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IV JORNADA DE ESTUDOS AGRÁRIOS E 30 ANOS DO CPEA

Entre os dias 03 a 05 de Junho ocorrerá na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC)/campus de Marília, a IV Jornada de Estudos Agrários, que terá como eixo central a celebração dos 30 anos do Centro de Pesquisas e Estudos Agrários (CPEA) tratando dos desafios e perspectivas das pesquisas sobre Questão Agrária, Ambiental e dos Direitos Humanos.

Fundado em 1988 na Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC – UNESP/Marília) o CPEA tem como objetivo promover ensino, pesquisa e extensão sobre questão agrária e movimentos sociais, abrangendo linhas de pesquisas como: agricultura, desenvolvimento sustentável e meio ambiente; culturas tradicionais e etnoconhecimento; direitos humanos e a luta pela terra; movimentos sociais e a reforma agrária; e, políticas públicas ambiente e populações. No decorrer destas três décadas, o Centro desenvolveu na área de pesquisa e extensão diversos trabalhos científicos, dentre eles: relatórios, artigos, monografias, livros, teses, dissertações, documentários, além da promoção de eventos na própria universidade e fora dela.

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Águas que abastecem Marília têm 27 agrotóxicos detectados

O Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano, segundo o site Por Trás do Alimento, detectou a presença de todos os 27 agrotóxicos em testes nas águas que abastecem Marília entre 2014 e 2017.

O site Por Trás do Alimento foi criado entre as organizações jornalísticas Agência Pública e Repórter, que já ganharam dezenas de prêmios por outros trabalhos.

O Departamento de Água e Esgoto de Marília (Daem), no entanto, garante que a quantidade de agrotóxicos estão bem abaixo do recomendado pela legislação brasileira e a água da cidade se enquadra com tranquilidade nos índices de potabilidade considerados satisfatórios.

Os limites legais para nosso país nunca teriam sido ultrapassados. Mas se no Brasil fossem adotados os padrões considerados seguros pela União Europeia, segundo o levantamento, 14 agrotóxicos estariam acima do permitido.

Alguns deles são o Glifosato, Aldicarbe, Carbendazim, Clorpirifós, Diuron, Endossulfan, Mancozebe, Metamidofós, Molinato, Permetrina.

Entre os agrotóxicos detectados, 11 estão associados a doenças crônicas como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos.

E esses agrotóxicos não apareceram apenas em teste feito uma única vez. Em 130 testes realizados, cada um constou em análises pelo menos em 100 ocasiões, segundo o Por Trás do Alimento.

Outros 16 tipos de agrotóxicos também aparecem com a mesma frequência, como Profenofós, Aldicarbe, Carbofurano, Endossulfan, Aldrin, Clorpirifós, Endrin. Mas abaixo dos limites adotados no Brasil e na União Europeia. Ou seja, em quantidade considerada “tolerável”.

Coquetel Tóxico

Marília não é exceção no Estado. De acordo com o levantamento, São Paulo é recordista na quantidade de cidade onde todos os 27 agrotóxicos verificados estavam na água. Essa situação foi verificada em mais de 500, das 644 cidades paulistas.

A química Cassiana Montagner falou com o site Por Trás do Alimento sobre o problema. “Mesmo que um agrotóxico não tenha efeito sobre a saúde humana, ele pode ter quando mistura com outra substância”.

Montagner pesquisa a contaminação da água na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e diz que “a mistura é uma das nossas principais preocupações com os agrotóxicos na água”.

A toxicologista e médica do trabalho Virginia Dapper disse que “a situação é extremamente preocupante e certamente configura riscos e impactos à saúde da população” ao site responsável pela denúncia.

A pesquisadora em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco, Aline Gurgel também disse, no mesmo sentido, que os “dados alarmantes, representam sério risco para a saúde humana”.

Marília tem duas intoxicações por agrotóxicos por mês

Dados do Ministério da Saúde mostram que Marília registrou, em 11 anos, 263 casos de intoxicação por agrotóxicos – 151 com venenos agrícolas, 111 de uso doméstico e 17 de uso público.

São aproximadamente 24 casos por ano, ou dois por mês. Os números são do período que vai entre 2007 até 2017 – último ano com dados disponíveis no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS).

A grande maioria dos casos de intoxicação na cidade acontece por conta de remédios, mas os casos de agrotóxicos chamam a atenção.

