Archive for the ‘Política ambiental’ Category

Campanha: É a Gota D’ Água + 10… Diga não a Belo Monte!!!

Thaylizze Pereira

 

Campanha contra a Hidrelétrica de Belo Monte, nós apoiamos essa ideia. Participe, compartilhe essa informação e contribua para construir uma Brasil um pouco melhor.

 

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O homem e a problemática ambiental!

Cassia Lussani

“Reconhecer o valor social e ecológico de uma fonte de recursos naturais leva ao seu uso equitativo e sustentável. Em compensação, considerar um recurso natural apenas em termos de seu preço de mercado, cria padrões de uso injusto e não sustentável.”

Com essa citação encontrada no livro “Guerras por água: privatização, poluição e lucro”, da indiana Vandana Shiva, percebemos que a discussão sobre a questão da água segue além da necessidade de conscientização das pessoas sobre o seu uso. Sem podermos descartar a importância que atitudes simples do cotidiano podem ajudar a frear a falta de água futura, ainda assim há fatores maiores que contribuem imensamente para este problema.

Culpada pelos assoreamentos dos rios e das erosões do solo, a agricultura extensiva monocultora ocupa para o seu empreendimento grandes quantidades de água. Esta muitas vezes é extraída de forma errada, e em quantidade maior do que suporta o solo de repor pela infiltração. Esse formato produtivo também é responsável pelo uso intensivo de agrotóxicos que, seguindo a infiltração do solo, contamina os lençóis freáticos.

A necessidade de produzir cada vez maiores quantidades de produtos, independente de quais danos isso trará para o meio ambiente, geram uma inconsciência de que todos no planeta vivem e necessitam dos mesmos recursos que estão disponíveis hoje, mas que são finitos. Salvar o planeta de impactos ambientais negativos não é uma questão de salvar espécies em extinção ou de nichos ecológicos específicos, é salvar a nossa própria espécie, humana.

Bem Viver: contribuição da América Latina para uma geossociedade

Mirian Claudia Lourenção Simonetti

 

Análise

 

Está surgindo, bem ou mal, um design ecologicamente orientado por práticas e projetos que já ensaiam o novo

12/08/2011

 

Leonardo Boff

Por todas as partes no mundo cresce a resistência ao sistema de dominação do capital globalizado pelas grandes corporações multilaterais sobre as nações, as pessoas concretas e sobre a natureza. Está surgindo, bem ou mal, um design ecologicamente orientado por práticas e projetos que já ensaiam o novo. A base é sempre a economia solidária, o respeito aos ciclos da natureza, a sinergia com a Mãe Terra, a economia a serviço da vida e não do lucro e uma política sustentada pela hospitalidade, pela tolerância, pela colaboração e pela solidariedade entre os mais diferentes povos, demovendo destarte as bases para o fundamentalismo religioso e político e do terrorismo que assistimos nos EUA e agora na Noruega.

Entre muitos projetos existentes na América Latina como a economia solidária, a agricultura orgânica familiar, as energias alternativas limpas, a Via Campesina, o Movimento Zapatista e outros queremos destacar dois pela relevância universal que representam: o primeiro é o “Bem Viver” e o segundo a “Democracia Comunitária e da Terra”, como expressão de um novo tipo de socialismo.

O “Bem Viver” está presente ao longo de todo o continente Abya Yala (nome indígena para o Continente sul-americano), do extremo norte até o extremo sul, sob muitos nomes dos quais dois são as mais conhecidos: suma qamaña (da cultura aymara) e suma kawsay (da cultura quéchua). Ambas significam: “o processo de vida em plenitude”. Esta resulta da vida pessoal e social em harmonia e equilíbrio material e espiritual. Primeiramente é um saber viver e em seguida um saber conviver: com os outros, com a comunidade, com a Divindade, com a Mãe Terra, com suas energias presentes nas montanhas, nas águas, nas florestas, no sol, na lua, no fogo e em cada ser. Procura-se uma economia não da acumulação de riqueza mas da produção do suficiente e do decente para todos, respeitando os ciclos da Pacha Mama e as necessidades das gerações futuras.

