDIGENAS E NEGROS.

Direção nacional do MST

São Paulo, 03 de maio de 2014.

Como limões podem explicar conflitos.

Carolina Fernandes Carvalho.

Filmes exemplificam de modo prática e audiovisual acontecimentos cotidianos, e que de alguma forma que existe um por quê da história ser contada.

Etz Limon, em inglês Lemon Tree, sem tradução ao português, é uma produção israelense do diretor Eran Riklis. O contexto histórico do filme é envolto ao conflito israelo-palestino, tendo inicio no ano de 1920.

A história é da viúva Salma, interpretada por Hiam Abass, que tem como um pomar de limão como meio de subsistência, dentro dos limites da Palestina. O Ministro de Defesa de Israel torna-se seu vizinho.

Acreditam que o pomar é inseguro pois um terrorista pode se esconder ali, e cometer um atentado contra o ministro. Salma é avisada que o pomar será destruído, com medo de perder sua fonte de renda ela vai aos tribunais. Acaba se tornando um fato mediático e há especulações de ambos lados.
A trama felizmente tem um desenrolar paradoxal, há o ponto de vista privado do conflito e a relação de duas mulheres diferentes, Salma e a esposa do ministro, que é judia.

Em uma parte do filme, a esposa se põe claramente a favor da viúva. As mulheres nesse filme não tem visão simplistas, e sim, são símbolos de resiliência.
O filme mostra um conflito sem precisa expor cenas de violência, a violência presente é interior: o choque de duas culturas em um espaço separados por uma cerca e limoeiro.

Dia Internacional da Terra.

Carolina Fernandes Carvalho.

Dia 22 de abril de 1970, Gaylord Nelson, ativista americano, organizou uma manifestação sobre a preservação do planeta Terra. O objetivo foi atingido: a luta pelo meio ambiente se tornou ponto de debate em vários países.

Atualmente, o assunto é decorrente, mas talvez pela falta de seriedade com o tema, muitos abusam dos recursos nos dado. WWF fez uma matéria com o propósito de oferecer uma nova visão sobre a água, que é um assunto que se fez notório pela mídia nos últimos tempos. 

No dia 22 de abril, é celebrado o Dia da Terra.

Uma data importante para refletirmos sobre nosso belo planeta e sobre como estamos usando os nossos recursos naturais, especialmente a água e o solo. 

Os desafios ambientais que enfrentamos são enormes, como desmatamento, poluição, mudanças climáticas, e nossas atitudes no dia a dia podem ajudar e fazer diferença nesse cenário. 

Temos que incentivar o uso de formas limpas e alternativas de energia para diminuir nossa dependência dos combustíveis fósseis, responsáveis pela emissão de gases estufa que causam o aquecimento global, proteger nossas florestas, nossas espécies e nosso bem mais precioso: a água.

Água para todos 


Segundo a Agência Nacional de Águas, cerca de 1400 municípios brasileiros já sofrem com o racionamento de água. A expectativa é que em 10 anos o sistema de abastecimento público não consiga atender a demanda de mais de 2800 cidades. A pesquisa IBOPE encomendada pelo WWF-Brasil em 2012 revela que 80% da população brasileira acha que a água pode faltar no futuro e 70% destes acham que o desperdício é a principal razão. Só que mesmo assim, um terço da população ainda demora mais de 10 minutos no banho. Um banho de 15 minutos gasta 135 litros em média. 

Mais do que economizar na torneira, nós devemos ajudar na preservação da água desde a suas nascentes apoiando ações e organizações que estejam trabalhando com isso na sua cidade, como por exemplo, cobrando a criação de parques e reservas em regiões de nascentes e mananciais. 