Esse tipo de ocorrência supera, por exemplo, as intoxicações com agentes tóxicos como raticida, produtos veterinários, químicos, cosméticos, abuso de drogas, plantas tóxicas, alimentos e bebidas.

Entre 2015 e 2017 houve aumento significativo no número de ocorrências, de 14 para 26 casos. E o ano retrasado voltou ao patamar antes observado em 2012. No levantamento, 2007 foi o ano recorde, com 39 intoxicações por agrotóxicos.

Os trabalhadores rurais que lidam diretamente com os agrotóxicos são estão entre as principais vítimas desse tipo de intoxicação e pesquisadores afirmam que a subnotificação é enorme.

A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador (DSAST) do Ministério da Saúde, Daniela Buosi, explica que “esse tipo de exposição [aos agrotóxicos], na maioria dos casos, não apresenta sinais e sintomas, como nas intoxicações agudas”,

No entanto, diz ela, elas “podem se traduzir em adoecimento tardio, com desfechos de saúde como o câncer”.

MARÍLIA PARTICIPARÁ DA JORNADA UNIVERSITÁRIA DE LUTA PELA REFORMA AGRÁRIA (JURA)

O evento ocorrerá no dia 17 de abril de 2019 na UNESP/FFC – Campus de Marília, no período da manhã, tarde e noite.

Gabriela Louzada

 

A Jornada Universitária de Luta pela Reforma Agrária (JURA) criada no 2º Encontro Nacional dos Professores Universitários, realizado em 2013, acontece anualmente nos meses de Abril e Maio em universidades de todo o país, com a parceria do Movimento Sem Terra (MST).  O período escolhido para o evento concilia com o dia 17 de abril, no qual ocorreu o massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996, marcado pela morte de 19 trabalhadores Sem Terra.

A JURA promove um importante espaço para discutir as questões relacionadas à Reforma Agrária, à Soberania Alimentar e as lutas no campo, além de fomentar atividades culturais e feiras agroecológicas como parte do evento.

A Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP) – Campus de Marília será uma das universidades que sediará a JURA. O evento irá ocorrer no dia 17 de abril de 2019, no anfiteatro da universidade. Segue a programação:

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Durante o mês de Abril, no período de 09 a 28, a biblioteca da universidade terá um espaço de exposição de fotografias feitas pelos pesquisadores do projeto “Tecnologias Sociais em Segurança Alimentar e Nutricional: vídeo e fotografia como possibilidade de valorização de saberes em Agroecologia e Educação do Campo” em trabalhos de campo nos assentamentos do MST Luiz Beltrame de Castro (Gália/SP) e Reunidas e Dandara (Promissão/SP), e na Feira Popular de Luta contra os agrotóxicos, que ocorre em Marília e viabiliza a venda de alimentos produzidos nesses assentamentos.

 

APOIOS:

UNESP – Faculdade de Filosofia e Ciências, campus de Marília.

ONG Origem

Centro de Pesquisa em Estudos Agrários (CPEA)

Movimento Sem Terra (MST)

Grupo de Pesquisa Organização e Democracia (GPOD)

Prefeitura de Marília

Seção Técnica de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (STAEPE)

PESQUISADORES ORGANIZAM EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA E FAZEM OFICINA DE FILMAGEM

A exposição fotográfica e a exibição do documentário ocorreram no dia 13 de dezembro de 2018 durante a inauguração da sede do Centro de Ciência, Tecnologia e Inovação para Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Interssan), no campus da UNESP em Botucatu.

 

Leonardo Moreno

Entre as atividades já realizadas pelos pesquisadores e bolsistas do projeto “Tecnologias Sociais em Segurança Alimentar e Nutricional: vídeo e fotografia como possibilidade de valorização de saberes em Agroecologia e Educação do Campo” estão a organização de uma exposição fotográfica apresentação, participação em oficinas de filmagem e exibição de um documentário produzido pela equipe a partir dos trabalhos de campo.

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Um dos objetivos é divulgar práticas oriundas das tecnologias sociais e da agroecologia que podem ajudar a garantir a soberania alimentar. A exposição fotográfica aconteceu no dia 13 de dezembro durante a inauguração da sede do Centro de Ciência, Tecnologia e Inovação para Soberania Segurança Alimentar e Nutricional (Interssan) no campus de Botucatu da Unesp (Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”).

