Archive for the ‘Vídeos’ Category

As flores do campo.

Hoje dia 8 de março é celebrado o dia internacional da mulher, o CPEA gostaria de dedicar essa postagem a todas as mulheres,em especial, as mulheres do assentamento Reunidas que são exemplo da resistência das mulheres no campo. O vídeo abaixo mostra a organização de mulheres Flores do campo, gostaríamos de deixar este poema como uma singela homenagem a elas.

O Cântico da Terra

Cora Coralina

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

 

 

 

Temos que defender nossa terra e nosso rio!

Alex Arbarotti

O problema fundiário no Brasil se arrasta á décadas. Mas, nos últimos tempos temos um aumento dessa pressão fundiária que abarca não só a terra, mas também os rios e o uso das águas  Esse não é um problema solucionado, apesar de não ganhar os holofotes da mídia. Em 2011 foram 14410615 áreas de conflitos por terra ou pela água no Brasil. Esses conflitos envolveram 82706 famílias e ocorreram 29 assassinatos  (fonte: cpt nacional). Esses conflitos estão ocorrendo porque o Estado tem uma opção clara de favorecimento de grandes investidores em detrimento dos pequenos e tradicionais proprietários e usuários dos rios.

É notável, porém que esse não é um cenário exclusivo do Brasil, mas de toda Latino América. O vídeo postado aqui denuncia isso. A ação desrespeitosa do governo que “abusa de quem não têm mais arma que sua pobreza!”

Urge uma articulação em toda latinoameica contra essas ações que crescem a cada dia!

Não deixe de ver o vídeo e de se revoltar!

Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária 2012

Thaylizze Pereira

Extraído de http://www.mst.org.br/node/13175

EM MEMÓRIA DOS MORTOS NO MASSACRE DE ELDORADO DOS CARAJÁS

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A jornada de lutas é realizada em memória aos 21 companheiros assassinados (19 morreram na hora no local) no Massacre de Eldorado de Carajás, em operação da Polícia Militar, no município de Eldorado dos Carajás, no Pará, no dia 17 de abril de 1996, que se tornou oficialmente o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária. Depois de 16 anos de um massacre de repercussão internacional, ninguém foi preso e o país ainda não resolveu os problemas da pobreza no campo nem acabou com o latifúndio, que continua promovendo diversos atos de violência.

MST faz protestos em 17 estados por Reforma Agrária e justiça

O MST realiza uma série de protestos na Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, nesta segunda-feira (16), para cobrar a realização da Reforma Agrária e pela punição dos responsáveis pela morte de 21 trabalhadores rurais assassinados no Massacre de Eldorado dos Carajás, em operação da Polícia Militar, no Pará, em 1996.

Já foram realizados protestos em 17 estados e em Brasília, somando 38 ocupações de terra, nove ocupações de sedes do Incra, cinco protestos em prédios públicos, além de trancamentos de estradas e criação de acampamentos nas cidades.

Em Brasília, cerca de 1500 trabalhadores rurais do MST ocuparam o Ministério do Desenvolvimento Agrária (MDA) em Brasília, para denunciar a estagnação da Reforma Agrária e a diminuição de investimentos em desapropriações de terras no país por parte do governo federal.

Em Pernambuco, os Sem Terra já ocuparam seis fazendas improdutivas. Nesta segunda, cerca de 300 famílias ocuparam a fazenda Amargoso, no município de Bom Conselho, agreste do estado, e a fazenda Condado, no município de São Bento do Una.

Na Bahia, cerca de 3 mil integrantes dos movimentos sociais do campo, como o MST, montaram acampamento, na manhã desta segunda-feira, na frente da sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador. O MST já ocupou 24 fazendas na Bahia, desde o começo do mês de abril. Foram ocupações no Extremo Sul, Sul, Sudoeste, Baixo Sul, Chapada, Recôncavo, Norte e Nordeste. Duas ocupações foram realizadas nesta segunda-feira, em Juazeiro e Queimada.
No Ceará, o Palácio da Abolição, sede do governo do estado, foi ocupado por cerca de 1.500 trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade. O ato reivindica ações por parte do governo para amenizar os efeitos da seca que já atinge vários municípios, além do assentamento imediato das 2.000 famílias acampadas no estado.