Desde 2002, o programa Água para Vida, do WWF-Brasil, conta com importantes parcerias corporativas e de instituições financeiras como o Grupo HSBC, Ambev e Banco do Brasil. Nos primeiros dez anos do programa, o WWF Brasil apoiou a recuperação de 12 nascentes no rio Cabaçal, rio este que integra o complexo das cabeceiras do Pantanal. Hoje esse trabalho está sendo replicado para 25 municípios da região por meio de um pacto envolvendo vários setores da sociedade. No Distrito Federal, em parceria com Ambev foram recuperadas áreas degradadas da micro bacia do Crispim importante manancial de abastecimento regional. O WWF-Brasil também apoia a boa governança das águas Brasil afora. Ajudamos a desenvolver o Plano de Águas do Acre, o primeiro da Amazônia e a criação do Comitê de Bacia Lagos São João, na região dos Lagos do Rio de Janeiro que resultou no maior índice de esgoto tratado do estado e um dos maiores do país: 70%. 

O programa Água para a Vida, do WWF-Brasil, apoia governos para a melhoria da gestão das águas, apoia as empresas para melhoria de eficiência da água em seus processos produtivos, fortalece a opinião pública por meio de campanhas e ações educativas e ajuda a preparar o país para os desafios das mudanças climáticas e os riscos de desabastecimento e enchentes nas cidades.

 

Fonte: 

http://www.wwf.org.br/informacoes/noticias_meio_ambiente_e_natureza/?39502

Por que hoje é o “Dia Internacional da Luta Camponesa”?

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Carolina Fernandes Carvalho.

No dia 17 de Abril de 1996 aconteceu uma tragédia: aproximadamente 1.500 Sem-Terras acampados na região da cidade Eldorado dos Carajás (sul do Pará) realizavam uma marcha para denunciar a demora na desapropriação de terras, especialmente as da Fazenda da Macaxeira.

Uma ordem partindo do Secretário de Segurança do Pará, então Paulo Sette Câmara: “usar a força necessária, inclusive atirar” – como afirmou que disse posteriormente. O motivo da ordem era que os militantes estavam obstruindo uma das principais rodovias que levam a capital do estado, Belém.

O coronel Mário Colares Pantoja comandava a ação: 155 policiais chegaram ao local atirando bombas de gás lacrimogênio e tiros à queima roupa. Mais tarde, o legista Nelson Massini confirmou os depoimentos com as perícias médicas apresentadas.

Sendo pressionado pelo massacre o Governo Federal confirmou a criação do Ministério da Reforma Agrária após sete dias do acontecimento.

Em maio de 2012, o coronel e o major dessa operação horrenda foram condenados – o primeiro a 228 anos de reclusão e o segundo, 158 anos.

No dia 7 de setembro, Oscar Niemeyer inaugura O Monumento Eldorado Memória que visava homenagear as vítimas do massacre. A obra foi destruída em seguida, pois, segundo uma das lideranças do MST, alguns fazendeiros da região encomendaram o estrago.

FRANCESscaled

A organização Via Campesina, que tem em seu cerne a composição de movimentos sociais ligados a terra por todo o Mundo, em uma atitude para evidenciar a luta pelo campo e homenagear as pessoas assassinadas no Massacre do Eldorado dos Carajás, adotou dia 17 de abril como Dia Internacional da Luta Camponesa.  

 

Segue abaixo um documentário sobre os dez anos do massacre, dirigido por Pepe Pereira dos Santos.

http://www.videotecas.armazemmemoria.com.br/Video.aspx?videoteca=NQ==&v=MjM5

Cabra Marcado para Morrer.

 

Carolina Fernandes Carvalho.

 

A Ditadura Militar no Brasil hoje completa cinquenta anos: no dia primeiro de abril de 1964, o povo brasileiro acordava dentro de um regime opressor. O estopim para que o regime acontecesse foi à pequena abertura para as classes menos abastadas por causa do governo João Goulart.  O Mundo estava vivenciando a Guerra Fria e a classe dominante brasileira temia a guinada à Esquerda.  