WhatsApp Image 2019-04-05 at 19.26.16As imagens foram captadas nos assentamentos Luiz Beltrame (Gália), Reunidas e Dandara (Promissão) e em feiras de venda dos alimentos produzidos nesses locais. Esses territórios e práticas de produção e comercialização dos alimentos constituem uma rede sociotécnica e são exemplos de tecnologias sociais produzidas por essas comunidades.

Tais ferramentas contribuem para a Soberania Alimentar e Segurança Alimentar e Nutricional, a viabilização material dos produtores e o fortalecimento de um paradigma que se opõe ao agronegócio – responsável por severas consequências contemporâneas aos indivíduos, sociedade e meio ambiente.

A exposição foi precedida de uma análise e seleção das imagens feitas pelos bolsistas do projeto, além da reflexão sobre as fotografias.

Na inauguração em Botucatu também foi exibido um documentário com imagens coletadas durantes visitas de campo nos territórios pesquisados. Outros documentos ainda serão elaborados. Para a realização do produto audiovisual foi necessária analise dos vídeos com entrevistas já produzidas, elaboração de roteiro e edição do material.

 

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O processo envolveu também a reflexão sobre a necessidade de oficinas para aperfeiçoamento de técnicas de filmagem antes da retomada de novas entrevistas.

As primeiras oficinas sobre os tipos de enquadramento, formas adequadas de captação de áudio, posicionamento da câmera e dos entrevistados, utilização do tripé e outros recursos foram realizadas no campus da Unesp de Marília em março de 2019. As reuniões contaram participação de profissionais que trabalham em meios de comunicação.

Outros encontros acontecerão também em abril e – se necessário – em maio. Com o término da etapa de gravações começará a pós-produção, que envolve a edição e finalização de outros documentários propostos. A produção de textos acadêmicos ocorre paralela e de forma complementar ao trabalho audiovisual.

Homenagem “In Memoriam” ao Professor Plínio Soares de Arruda Sampaio

O Cpea Unesp (Centro de Pesquisas e Estudos Agrários e Ambientais), da Universidade Estadual Paulista-Campus Marília, tem a honra de convidar a todos para a sessão solene de entrega do Título de Doutor “Honoris Causa” ao Professor Plínio Soares de Arruda Sampaio “in memoriam”, pela sua atuação em prol dos direitos humanos, da justiça social, dos valores democráticos e do melhor entendimento entre os povos.

A cerimônia será realizada, no dia 09 de dezembro, no Auditório da Editora Unesp, localizada na Praça da Sé, n 108, 7 º andar, Centro, São Paulo, às 15h.

 

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II Jornada de Estudos Agrários

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INSCRIÇÕES: ATÉ 28/09 OU ATÉ COMPLETAR O NÚMERO DE VAGAS

INSCRIÇÕES

Valor das Inscrições: 

Estudantes de Graduação: R$20,00;

Estudantes de Pós-Graduação: R$ 20,00;

Demais Interessados: R$ 25,00;

Para maiores informações conheça o CPEA: http://www.marilia.unesp.br/#!/cpea 

 

INFORMAÇÃO SOBRE STATUS DE PAGAMENTO:

Informamos os participantes que já efetuaram o pagamento da taxa de inscrição e cujo status de pagamento encontra-se pendente no sistema, que atrasos podem ocorrer na confirmação destes, mas que todos serão confirmados. Pede-se guardar consigo o comprovante de pagamento para o caso de eventuais conferências, caso necessário. Por enquanto, não é necessário enviá-lo. Se preciso, avisaremos os participantes.

Para os que ainda não efetuaram o pagamento, é possível gerar o boleto clicando em Inscrição > 2ª Via Boleto bancário, na parte esquerda da página do evento.
Para os que estão isentos da taxa de pagamento, desconsiderar esta mensagem.