No Rio Grande do Sul, 300 famílias de Sem Terra fizeram duas ocupações. As áreas ficam nos municípios de Sarandi e Santa Margarida do Sul (que tem 950 hectares estão em processo de desapropriação há mais de três anos).

No interior de São Paulo, no Pontal do Paranapanema, 600 Sem Terra ocupam a Fazenda São Domingos, no município de Sandovalina. Essa fazenda já foi ocupada diversas vezes e, em uma delas, houve um conflito que acabou na morte de sete trabalhadores rurais. Os trabalhadores protestam contra o projeto do governador Geraldo Alckmin de legalizar a grilagem no extremo oeste paulista.

No Maranhão, cerca de 400 camponeses ocupam a sede do Incra, em Imperatriz, sudeste do estado. O protesto cobra o assentamento das 3.500 famílias acampadas no estado, em 19 acampamentos só do MST. Há famílias que lutam há 14 anos pelo assentamento definitivo, já que no estado nenhuma área foi desapropriada nos últimos quatro anos.

Em Sergipe, cerca de 300 famílias ocuparam a sede do Incra em Aracaju,  para pressionar o governo para realizar a Reforma Agrária e reforçar a jornada nacional de lutas do MST, nesta segunda-feira. Os Sem Terra chegaram à sede do Incra pela manhã e se preparam para fazer a ocupação. Eles pretendem permanecer na sede até a próxima sexta-feira (20/4). Até lá, outras ações vão acontecer no estado. “A Reforma Agrária está parada em Sergipe. Temos 12 mil famílias acampadas e, no ano passado, apenas 300 foram assentadas. Nesse ritmo, vai demorar 40 anos para assentar todas essas famílias”, disse Gislene Reis, da Direção Nacional do MST.

Na Paraíba, a sede do Incra também foi ocupada na manhã dessa segunda-feira por cerca de 500 famílias camponesas. Os lavradores entregaram uma pauta de reivindicação ao superintendente do Incra, Lenildo Dias de Morais, reivindicando desapropriação de áreas, garantia de infraestrutura para assentamentos e liberação de linhas de créditos para as famílias camponesas. Mais de 100 famílias ocuparam duas áreas do sertão da Paraíba.

Em Rondônia, 700 pessoas participaram da ocupação da sede do Incra de Ji-Paraná. Os camponeses esperam que o superintendente do Incra, Luiz Flavio Carvalho Ribeiro, se posicione sobre a pauta de reivindicações entregue há 15 dias pelos Sem Terra.

Em Santa Catarina, cerca de 500 agricultores do MST ocuparam a superintendência do Incra em Florianópolis.A ação, que faz parte da jornada nacional de lutas, exige o assentamento das 500 famíias acampadas no estado e a efetivação de políticas para o desenvolvimento dos assentamentos, especialmente agroindústrias. “Não houve nenhuma desapropriação no ano passado e, neste ano, apenas duas, pelas quais lutamos há muito tempo. O processo está muito lento”, disse Altair Lavratti, da coordenação nacional do MST.

No Rio de Janeiro, o prédio do Incra na cidade do Rio de Janeiro também foi ocupado por cerca de 300 Sem Terra. Os manifestantes reivindicam a efetivação da Reforma Agrária e denunciam a paralisação do processo de assentamento das famílias acampadas.

No Mato Grosso, cerca de 200 trabalhadores do MST ocuparam a sede da Receita Federal, cuja mobilização começou na noite de sábado, ao montarem um acampamento na Praça Ulisses Guimarães, localizada na Avenida Rubens de Mendonça, em frente ao Centro Político e Administrativo. Além disso, outros 400 camponeses bloquearam um trecho da BR-163, no norte de Mato Grosso. O bloqueio acontece em um trecho distante nove quilômetros da cidade de Sorriso, a 420 km de Cuiabá.

No Mato Grosso do Sul, 250 famílias do MST ocuparam a Fazenda Boa Esperança, localizada às margens da rodovia MS-134, há cerca de 10 quilômetros da sede do município de Batayporã. Houve também um bloqueio nessa estrada. Cerca de 300 lavradores do MST ocuparam o prédio do Incra em Campo Grande, nesta segunda-feira.