Esse “Bem Viver” não tem nada a ver com o nosso “Viver Melhor” ou “Qualidade de Vida”. O nosso Viver Melhor supõe acumular meios materiais, para poder consumir mais dentro da dinâmica de um progresso ilimitado cujo motor é a competição e a relação meramente de uso da natureza, sem respeitar seu valor intrínseco e sem se reconhecer parte dela. Para que alguns possam viver melhor, milhões têm que viver mal.

O “Bem Viver” não se identifica simplesmente com o nosso “Bem Comum”, pensado somente em função dos seres humanos em sociedade, num antropo-e-sociocentrismo inconsciente. O “Bem Viver” abarca tudo o que existe, a natureza com seus diferentes seres, todos os humanos, a busca do equilíbrio entre todos também com os espíritos, com os sábios (avôs e avós falecidos), com Deus, para que todos possam conviver harmonicamente. Não se pode pensar o “Bem Viver” sem a comunidade, a mais ampliada possível, humana, natural, terrenal e cósmica. A “minga” que é o trabalho comunitário, expressa bem este espírito de cooperação.

Essa categoria do “Bem Viver” e do “Viver Bem” entrou nas constituições do Equador e da Bolívia. A grande tarefa do Estado é poder criar as condições deste “Bem Viver” para todos os seres e não só para os humanos.

Esta perspectiva, nascida na periferia do mundo, com toda sua carga utópica, se dirige a todos, pois é uma tentativa de resposta à crise atual. Ela poderá garantir o futuro da vida, da humanidade e da Terra.

A outra contribuição latino-americana para um outro mundo possível é a “Democracia Comunitária e da Terra”. Trata-se de um tipo de vida social, existente nas culturas da Abya Yala, reprimida pela colonização mas que agora, com o movimento indígena resgatando sua identidade, está atraindo o olhar dos analistas. É uma forma de participação que vai além da democracia clássica representativa e participativa, de cunho europeu. Ela as inclui, mas aporta um elemento novo: a comunidade como um todo; esta participa na elaboração dos projetos, de sua discussão, da construção do consenso e de sua implementação. Ela pressupõe já uma vida comunitária estabelecida na população.

Ela se distingue do outro tipo de democracia por incluir toda a comunidade, a natureza e a Mãe Terra. Reconhecem-se os direitos da natureza, dos animais, das florestas, das águas, como aparece nas constituições novas do Equador e da Bolívia. Faz-se uma ampliação da personalidade jurídica aos demais seres, especialmente à Mãe Terra. Pelo fato de serem vivos, possuem um valor intrínseco e são portadores de dignidade e direitos e por isso são merecedores de respeito.

A democracia será então sócio-terrenal-planetária, a democracia da Terra. Há os que dizem: tudo isso é utopia. E de fato é. Mas uma utopia necessária. Quando tivermos superado a crise da Terra (se a superarmos) o caminho da Humanidade seria este: globalmente nos organizarmos ao redor do “Bem Viver” e de uma “Democracia da Terra”, da “Biocivilização” (Sachs). Já existem sinais antecipadores deste futuro.

Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor.

Leonardo Boff reflete sobre a sustentabilidade e cuidado!

Mirian Claudia Lourenção Simonetti

 