 Durante vinte e um anos, a falta de democracia, a falta de direitos constitucionais, perseguição política foram algumas das diversas características negativas que trouxa a linha histórica brasileira. A Amazônia sofreu perdas inadmissíveis durante a construção da Rodovia Transamazonica, também conhecida como BR – 230, entre 1969 a 1974: comunidades indígenas  como waimiri atrori, tenharim e jiahui foram alvos de um show de terror constante, em que parte de sua cultura e integrantes se extinguiram. Documentos apontam que os militares “responsáveis” pela área amazônica atentaram contra a aldeia waimiri. Os documentos oficiais do governo da época indicam que pouco antes do inicio da construção das rodovias, na década de 70, havia três mil indígenas desta etnia; na década de 80, o número de integrantes diminuiu para trezentas pessoas.

Em fevereiro de 1964, o diretor Eduardo Coutinho põem em prática o projeto de documentar a vida de uma liderança camponesa nordestina, João Pedro Teixeira, que tinha sido assassinado de forma suspeita no ano de 1962 – era uma figura importante para a reforma agrária da região: vice líder da “Ligas Camponesas de Sapé.” e representante de 14 dessas ligas nas Federações das Ligas Camponesas da Paraíba. Infelizmente o documentário foi interrompido com os algozes militares que o impediram.

Após dezessete anos, Coutinho volta ao local das filmagens e encontram a viúva e demais camponeses, a maioria vivendo em clandestinidade. A visão desde documentário se transforma: acima de um documentário sobre uma liderança camponesa, é o relato oral e visual de uma luta pelo campo tendo como cena um regime autoritário e repressor.

Segue abaixo o link do trailer do filme realizado, “Cabra Marcado para Morrer” – 1985. A outra ótica para se ver a luta do campo e como esse regime freou o que devia ter acontecido: a reforma agrária e visibilidade aos trabalhadores rurais.  

 

Manifestação feminina no Rio Grande do Sul.

Carolina Fernandes Carvalho.

Imagem

Foto de Ana Peroskaya e Carlos Alberto.

 

Em pleno século XXI, onde há a predominância de tecnologia e novos paradigmas, a  violência contra a mulher ainda existe.  De 2009 a 2010, houve  cerca de 16,9 mil feminicídios, ou seja, assassinatos contra o gênero feminino. Existe a urgência de acabar com a submissão e segregação das mulheres.

As mulheres do MST protestaram no dia 12 de março, ontem, em Porto Alegre (RS) reivindicando o fim da violência e o acesso a educação pra as crianças de até seis anos de idade.

Segue abaixo a notícia:

“Nesta quarta-feira (12), cerca de 300 mulheres do campo e da cidade realizaram diversas mobilizações pelo dia internacional de luta das mulheres, 8 de março, em Porto Alegre (RS).

Às 10h, marcharam até o Ministério Público onde protocolaram o documento “Carta das mulheres aos operadores do direito”, ao exigirem mais empenho na aplicação da Lei Maria da Penha e proteção às mulheres vítimas de violência.

No local, foram cravadas cruzes e pintados corpos no asfalto, em alusão às mulheres vítimas da violência no país. Também entregaram panfletos em diálogo com a população que observava o ato.

À tarde, a marcha retornou ao Parque Harmonia, onde foi realizada uma série de debates sobre a luta das mulheres, a questão da violência, o plano camponês, a Reforma Agrária Popular, o direito à creche, o Plebiscito pela Reforma Política e a mercantilização do corpo feminino.

Às 14h, as mulheres seguiram até a Prefeitura da cidade para lançarem a campanha nacional por creches, ao exigirem que o acesso à educação infantil seja um direito de toda criança de 0 a 6 anos de idade.

Segundo elas, existem milhões de crianças que esperam nas filas por vagas, em torno de 79% não tem esse direito, o que dificulta sua inserção no mercado de trabalho, de estudar ou tempo para outros afazeres.

O ato contou com apoio de diversas organizações, que ressaltaram a importância da unidade e mobilização das mulheres na luta.

Após sua finalização, uma comitiva das mulheres foi recebida pela Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, a quem entregaram os documentos encaminhados ao Ministério Público.

Uma carta também foi encaminhada aos deputados na Assembleia Legislativa, exigindo a aprovação do Projeto de Lei pela implementação de 8 novas varas no RS e pela extinção do projeto do estatuto do nascituro. “