No Paraná, mais de 500 camponeses montaram um acampamento na cidade de Curitiba e ocuparam parte das ruas da cidade na manhã desta segunda-feira, em marcha de aproximadamente três quilômetros ao prédio do Incra, onde entregaram uma pauta de reivindicações. Os Sem terra pretendem permanecem na capital paranaense até sexta-feira, período em que terão reuniões com várias entidades e secretarias estaduais.

Em Minas Gerais, cerca de 40 famílias do MST ocupam a fazenda Palmeiras no município de Carmo do Paranaíba, desde o começo do mês. A área faz parte de um conglomerado de outras quatro propriedades pertencentes à massa solvente Ofir de Castro, que juntas totalizam cerca de 800 hectares. Atualmente, 150 famílias do Movimento ocupam quatro das cinco áreas pertencentes ao grupo, por Reforma Agrária.

A rodovia BR 304, no Rio Grande do Norte, foi trancada por cerca de 700 trabalhadores (as) do MST no dia 2. O trancamento da rodovia serviu para denunciar as ações do poder judiciário da região que emitiram mandatos de despejos ilegais em três áreas de acampamentos do MST.

No estado do Pará, a Juventude do MST iniciou desde o último dia 8 de abril o seu 7° Acampamento Pedagógico “Oziel Alves”, em Eldorado dos Carajás. Desde 2006, a juventude Sem Terra do estado se reúne em memória às vítimas e cobram justiça. O acampamento irá até o dia 17 desse mês e todos esses dias os jovens fazem o fechamento da rodovia (BR-155) por 21 minutos, em memória ao massacre. No último dia do acampamento, 17 de abril (Dia Internacional da Luta Camponesa), acontece um ato político na chamada ‘Curva do “S”.

Vejam também:

Vídeo – Massacre de Carajás: a impunidade continua! – Jornada de Lutas do MST 2012

[LANÇAMENTO] Luiz Poeta (curta-metragem)

Luiz Beltrame de Castro tem 103 anos. Natural da cidade de Paramim (BA), é agricultor e poeta. Pai de oito filhos, tem 47 anos, 75 bisnetos e 20 tataranetos. E, na terça-feira, 6 de março, às 19h30, será homenageado durante o lançamento do curta-metragem  que conta a história de sua vida, Luiz Poeta.

Com dois livros publicados,Sonho com a vida e Sonho com a terra, Luiz, que vive no interior de São Paulo, compõem versos simples e rimados que dão origem a agradecimentos, brincadeiras, exaltações, homenagens e reflexões. Poeta desde os anos 1930, ele também lutou pela reforma agrária, tendo participado de diversas marchas junto com o Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST). Em uma delas, aos 95 anos, marchou à pé do Rio de Janeiro até Brasília.

Fruto de visita feita a casa de Luiz, em 2011, Luiz Poeta conta com depoimentos dos  filhos, familiares e de Inezita Barroso, recitando o poema que Luiz fez para homenagear o programa Viola, minha viola, apresentado por Inezita, na TV Cultura. Chico Saraiva, compositor e violonista, assina a trilha sonora do filme.

Na ocasião do lançamento, Luiz participa de bate-papo com o público, sob mediação dos diretores do curta, Bruno Benedetti, Fábio Eitelberg, Patrick Torres, Pedro Biava e Rafael Stedile, e do diretor da Casa das Rosas, Frederico Barbosa. Para mais informações, acesse a página de Luiz Poeta no Facebook.

SERVIÇO

Lançamento – Luiz Poeta (curta-metragem)
Terça-feira, 6 de março, às 19h30

Casa das Rosas

Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura

Av. Paulista, 37
De terça-feira a sábado, das 10 às 22 horas;

domingos e feriados, das 10 às 18 horas

(passível de alteração, de acordo com a programação).

Tel.: (11) 3285-6986 /(11) 3288-9447
E-mail: contato@casadasrosas.org.br.
Convênio com o estacionamento Patropi: Al. Santos, 74.

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FONTE: Blog Casa das Rosas

Irmã Dorothy Stang, um sorriso que contagia

Antônio Canuto                                                                                                                                                                                                                               Secretário da coordenação nacional da CPT

O assassinato de Ir. Dorothy Stang, no dia 12 de fevereiro de 2005, na área onde se desenvolvia um projeto de desenvolvimento sustentável (PDS), o PDS Esperança, que aliava a produção familiar com a defesa do meio ambiente, como a missionária propugnava e defendia, provocou uma gigante onda de indignação nacional e internacional. Qual uma verdadeira tsunami, esta tragédia invadiu o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. Tomou conta das redações dos jornais e dos estúdios das TV’s e das rádios. E seus abalos se sentiram em todo o mundo. A pequena e desconhecida Anapu passou a ocupar um lugar de destaque na geografia mundial.