Critérios de seleção dos trabalhos a serem apresentados nos GTs

Serão consideradas as propostas de pesquisadores, de diferentes áreas, que investiguem temas vinculados à proposta do evento e de pesquisas que estejam diretamente ligadas às propostas dos Grupos de Trabalhos a que forem submetidas. Devido às limitações de espaço e tempo, a aceitação dos trabalhos estará condicionada à avaliação da comissão científica do evento, que selecionará os trabalhos a serem apresentados em função de sua adequação, num primeiro momento, em relação ao tema geral do evento (“Jornada de estudos agrários: Água, desenvolvimento e Território”), e, em seguida, à sua pertinência com o tema do GT no qual foi inscrito. Os temas dos 3 (três) GTs (GT 1: Dilemas e Perspectivas da Luta pela Terra, GT 2: Água e o desenvolvimento territorial sustentável; GT3: Projetos educativos e educação do campo)  foram elaborados de acordo com os debates e produções que vem se dedicando a temática proposta pelo evento. Para tanto, a construção se deu a partir do diálogo com pesquisadores e a demanda dos movimentos sociais.

Para cada GT serão selecionados até 10 trabalhos para apresentações orais. Os GTs serão divididos em até 3 (três) sessões cada, as quais serão realizadas em dois dias (29 e 30 de setembro), no período da tarde. Cada autor inscrito para apresentação oral terá aproximadamente 20 minutos para sua exposição.

Os resumos e os textos completos serão publicados em anais on line.

Será aceita a inscrição de um trabalho por autor principal, sendo admitida a inscrição de mais um trabalho em co-autoria. Para se inscrever como co-autor em algum trabalho é necessário estar inscrito no evento.

Prazos de submissão dos trabalhos

As datas de submissão e julgamento dos trabalhos são as que se seguem:

  1. Envio de propostas (resumos e textos completos): de 10 de julho até 21 de setembro de 2015
  2. Período de avaliação das propostas: até 24 de setembro de 2015
  3. Divulgação dos aprovados: até 25 de setembro de 2015

Formatação dos trabalhos

Resumo:

As propostas de apresentação deverão ser enviadas por e-mail para os organizadores do evento (cpea@cpeaunesp.org) contendo um resumo de até 1.800 palavras, com título e nome do autor, vínculo institucional do proponente(s). Não colocar referências bibliográficas ou notas de roda pé.

Fonte: Times New Roman; Tamanho 12; Espaçamento 1,5; Texto justificado.

Título: letras maiúsculas, negrito e centralizadas;

Autor(es): após o título, um por linha, alinhado à direita e com nota de rodapé indicando a qualificação, Instituição e endereço eletrônico;

Indicação do GT após os autores, alinhado à direita

Os trabalhos deverão ser enviados obedecendo aos Eixos Temáticos (que deverá também ser indicado no corpo do e-mail do envio do trabalho).

Texto completo:

Formatação geral:

Fonte: Times New Roman; Tamanho 12; Espaçamento 1,5; Texto justificado.

Título: letras maiúsculas, negrito e centralizadas;

Autor(es): após o título, um por linha, alinhado à direita e com nota de rodapé indicando a qualificação, Instituição e endereço eletrônico;

Indicação do GT após os autores, alinhado à direita

Formato do texto:

No máximo 20 páginas, incluindo a lista de referências e figuras, digitado no programa Word for Windows, papel tamanho A4, margem superior, inferior e direita com 2,5 cm, margem esquerda 3 cm, fonte Times New Roman tamanho 12, espaçamento 1,5, alinhamento justificado, páginas numeradas, citações e bibliografia devem acompanhar as normas da ABNT. O texto completo pode ser apresentado com ilustrações e gráficos com as fontes devidamente mencionadas.

Formato do arquivo e do título:

  • Os arquivos devem ser enviados obrigatoriamente no formato “.doc”  (documento do Word). Favor não enviar arquivos no formato “.docx” e “pdf.
  • Título do arquivo: salvar o arquivo com o seguinte padrão de nomenclatura: SOBRENOME DO PRIMEIRO AUTOR EM CAIXA ALTA_Nome do primeiro autor em caixa baixa_SOBRENOME DO SEGUNDO AUTOR EM CAIXA ALTA_Sobrenome do segundo autor em caixa baixa.doc, e assim sucessivamente para quantos autores houverem. Ex: MELO_Beatriz_SILVA_Maria.doc

Jornada de Estudos Agrários

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Certificados do Evento (Clique Aqui)

Anais do Evento (Clique Aqui)

Alimentação como ato político.

No dia doze de junho, a Carta Capital publicou a entrevista com a nutricionista Elaine de Azevedo, contando que o consumo de alimento orgânico, além de ser uma prática saudável, está dentro da ampliação política para a soberania alimentar, reforma agrária e a ajuda para os produtores familiares.