Em recente artigo denominado “Sustentabilidade e cuidado: um caminho a seguir”, (Adital de 17/06/2011) o querido teólogo, filósofo e escritor Leonardo Boff discorre sobre a crise da civilização que se abateu perigosamente sobre a humanidade e as saídas possíveis em termos de valores e princípios que atribuam uma real sustentatibilidade ao mundo que deverá vir. Para ele, a participação na elaboração da Carta da Terra ajudou a pensar essa saídas, visto que esta afirma “O destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal”.
Em suas considerações destaca dois valores, que considera centrais para esse novo começo: a sustentabilidade e o cuidado.
Para ele “a sustentabilidade, significa o uso racional dos recursos escassos da Terra, sem prejudicar o capital natural, mantido em condições de sua reprodução, em vista ainda ao atendimento das necessidades das gerações futuras que também têm direito a um planeta habitável.”
Trata-se de um esforço que “envolve um tipo de economia respeitadora dos limites de cada ecossistema e da própria Terra, de uma sociedade que busca a equidade e a justiça social mundial e de um meio ambiente suficientemente preservado para atender as demandas humanas.” Ou seja, para ele a sustentabilidade deve envolver a sociedade, a política, a cultura, a arte, a natureza, o planeta e a vida de cada pessoa, visto que o nosso estilo de vida é demasiado hostil à vida e deixa de fora grande parte da humanidade.
A outra categoria, que o autor tem escrito em seus estudos é o cuidado. Para ele, “o cuidado representa uma relação amorosa, respeitosa e não agressiva para com a realidade e por isso não destrutiva. Ela pressupõe que os seres humanos são parte da natureza e membros da comunidade biótica e cósmica com a responsabilidade de protegê-la, regenerá-la e cuidá-la. Mais que uma técnica, o cuidado é uma arte, um paradigma novo de relacionamento para com a natureza, para com a Terra e para com os humanos.”
Para o autor “a sustentabilidade e cuidado devem ser assumidos conjuntamente para impedir que a crise se transforme em tragédia e para conferir eficácia às praticas que visam a fundar um novo paradigma de convivência ser-humano-vida-Terra. A crise atual, com as severas ameaças que globalmente pesam sobre todos, coloca uma impostergável indagação filosófica: que tipo de seres somos, ora capazes de depredar a natureza e de por em risco a própria sobrevivência como espécie e ora de cuidar e de responsabilizar-nos pelo futuro comum? Qual, enfim, é nosso lugar na Terra e qual é a nossa missão? Não seria a de sermos os guardiães e os cuidadores dessa herança sagrada que o Universo e Deus nos entregaram que é esse Planeta, vivo, que se autorregula, de cujo útero todos nós nascemos?” e finaliza “sustentabilidade e cuidado, juntos, nos mostram um caminho a seguir.

Qual o nexo entre as mortes de lavradores indefesos e a revisão do Código Florestal aprovada no Congresso Nacional?

Mirian Claudia Lourenção Simonetti

 

Existe, sim, um nexo efetivo entre a votação do Código Florestal e os novos assassinatos de trabalhadores rurais. Não adianta negar. Por mais que cause irritação em setores do governo, nos donos do agronegócio e nos políticos que lhes prestam serviço no parlamento brasileiro, tal vínculo existe. É ele, aliás, que explica também o surto atual de crescimento das áreas desmatadas. Quem aperta o gatilho, claro, é um pistoleiro de aluguel. Mata, arranca a orelha para provar a execução do serviço, recebe o pagamento do mandante e fica escondido a espera de novas encomendas. Pistolagem, grileiros, contrabando de madeira de lei, desmatamento ilegal, entre outras, são violências antigas no campo brasileiro. Variam de intensidade a depender das demandas econômicas das relações de forças na política. Os que assassinam opositores e destroem florestas estão certos da impunidade, e se imaginam respaldados de cima.

O método do arrastão com correntes entre tratores abre clareiras quilométricas. Por sua ostensiva visibilidade, só é praticado quando se tem a absoluta certeza da impunidade. O mesmo acontece com o assassinato de trabalhadores com militância ambiental. Trata-se de recado para sinalizar posição de mando, intimidar, definir quem reina no pedaço. Sem garantia de impunidade, seria um tiro pela culatra. São crimes conexos e articulados ao descalabro do Código Florestal. Quando os conservadores ostentam maioria em cima, os que barbarizam na base acham que podem tudo.

Os homens do agronegócio tem maioria no congresso. São 160 congressistas ligados ao agronegócio, que junto com os empresários e industriais, que são ao todo 273, formam um total 433 congressistas. A corporação dos ruralistas hegemoniza um espantoso arco de alianças. Os maiores partidos da mal chamada oposição, PSDB e DEM, votaram com eles. A maioria da base de apoio do governo, o PMDB unido e boa parte do PT, também. Vale ressaltar, para espanto de alguns, o papel desempenhado no processo pelos ex-comunistas do PC do B. O deputado Aldo Rabelo, com seu semblante de jagunço, foi o relator da matéria e assumiu a condição de grande timoneiro da proposta conservadora. Segundo as más línguas, ele operou, na linha chinesa, como bom discípulo de Deng Xiaoping: “não importa a cor do gato, importa é que ele financia campanha…”.