Os envolvidos na morte da missionária foram presos, julgados e condenados, fato incomum no Pará. O último julgado, cinco anos depois do assassinato, Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como “Taradão”, foi condenado em maio de 2010, a 30 anos de prisão, como um dos mandantes do assassinato. Dezoito dias depois de sua condenação, uma liminar do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, lhe concedeu habeas corpus pondo-o em liberdade. O que não é incomum no estado.

Outras medidas governamentais anunciadas no ambiente da repercussão da morte de Irmã Dorothy não foram implementadas ou o foram só parcialmente, de tal forma que as tensões e conflitos continuam. No mês passado, janeiro de 2011, assentados do PDS Esperança bloquearam as estradas que dão acesso à área, para impedir a retirada ilegal de madeira, mostrando a ausência e inoperância dos órgãos públicos que deviam garantir o cumprimento das normas legais. Pior que isso. Madeireiras envolvem e cooptam organizações de trabalhadores e, para atingir seus objetivos, jogam trabalhadores contra trabalhadores.

Mas, apesar de tudo, Dorothy continua presente. Passados seis anos, o que impressiona é que sua presença, antes confinada a Anapu, multiplicou-se. A irradiação do seu sorriso contagia pessoas no mundo todo. Sua morte irrompeu com a força da ressurreição. Sua ação, humilde e desconhecida, pequena e quase isolada, expandiu-se por todos os cantos do Brasil, conquistando corações e mentes e ganhou as dimensões do mundo. Dom Erwin Kräutler, o bispo do Xingu, em cuja diocese Dorothy exercia seu trabalho pastoral, disse na missa do quarto aniversário de sua morte: “O sangue derramado engendrou uma luta que nunca mais parou. Sepultamos os mártires, mas o grito por uma sociedade justa e pela defesa do meio-ambiente tornou-se um brado ensurdecedor.”.

Hoje a voz de Dorothy se soma às vozes que se levantam para defender o Xingu contra a sanha desenvolvimentista que quer construir a hidrelétrica de Belo Monte, com  todas as consequências nefastas que decorrem desta obra e em defesa dos povos que do rio dependem e da beleza e da riqueza da biodiversidade lá existentes.

Fonte: Comissão Pastoral da Terra

http://www.cptnacional.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=552:irma-dorothy-stang-um-sorriso-que-contagia&catid=15:artigos&Itemid=59

A ridícula lei da sacolinha.

Pedro Meinberg

 

Desde o dia 25 de janeiro entrou em vigor uma das leis mais medíocres que considero ter conhecimento desde quando me entendo por gente: a proibição do uso de sacolas plásticas nos supermercados do estado de São Paulo.

 

O discurso a favor da lei é que se reduzirão os danos ao meio ambiente, pois há muito gasto de energia para produzir sacos plásticos e seu material não é nada reciclável. Assim, vende-se a ideia de que retirá-los dos caixas, cada cidadão estará fazendo, mesmo que obrigado, a sua parte para salvar o planeta. Nada mais falacioso que isso!

 

Um saco plástico que uso todos os dias não irá salvar meio ambiente algum. Se toda a população paulista, brasileira, planetária, universal se apropriar de uma sacolinha por dia, não irá nos salvar da desgraça ambiental anunciada (se é que ela um dia virá). No meu caso, particularmente, e com certeza também é o de mais uma boa parte da população, não reduzirei o consumo de plástico algum, pois a sacolinha que todo dia eu pegava no mercado eu a reaproveitava para os cestos de lixo da cozinha e banheiro de minha casa. Agora, eu que nunca comprei sacos plásticos de lixo (aqueles pretos ou azuis), terei que comprá-los para depositar meu lixo diário produzido nesses cômodos.

 

A lei, desta forma, pode fomentar um consumo pelo outro – isso para não falar do dinheiro que agora gastaremos para adquirir sacos plásticos de lixo. Mas mais do que isso, ela quer induzir o cidadão e a cidadã comum, que rotineiramente vai aos supermercados a acreditar que a medida está salvando o planeta Terra. Não está.