Segue abaixo a matéria feita por Mariana Melo:

Por que é bom consumir orgânicos? Dos adeptos dos alimentos “naturebas” produzidos sem agrotóxicos ou outros insumos considerados agressivos ao meio ambiente, a resposta vem de forma imediata: porque é melhor para a saúde. Mas, segundo a nutricionista Elaine de Azevedo, pesquisadora do Centro de Ciências Humanas e Naturais da Universidade Federal do Espírito Santo, essa resposta pode ser muito reducionista para demonstrar todo impacto que o consumo orgânico pode ter à sociedade. Em uma discussão que abrange desde a problemática social do campo até a questão da fome mundial, consumir tais alimentos pode ser um gesto político. “A agricultura orgânica é mais do que um modo produtivo, é uma proposta, é um movimento ativista. É importante ampliar os conceitos, para entender o que é que está por trás da produção orgânica”, diz Elaine, autora do livro Alimentos Orgânicos: ampliando os conceitos de saúde humana, ambiental e social, da Editora Senac. Confira a entrevista.

CartaCapital: Alguns defendem o consumo de produtos orgânicos pelo viés ambiental, outros, nutricional. Você diz que os benefícios do consumo dos orgânicos são uma questão mais plural, que beneficia uma série de setores. Você poderia falar mais a respeito?
Elaine de Azevedo: Na verdade, esses vieses parecem que são separados, mas são costurados pelo contexto de saúde coletiva. A saúde coletiva implica em condições sociais, ambientais e de estilo de vida saudáveis. Quando você olha na perspectiva de saúde coletiva, para você ser saudável você tem que trabalhar, ter dignidade, estar com quem gosta em um ambiente sustentável pra ter saúde. Nessa perspectiva, o alimento orgânico de origem familiar vai ao encontro da promoção de saúde social, porque vai dignificar o agricultor, e isso repercute na qualidade de vida nas grandes cidades na questão do desemprego, da violência. Tem a ver com a saúde social urbana. E na saúde ambiental também, porque não adianta comer bem se o ar e o mar estiverem poluídos, se o clima estiver desequilibrado. Você tem repercussões sociais porque o ambiente não é só o indivíduo. Então, o aspecto de alimentos equilibrados nutricionalmente é quase uma consequência. Respirar ar poluído, não ter trabalho e viver em uma cidade violenta com graves problemas sociais não é saudável.

CC: Por que consumir orgânicos é um ato político?
EA: Se você analisar de um modo mais amplo, o que o orgânico de origem familiar está trazendo é uma opção política. 80% da produção orgânica é de origem familiar. Além disso, o ato ambiental é um ato político. É você cuidar da saúde, comprar alimentos locais, que tem a ver com a sua cultura. O conceito de política não pode ser muito restrito, na verdade eles são mais porosos, têm a ver com comportamento.

CC: Você alegou que os orgânicos não têm “maior” valor nutricional, mas “melhor” valor nutricional. O que isso quer dizer?
EA: “Mais” não quer dizer “melhor”. A gente quer plantas nutricionalmente equilibradas, e isso o orgânico faz. A gente não quer maior, a gente quer valor nutricional mais equilibrado e aproveitável. O que adianta ter um monte de nitrogênio no solo para a planta absorver, formando nitrito, que é cancerígeno? Ou que atrai mais pragas? É um conceito errado.

CC: De que forma a produção de orgânicos pode responder à demanda mundial por alimentos? Muitos afirmam que só com o uso de agrotóxicos e de sementes transgênicas, por exemplo, é possível suprir essa demanda.
EA: Sabe aquela história de que uma mentira contada tantas vezes acaba sendo levada como verdade? Esse é um caso clássico. O agronegócio não produz alimento hoje. Ele produz PIB, relações exteriores, negócios. Ele produz soja, biodiesel, cana, algodão, não produz comida. Arroz, feijão, mandioca já não são produzidos pelo agronegócio. Já produzimos o suficiente no mundo para alimentar o que está previsto até 2050 de aumento da população. O que acontece é que nós não temos distribuição de renda e de riqueza, ou seja, têm países, pessoas e grupos que concentram alimentos, além de ter pessoas que não têm acesso à terra ou ao dinheiro. Comida já tem. O transgênico vai continuar a excluir pequenos de produzir e vai colocar na mão dos grandes a produção do não-alimento. Então, na mão de quem ficará a produção de alimentos?

