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IV JORNADA DE ESTUDOS AGRÁRIOS E 30 ANOS DO CPEA

Entre os dias 03 a 05 de Junho ocorrerá na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC)/campus de Marília, a IV Jornada de Estudos Agrários, que terá como eixo central a celebração dos 30 anos do Centro de Pesquisas e Estudos Agrários (CPEA) tratando dos desafios e perspectivas das pesquisas sobre Questão Agrária, Ambiental e dos Direitos Humanos.

Fundado em 1988 na Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC – UNESP/Marília) o CPEA tem como objetivo promover ensino, pesquisa e extensão sobre questão agrária e movimentos sociais, abrangendo linhas de pesquisas como: agricultura, desenvolvimento sustentável e meio ambiente; culturas tradicionais e etnoconhecimento; direitos humanos e a luta pela terra; movimentos sociais e a reforma agrária; e, políticas públicas ambiente e populações. No decorrer destas três décadas, o Centro desenvolveu na área de pesquisa e extensão diversos trabalhos científicos, dentre eles: relatórios, artigos, monografias, livros, teses, dissertações, documentários, além da promoção de eventos na própria universidade e fora dela.

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PESQUISADORES ACOMPANHARÃO MAIS UMA EDIÇÃO DA FEIRA POPULAR DE LUTA CONTRA OS AGROTÓXICOS DE MARÍLIA

 

Outras edições da feira foram realizada na zona Oeste de Marília (Foto: Leonardo Moreno)

Leonardo Moreno

Mais uma edição da Feira Popular de Luta Contra os Agrotóxicos está prevista para acontecer em Marília no dia 13 de abril e contará mais uma vez com registros de pesquisadores do projeto “Tecnologias Sociais em Segurança Alimentar e Nutricional: vídeo e fotografia como possibilidade de valorização de saberes em Agroecologia e Educação do Campo”.

O evento acontece entre 14h e 19h e, desta vez, o endereço é a Estação Cultural, no Centro da cidade, com entrada pela rua 9 de Julho. Venda de alimentos da produção agroecológica, espaço das crianças, oficinas, apresentações culturais, de bate e outras atrações.

Outros registros já foram feitos em edições passadas da feira com objetivo de produção de um documentário para registro e divulgação de tecnologias sociais que envolvem a Soberania e a Segurança Alimentar e Nutricional.

Nesta edição serão feitos registros audiovisuais complementares, além da coleta de mais informações e depoimentos sobre os desafios da organização, balanço da realização das feiras e análise de resultados na opinião dos produtores com objetivo de também viabilizar a produção de texto acadêmico.

Serão entrevistados produtores do Assentamento Reunidas – em Promissão (SP), o Assentamento Luiz Beltrame – em Gália (SP), e o Assentamento Rosa Luxemburgo – em Iaras (SP), que vendem seus produtos diretamente para os consumidores finais. Os assentamentos são territórios pesquisados no projeto.

Além dos representantes da agricultura familiar, os pesquisadores também fizeram parte da organização e divulgação das últimas edições da feira, com participação de representantes de movimentos sociais, ONGs, coletivos, membros do Cpea (Centro de Pesquisas e Estudos Agrários) e da Redes-SANS (Rede de Defesa e Promoção da Alimentação Saudável, Adequada e Solidária).

 

Os ajustes fiscais e seus impactos no campo.

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Ontem, terça-feira (2), lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) convocaram a imprensa para  uma entrevista coletiva (Confira a entrevista na integra no site do MST) onde apresentaram um balanço político do movimento do ano de 2015, e as perspectivas para o ano de 2016. Na entrevista coletiva, afirmaram que não houve nenhuma conquista integral na agenda de reforma agrária, e acentuaram que:  “2015 Foi um ano perdido para a Reforma Agrária”. O maior inimigo do movimento foram os ajustes fiscais que atingiram em cheio o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), dos programas que mais sofreram cortes em 2015, como mostra levantamento do jornal O Estado de São Paulo, com base em dados do Orçamento da União estão:

- Luz Para Todos: Programa lançado em 2003, que visava beneficiar o contingente de dois milhões de famílias no meio rural brasileiro que vivia sem energia elétrica. Foram investidos R$ 22,7 bilhões nas obras do Programa Luz para Todos, sendo R$ 16,8 bilhões do governo federal e o restante com recursos dos governos estaduais e das distribuidoras de energia. A previsão do programa era de que até 2018 mais 1 milhão de pessoas seriam beneficiadas, o que pode não ocorrer já que o governo vem aplicando os cortes.