 

Se quisermos reduzir os danos ambientais, que se façam leis proibindo grandes indústrias como Coca-cola e Elma Chips, só para citar, deixarem de produzir suas latinhas e embalagens. Um lanchinho da tarde, com um refrigerante e um salgadinho chips, pode proporcionar mais desgraças que uma mera sacolinha reaproveitável. Indo mais além, se quisermos mesmo salvar o planeta, vamos mudar radicalmente nossos hábitos diários, consumir menos produtos diretamente ligado à industria pesada das grandes corporações multinacionais e induzir a falência de empresas que realmente destroem o planeta. Ademais, enquanto isso no senado, circula o ruralista novo Código Florestal, ainda distante da preservação da biodiversidade brasileira.

 

Eu, especificamente, estudo um processo de “psiquiatrização da vida” que vem ocorrendo nas sociedades ocidentais, quando hoje, quase todo comportamento desviante é considerado patologia mental. Assim, não pensamos isso, pois a questão está demasiadamente naturalizada em nós, mas cada medicamento para insônia, por exemplo, que tomamos, incentivamos uma gigantesca bioeconomia de escala mundial, com seus grandes laboratórios poluidores – e toda sua maquinaria industrial, construída em detrimento de minérios e outros elementos naturais – a produzir no ritmo do capital pílulas para “aliviar” os mais novos transtornos e sintomas da alma; inquietações que são frutos do mesmo ritmo frenético capitalista que enlouquece e enfraquece o indivíduo; mesmo ritmo industrial que sucumbe os recursos naturais e o bioma planetário.

 

Dito, enquanto não existir mudanças radicais nos padrões de consumo (do supermercado à farmácia, do shopping ao posto de gasolina), enquanto não nos propusermos, por uma outra ética, a resistir à ética consumista e compulsiva do tempo presente, seremos obrigados a tomar conhecimento de mais dessas leis idiotas, que não servirão para nada, apenas para perpetuar a degradação ambiental e a ordem política das coisas desta sociedade paulista, brasileira, ocidental.

 

 

Ecologismos, Individualidades e Futuro.‏

Gabriel Moreira Monteiro Bocchi
*
Ou: Desabafo para um discurso que não me desce.
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Desde que começou essa mania quase eufórica de “protecionismo ambiental”, mantive-me sempre muito calado e duvidoso frente às “alternativas ambientais” que são indicadas para as “ações individuais”. Os discursos de que “depende de você”, “se você fizer sua parte, o planeta agradece” etc, nunca me ganharam.
Individualmente, acho isso tudo um saco. Plástico.
Realmente não acredito que as ações individuais podem levar à algo além do que uma “pureza de espírito” pessoal; sim, o sujeito separa o lixo, e, pronto, já fiz a minha parte!
*
Segunda feira, assistindo a transmissão do “dia grunge” no SWU, em um intervalo de bandas, a apresentadora chata do canal de TV à Gato foi obrigada a falar sobre questões ambientais, parece que o lema do festival é “sustentabilidade” – só se for dos organizadores e patrocinadores – aliás, que pouca vergonha a Rainequem, famosa por suas garrafinhas verdes não retornáveis, se dizer “amiga do meio ambiente”.
A jovem apresentadora, que usava “alternativo” como adjetivo para tudo que dizia respeito ao Sonic Youth, mostrou uma garrafa d’água – produzida por um dos patrocinadores do festival – que era extremamente ecológica: criada com um plástico menos rígido, após consumir a água bastava amassá-la que ela estava pronta para a reciclagem!
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E ainda completou: “você se refresca, se hidrata e ajuda o planeta!”.
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Neste instante, na sala da casa em que cresci, acompanhado de meu pai, desabafei:
Mãe do céu! vem me falar que dobrar garrafinha é ajudar o planeta? Isso não é droga nenhuma! Não muda situação nenhuma! Fazer um festival no meio de um sítio, emitir gases com aviões, caminhões, carros etc, e vem falar que amassar a garrafinha é atitude pra salvar o planeta? Quer salvar o planeta? Pára de produzir plástico! Pára de produzir tudo! Pára de consumir matéria prima!
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