CC: Mas e a produtividade inferior do orgânico?
EA: Nunca vamos conseguir produzir soja orgânica igual. Agora, arroz ou batata tem a produtividade comparável. Mas, para isso, tem que ter manejo, emprego, assistência técnica. Agora, eu não consigo produzir tomate no Paraná como eu produzo no México, por exemplo. No Paraná, tem que ser com veneno. Temos de considerar conceitos como o local do plantio e a sazonalidade. Vários conceitos têm de ser adicionados na dieta, como a questão do alimento sazonal e do alimento local. Uma época terá abobrinha, tomate, outra terá tubérculos, outra arroz. A gente pode não ter o ano inteiro esse arroz orgânico, mas a gente vai ter épocas de arroz. Isso que a gente tem de discutir. Produtos específicos em épocas específicas. É uma grande questão a ser discutida.

Já para a produção orgânica animal não é possível comparar a produtividade. Não conseguimos ter e também não desejamos, porque precisamos rever a nossa ingestão de proteínas. O consumo de carne está excessivo, nenhuma cultura já comeu assim. Mas vai dizer isso para pessoas que têm como conceito que mais é melhor? Nós estamos morrendo por falta de minerais, vitaminas, não por falta de proteínas. São muitas revoluções que precisam ser feitas, na agricultura e na nutrição, juntos, pra gente chegar no que se precisa.

CC: Além dessa mudança comportamental, o que é preciso pra suprir essa produtividade inferior?
EA: A agricultura familiar pode produzir os orgânicos com custos mais baixos, porque teremos mais oferta, mais gente produzindo, e menos veneno. A alegação de que precisaremos de agrotóxicos é uma estratégia da indústria. O agrotóxico veio, a tecnologia veio, e tem gente que continua passando fome.

CC: Por que a padronização nutricional (todos no mundo têm o mesmo tipo de dieta) é negativa para a população?
EA: A nossa gordura aqui não é o azeite de oliva, é o óleo de coco, óleo de palma. Esses são saudáveis? São. A banha também é saudável, mas não é ideal comer banha na Amazônia, da mesma forma que não é normal comer azeite de oliva nos trópicos. A dieta culturalmente ajustável é o próximo passo a se alcançar. É legal comer batata e peixe de água profunda na Noruega. Aqui, eu não vou fazer isso, eu vou ter que ter frutas. Não adianta a dieta macrobiótica ser maravilhosa se é uma dieta tradicional do Japão. Ela é ruim? Não, mas precisa ser ajustada à nossa realidade. A gente mora em um país tropical, com muitas frutas. Carne, iremos consumir pouco, como se fosse aquela caça eventual. Não é que a gente vai voltar a só comer isso, mas temos de nos ater à dieta culturalmente ajustada. É um outro passo.

CC: Como você avalia a política de estímulo à produção de orgânicos?
EA: O financiamento da agricultura brasileira é de 25% para agricultura familiar e 75% para agronegócio. Você acha que, com essa diferença, dá pra produzir da mesma forma? E mesmo com 25%, a agricultura familiar corresponde a 80% do que a gente come. Faltam incentivos e sensibilização do consumidor. O consumidor, ao buscar mais e ao querer mais orgânicos, pode procurar por políticos que apoiem isso e, também, forçar o preço a baixar. A problemática do preço tem de ser compartilhada. Laptops acabaram baixando de preço porque todo mundo começou a comprar. O alimento ainda é uma mercadoria, se a gente comprar mais, o preço vai baixar. É aquela discussão, a gente quer comprar remédio ou quer comprar saúde?

A agricultura orgânica é mais do que um modo produtivo, é uma proposta, é um movimento ativista. É importante ampliar os conceitos, para entender o que é que está por trás do alimento orgânico, se não fica uma discussão muito reducionista. Quando essas campanhas contra o orgânico aparecem, é importante ver quem as comanda. Quem pode querer veneno?

 

http://www.cartacapital.com.br/sustentabilidade/alimentacao-organica-um-ato-politico-460.html?fb_action_ids=699978176703923&fb_action_types=og.recommends

Nota do MST em relação ao mestre e pastor Dom Tomas Balduíno

VIDA E REVIDA

Um adeus a nosso mestre e Pastor Dom Tomas Balduino

Como a flor cheirosa, do campo se despede;

Dobra-se ao ciclo da eterna evolução

Fica a semente que a mão do vento expede

Com seu murmúrio em forma de canção.