O governo, atordoado pelo descontrole total de sua base, reagiu como quem ainda não sabe o que fazer. Formou grupo interministerial, criou comissões. Michel Temer, o vice em exercício, antigo mordomo que agora dá cartas, requentou velhos programas e liberou grana parca para pequenos deslocamentos burocráticos. Quantia ridícula, que não paga palestra do Lula, nem consultoria do Palocci. Maria do Rosário, responsável pelos direitos humanos, disse que não pode garantir segurança sequer para um terço da lista dos ameaçados de morte. Os marcados para morrer que se cuidem, pois a alma do governo está empenhada ao agronegócio desde os governos Lula da Silva. Como afirmou o advogado da Comissão Pastoral da José Batista Afonso, “o governo desde o início optou por acordo com setores ligados ao agronegócio para garantir a governabilidade e abriu mão de implementar políticas públicas que contrariassem esses interesses”. Tratados a pão de Ló os herdeiros da violência secular do latifúndio vão continuar matando.

Donatário de capitania, senhor de engenho, latifundiário, grande fazendeiro, ruralista, os nomes mudam, mas a mentalidade é a mesma. São tiranos, donos de gado e gente, portadores de uma arrogância consolidada em cinco séculos de latifúndio. Os debates sobre o Código, transmitidos ao vivo pela TV Câmara, atualizaram, ao vivo e em tempo real, esta triste realidade.

Palestra de José Cláudio Ribeiro Silva!

Essa palestra foi feita em novembro de 2010 por José Cláudio Ribeiro Silva, o ambientalista  assassinado juntamento com a sua esposa Maria do Espiríto Santo Silva no último dia 26/05. Confiram!

Sobre o Código Florestal – o que esperar desse congresso?

                                                                                Mirian Claudia lourenção Simonetti

Depois de muitos adiamentos, a votação do Novo Código Florestal finalmente foi
realizada no dia 24 de maio, na Câmara dos Deputados em Brasília. Com 410 votos a favor das alterações do Código e 63 contra, o texto segue pra o Senado
Federal, e depois para sanção presidencial.

Agora dependemos dos vetos que a presidenta Dilma Rousseff possivelmente fará com relação a alguns pontos do Novo Código Florestal, caso não sofram
modificações no Senado.

Um destes pontos é a emenda 164, que apresenta a principal divergência entre
governo e parlamentares. Essa emenda estenderia aos estados o poder de decidir
sobre atividades agropecuárias em áreas de preservação permanente (APPs). No
entanto, o governo federal, acertadamente, quer exclusividade para definir as
atividades permitidas em APPs.

Os ambientalistas consideram que o Novo Código permitirá maior avanço das
monoculturas em prejuízo das áreas de florestas, e afirmam que as mudanças abrem brechas para aumentar o desmatamento e podem pôr em risco ciclos naturais.

O projeto também estabelece o conceito de “Área Rural Consolidada” para todas as áreas ocupadas antes de 22 de julho de 2008. De acordo com esta determinação, as atividades agropecuárias existentes dentro desta “área consolidada” poderiam continuar mesmo se estiverem situadas em Áreas de Preservação Permanente (APP).

Isso significa que muitos proprietários que desmataram APPs até julho de 2008
ficariam isentos de punições deste crime ambiental. Essa permissão é considerada um estímulo ao desmatamento, já que ficaria difícil fiscalizar e precisar as datas das atividades.

Os ruralistas defendem a alteração do Código, pasmem, a fim de garantir maior
‘desenvolvimento’ para o país. Para eles, o código atual, criado em 1965,
atendeu às necessidades da agricultura e da pecuária que na época tinham baixa
produtividade e agora seria preciso dar mais espaço para a produção.

Por outro lado, os ambientalistas afirmam que as terras já exploradas são
suficientes para dobrar a produção, bastaria para isso aprimorar a eficiência
nas lavouras e nos pastos por meio de tecnologia e uso sustentável na
agricultura e pecuária.

Enfim, esse tema mostra os interesses divergentes na sociedade brasileira, onde
as oligarquias agrárias ainda monopolizam parte importante do estado brasileiro.