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MARÍLIA PARTICIPARÁ DA JORNADA UNIVERSITÁRIA DE LUTA PELA REFORMA AGRÁRIA (JURA)

O evento ocorrerá no dia 17 de abril de 2019 na UNESP/FFC – Campus de Marília, no período da manhã, tarde e noite.

Gabriela Louzada

 

A Jornada Universitária de Luta pela Reforma Agrária (JURA) criada no 2º Encontro Nacional dos Professores Universitários, realizado em 2013, acontece anualmente nos meses de Abril e Maio em universidades de todo o país, com a parceria do Movimento Sem Terra (MST).  O período escolhido para o evento concilia com o dia 17 de abril, no qual ocorreu o massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996, marcado pela morte de 19 trabalhadores Sem Terra.

A JURA promove um importante espaço para discutir as questões relacionadas à Reforma Agrária, à Soberania Alimentar e as lutas no campo, além de fomentar atividades culturais e feiras agroecológicas como parte do evento.

A Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP) – Campus de Marília será uma das universidades que sediará a JURA. O evento irá ocorrer no dia 17 de abril de 2019, no anfiteatro da universidade. Segue a programação:

arte

Durante o mês de Abril, no período de 09 a 28, a biblioteca da universidade terá um espaço de exposição de fotografias feitas pelos pesquisadores do projeto “Tecnologias Sociais em Segurança Alimentar e Nutricional: vídeo e fotografia como possibilidade de valorização de saberes em Agroecologia e Educação do Campo” em trabalhos de campo nos assentamentos do MST Luiz Beltrame de Castro (Gália/SP) e Reunidas e Dandara (Promissão/SP), e na Feira Popular de Luta contra os agrotóxicos, que ocorre em Marília e viabiliza a venda de alimentos produzidos nesses assentamentos.

 

APOIOS:

UNESP – Faculdade de Filosofia e Ciências, campus de Marília.

ONG Origem

Centro de Pesquisa em Estudos Agrários (CPEA)

Movimento Sem Terra (MST)

Grupo de Pesquisa Organização e Democracia (GPOD)

Prefeitura de Marília

Seção Técnica de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (STAEPE)

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PESQUISADORES ACOMPANHARÃO MAIS UMA EDIÇÃO DA FEIRA POPULAR DE LUTA CONTRA OS AGROTÓXICOS DE MARÍLIA

 

Outras edições da feira foram realizada na zona Oeste de Marília (Foto: Leonardo Moreno)

Leonardo Moreno

Mais uma edição da Feira Popular de Luta Contra os Agrotóxicos está prevista para acontecer em Marília no dia 13 de abril e contará mais uma vez com registros de pesquisadores do projeto “Tecnologias Sociais em Segurança Alimentar e Nutricional: vídeo e fotografia como possibilidade de valorização de saberes em Agroecologia e Educação do Campo”.

O evento acontece entre 14h e 19h e, desta vez, o endereço é a Estação Cultural, no Centro da cidade, com entrada pela rua 9 de Julho. Venda de alimentos da produção agroecológica, espaço das crianças, oficinas, apresentações culturais, de bate e outras atrações.

Outros registros já foram feitos em edições passadas da feira com objetivo de produção de um documentário para registro e divulgação de tecnologias sociais que envolvem a Soberania e a Segurança Alimentar e Nutricional.

Nesta edição serão feitos registros audiovisuais complementares, além da coleta de mais informações e depoimentos sobre os desafios da organização, balanço da realização das feiras e análise de resultados na opinião dos produtores com objetivo de também viabilizar a produção de texto acadêmico.

Serão entrevistados produtores do Assentamento Reunidas – em Promissão (SP), o Assentamento Luiz Beltrame – em Gália (SP), e o Assentamento Rosa Luxemburgo – em Iaras (SP), que vendem seus produtos diretamente para os consumidores finais. Os assentamentos são territórios pesquisados no projeto.

Além dos representantes da agricultura familiar, os pesquisadores também fizeram parte da organização e divulgação das últimas edições da feira, com participação de representantes de movimentos sociais, ONGs, coletivos, membros do Cpea (Centro de Pesquisas e Estudos Agrários) e da Redes-SANS (Rede de Defesa e Promoção da Alimentação Saudável, Adequada e Solidária).

 

As flores do campo.

Hoje dia 8 de março é celebrado o dia internacional da mulher, o CPEA gostaria de dedicar essa postagem a todas as mulheres,em especial, as mulheres do assentamento Reunidas que são exemplo da resistência das mulheres no campo. O vídeo abaixo mostra a organização de mulheres Flores do campo, gostaríamos de deixar este poema como uma singela homenagem a elas.

O Cântico da Terra

Cora Coralina

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

 

 

 

Os ajustes fiscais e seus impactos no campo.

MST imagem post 03-03-16

 

Ontem, terça-feira (2), lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) convocaram a imprensa para  uma entrevista coletiva (Confira a entrevista na integra no site do MST) onde apresentaram um balanço político do movimento do ano de 2015, e as perspectivas para o ano de 2016. Na entrevista coletiva, afirmaram que não houve nenhuma conquista integral na agenda de reforma agrária, e acentuaram que:  “2015 Foi um ano perdido para a Reforma Agrária”. O maior inimigo do movimento foram os ajustes fiscais que atingiram em cheio o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), dos programas que mais sofreram cortes em 2015, como mostra levantamento do jornal O Estado de São Paulo, com base em dados do Orçamento da União estão:

- Luz Para Todos: Programa lançado em 2003, que visava beneficiar o contingente de dois milhões de famílias no meio rural brasileiro que vivia sem energia elétrica. Foram investidos R$ 22,7 bilhões nas obras do Programa Luz para Todos, sendo R$ 16,8 bilhões do governo federal e o restante com recursos dos governos estaduais e das distribuidoras de energia. A previsão do programa era de que até 2018 mais 1 milhão de pessoas seriam beneficiadas, o que pode não ocorrer já que o governo vem aplicando os cortes.

- Pronaf: Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar financia projetos individuais ou coletivos que geram renda aos agricultores familiares e assentados da reforma agrária, possuindo baixas taxas de juros dos financiamentos rurais. Assim como o programa Brasil Sorridente e o Bolsa Família, recebeu mais dinheiro em 2015 comparado ao ano anterior, mas o valor também está abaixo da inflação, ou seja, perdeu investimento.

- Pronatec: Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego previa o aumento dos cursos técnicos e profissionalizantes para a juventude ingressar no mercado de trabalho. Em junho de 2015, o governo anunciou o corte de cerca de 2 milhões de vagas neste programa, cerca de 66% a menos de vagas em relação ao ano anterior. Em 2015 foram abertas um milhão de vagas, enquanto que em 2014 foram cerca de 3 milhões. O programa foi um dos principais eixos de campanha da presidente Dilma, ligado a política que o governo tentou vender de “pátria educadora”, mas que segue não conseguindo. No Orçamento aprovado em dezembro de 2015, o Pronatec caiu 44% em investimento em relação ao ano anterior.

A Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) afirma que em estados como São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná, o governo não renovou contratos de fornecimento de alimentos este ano, tampouco informou aos produtores com antecedência que o programa sofreria cortes.Somado a esse cenário de redução dos investimentos e corte de verbas vem a negligência do governo em alternativas efetivas, o que prejudica a vida de quem sobrevive com os programas sociais, entre eles, produtores rurais.

Em 2016 o cenário não é diferente, o governo já divulgou que, frente a crise, serão necessários novos ajustes fiscais, entretanto, o MST também já começou a se mobilizar, houve somente no começo deste ano diversas ocupações em sedes do INCRA por todo o país.