Canção de vida que na morte é revida…

Revida, renascendo em testemunho dado!

Revida, em luta do índio revoltado!

Revida, em marcha do camponês magoado!

Revida, mulher pobre, branca, negra e homem favelado…

Por um instante, desçam do alto dos mastros as bandeiras;

Cale-se a terra concentrada, lamentando a perda…

Juntem-se os pés nas bases das fileiras…

Caia sincera a lágrima da pálpebra esquerda…

Juntem-se as mãos deixando os gestos vãos…

Baixe o olhar em sinal de respeito

Ergam-se os braços em forma de oração

Dobre-se o corpo, inclinando o peito.

Não é por dor, tampouco por tristeza!

Mas pelo brilho da obra e sua grandeza

Que fez a vida profetizadora…

Se a natureza a põe interrompida…

Não haverá nenhuma despedida

Se cada mão for sua continuadora.

Fica o exemplo firme e militante…

A crítica e o desprezo aos governantes

Que não ouviram as suas sugestões.

Fica um bendito a quem com luta espera…

A maldição aos que tomam a terra

E a esvaziam de suas populações.

Fica o chamado para o seguimento…

Para os valores e o bom comportamento

Na formação da consciência humanista.

Vigiai por nós enquanto caminhamos;

Que aqui ficamos e de ti lembramos

De punho erguido e frontes otimistas…

Assim sentimos leve o nosso coração

Pois com certeza irás ao panteão

Onde estão os grandes socialistas.

Por Ademar Bogo,

4 de maio de 2014

Com pesar e muita tristeza recebemos a notícia do falecimento do querido e aguerrido lutador Dom Tomás Balduíno, ocorrida na noite de ontem.

Dom Tomás foi uma daquelas pessoas que nos marcam pela simplicidade e generosidade, qualidades aliadas com as da coragem, coerência e determinação na luta por seus ideais e compromissos de vida.

Esteve sempre presente nas lutas dos povos indígenas, negros e dos camponeses. A jovialidade o o sorriso que mantinha permanentemente iluminando sua face apenas refletia a grandeza do seu caráter e a corajosa militância pastoral e política que exercia numa das regiões mais violentas do país atacada, primeiro, pelo latifúndio e, depois, pelo agronegócio.

Na luta pela Reforma Agrária, foi um dos mais ardorosos defensores. Não hesitou em estar sempre do lado do povo, enfrentando tanto os governos do regime militar quanto todos os outros que os sucederam. Foi um dos mais fortes pilares na construção de uma pastoral social que aproximou a Igreja Católica de todas as etnias, raças e gêneros, vítimas da irracionalidade do capitalismo e de uma sociedade elitista e preconceituosa. Com uma clareza política ímpar, sabia que o povo deveria ser o protagonista de sua própria história. Por isso não mediu esforços para que a classe trabalhadora, os camponeses, povos indígenas e negros construíssem suas próprias organizações e, de forma autônoma, fizessem suas lutas.

Nós, do MST, somos eternamente gratos pela contribuição e efetiva participação que recebemos de D. Tomás na construção da nossa organização. Nunca nos faltou uma palavra sua de incentivo e orientação. E, sempre que julgou necessário, não hesitou em, fraternalmente, nos apresentar suas críticas e divergências, sempre com a grandeza dos que sabem ouvir e repensar suas opiniões e posicionamentos políticos.

Ele, Paulo de nascimento, também  combateu o bom combate. E, certamente, por sua trajetória de vida e coerência política em defesa dos pobres, entrou no Panteão dos que o poeta Bertold Brecht considera que são imprescindíveis, porque lutam sempre!

Perdemos, ontem a noite, a convivência física de Dom Tomás. Ganhamos um legado que nos incentivará, a nós e as gerações posteriores, à luta e há um compromisso de vida com a construção de uma sociedade justa, solidária, democrática e igualitária, socialista!

Bispo emérito da cidade de Goiás, dom Tomás Balduino (Foto: Wildes Barbosa/ O Popular)

VIVA DOM TOMÁS BALDUÍNO!

VIVA AS LUTAS DOS CAMPONESES, POVOS INDIGENAS E NEGROS.

Direção nacional do MST

São Paulo, 03 de maio de 2014.