- Pronaf: Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar financia projetos individuais ou coletivos que geram renda aos agricultores familiares e assentados da reforma agrária, possuindo baixas taxas de juros dos financiamentos rurais. Assim como o programa Brasil Sorridente e o Bolsa Família, recebeu mais dinheiro em 2015 comparado ao ano anterior, mas o valor também está abaixo da inflação, ou seja, perdeu investimento.

- Pronatec: Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego previa o aumento dos cursos técnicos e profissionalizantes para a juventude ingressar no mercado de trabalho. Em junho de 2015, o governo anunciou o corte de cerca de 2 milhões de vagas neste programa, cerca de 66% a menos de vagas em relação ao ano anterior. Em 2015 foram abertas um milhão de vagas, enquanto que em 2014 foram cerca de 3 milhões. O programa foi um dos principais eixos de campanha da presidente Dilma, ligado a política que o governo tentou vender de “pátria educadora”, mas que segue não conseguindo. No Orçamento aprovado em dezembro de 2015, o Pronatec caiu 44% em investimento em relação ao ano anterior.

A Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) afirma que em estados como São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná, o governo não renovou contratos de fornecimento de alimentos este ano, tampouco informou aos produtores com antecedência que o programa sofreria cortes.Somado a esse cenário de redução dos investimentos e corte de verbas vem a negligência do governo em alternativas efetivas, o que prejudica a vida de quem sobrevive com os programas sociais, entre eles, produtores rurais.

Em 2016 o cenário não é diferente, o governo já divulgou que, frente a crise, serão necessários novos ajustes fiscais, entretanto, o MST também já começou a se mobilizar, houve somente no começo deste ano diversas ocupações em sedes do INCRA por todo o país.

MST ocupa fazenda de ex-deputado no Paraná e exige sua desapropriação para reforma agrária.

fazenda maríliaO Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desde a manhã do último sábado (28) ocupa a Fazenda Marília, em Londrina, norte do Paraná.  A propriedade pertence a familiares do ex-deputado – já falecido – José Janene (PP) trata-se de uma área de 200 hectares que fica no distrito de Lerroville.

Os trabalhadores exigem que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) adquira a propriedade e encaminhe o lote para a reforma agrária. Para os manifestantes, Janene, envolvido no Mensalão, adquiriu a fazenda e outras propriedades no município com dinheiro público desviado por  esquemas de corrupção.  Atualmente, as famílias do MST da região de Londrina aguardam o Incra selecionar novas áreas para elas.

O Incra informou que tem intenção em obter a Fazenda Marília, mas o processo ainda está em avaliação. O órgão explicou ainda que continua trabalhando para obter áreas na região.

Policiais ferem Trabalhadores Rurais.

Por Carolina Fernandes Carvalho.

Em Brasilia está acontecendo o VI Congresso Nacional do MST, o Centro de Pesquisas e Estudos Agrários e Ambientais (CPEA) está prestigiando o evento com três de seus integrantes. Uma das atividades propostas foi executada ontem, dia 12 de janeiro: a marcha do Ginásio Nilson Nelson até o Supremo Tribunal Federal. Cerca de 16 mil pessoas participaram, inclusive crianças de todas as idades e idosos.

O ato seguia tranquilo até que os policiais impediram os camponeses pegarem objetos do ônibus que seriam usados para a intervenção em forma de teatro visando a denúncia da violência no campo e a falta de inaciativa por parte dos governantes de realizar a Reforma Agrária.

A atitude estranha dos policiais culminou em confusão. Enquanto os manifestantes estavam portando bandeiras, águas, artíficios de perigo nenhum, os policiais os atacaram com teasers, gás de pimenta, entre outras armas, ditas, não letais. Uma idosa do MST desmaiou e um jovem teve o supercílio acertado por uma bala de borracha, os dois passam bem.

A atitude violenta e desumana por parte da Polícia Federal exemplificou o despreparo de lidar com as mobilizações sociais. É indigna essa ação por parte da PM, afinal o MST luta pela democratização do acesso a terra, que muito é privativa no Brasil, o que traria à maioria absoluta brasileira uma vida merecedora.

Assentamentos de reforma agrária: oportunidade/possibilidade para as novas gerações.

Foto de Edson Silva/Folhapress

Foto de Edson Silva/Folhapress

Alex Arbarotti

Mestrando Sociologia UFSCar/Bolsista FAPESP

Muitas vezes os assentamentos de reforma agrária são questionados sobre sua viabilidade no sentido de não proporcionarem sustento nem mesmo às famílias que neles moram. Entretanto, a despeito das informações deprecativas e da sistemática diminuição de investimentos do poder público nesses projetos de assentamentos eles veem se demonstrando como local de produtividade e oportunidade/possibilidade para as novas gerações como noticiado em duas reportagens da Folha de São Paulo.

A primeira reportagem afirma que o movimento de retorno ao campo é perceptível em todo país nos últimos anos[i]. E a segunda reportagem traz à cena a realidade de retorno de filhos e netos de assentados da cidade para os assentamentos[ii].

Na primeira reportagem Vera Botta Ferrante afirma que a volta do jovem, e em alguns casos os que permaneceram, contribui para trazer novas ideias, nesse sentido ela traz o caso de um rapaz que queria montar uma gráfica para produzir rótulos dos pães e bolos produzidos no Assentamento Bela Vista na cidade de Araraquara – SP.

Bernardo Mançano Fernandes afirma, na segunda reportagem, que a volta das novas gerações tem ocorrido em assentamentos de todo país. Segundo ele isso ocorre como resultado do alto custo de vida nas cidades e em contrapartida o aumento da infraestrutura nos assentamentos, bem como as políticas públicas de incentivo a agricultura familiar.

É nesse sentido que Elisa Guaraná Castro (2008) diz que os estudos sobre juventude no campo deve superar a categoria ficar e sair como uma categoria concreta ou um movimento definitivo dos jovens, pois essas abordagens acabam não percebendo outros elementos nas múltiplas formas de vivencias que são apresentadas na dinâmica social destes jovens e as novas formas de se relacionarem com a terra. Isso é importante, porque como visto na reportagem é cada mais recorrente encontrar jovens, filhos e netos de assentados, que vem afirmando que querem assumir o projeto de assentamento, mas em uma nova perspectiva, realizando um reordenamento da imagem e do dito ethos do camponês tradicional (CASTRO, 2008).

Assim, é possível afirmar que os assentamentos são espaços de oportunidade/possibilidade para as novas gerações em relação às representações de múltiplos vividos e construções de identidades e subjetividades em um processo de construção de sentidos individuais, coletivos, culturais e históricos na criação e recriação cotidiana (MARTINS, 2010). Entretanto ainda faltam políticas públicas sérias e investimentos para que esses espaços possam se tornar cada vez mais espaços de trabalho digno, moradia boa e produção rentável e sustentável.

 

Referências

CASTRO, E. G. As jovens rurais e a reprodução social das hierarquias: relações de gênero em assentamentos rurais. In: FERRANTE, V. L. B. WHITAKER, C. A. (org) Reforma agrária e desenvolvimento: desafios e rumos da política de assentamentos rurais. São Paulo: UNIARA, 2008.

MARTINS, J. S. A sociabilidade do homem simples: cotidiano e história na modernidade anômala. São Paulo: Contexto, 2010.

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[i] “Movimento de retorno ao campo se repete no país, afirma docente”. Folha de São Paulo. 17 de novembro de 2012. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/ribeiraopreto/1186862-movimento-de-retorno-ao-campo-se-repete-no-pais-afirma-docente.shtml

[ii] “Filhos e netos de sem-terra deixam cidade e voltam para o campo”. Folha de São Paulo. 17 de novembro de 2012. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/ribeiraopreto/1186860-filhos-e-netos-de-sem-terra-deixam-cidade-e-voltam-para-o-campo.shtml

Temos que defender nossa terra e nosso rio!

Alex Arbarotti

O problema fundiário no Brasil se arrasta á décadas. Mas, nos últimos tempos temos um aumento dessa pressão fundiária que abarca não só a terra, mas também os rios e o uso das águas  Esse não é um problema solucionado, apesar de não ganhar os holofotes da mídia. Em 2011 foram 14410615 áreas de conflitos por terra ou pela água no Brasil. Esses conflitos envolveram 82706 famílias e ocorreram 29 assassinatos  (fonte: cpt nacional). Esses conflitos estão ocorrendo porque o Estado tem uma opção clara de favorecimento de grandes investidores em detrimento dos pequenos e tradicionais proprietários e usuários dos rios.

É notável, porém que esse não é um cenário exclusivo do Brasil, mas de toda Latino América. O vídeo postado aqui denuncia isso. A ação desrespeitosa do governo que “abusa de quem não têm mais arma que sua pobreza!”

Urge uma articulação em toda latinoameica contra essas ações que crescem a cada dia!

Não deixe de ver o vídeo e de se revoltar!