Archive for the ‘Ensaios’ Category

Sociedade de consumo e os resquícios ainda existentes de ética


Milena Takamiya Sugahara


            Ser um ser humano na atual sociedade de consumo já pressupõe uma vida norteada por necessidades culturais que sem a devida reflexão podem fazer das atividades rotineiras e cotidianas um sonho fadado ao próprio desprezo sobre si mesmo. Além do mais, a sociedade do consumo se suporta mediante a uma base pautada nas discrepâncias sociais, que inviabilizam o acesso aos pressupostos do Estado de Bem-estar social, saúde, educação, acesso à informação, saneamento básico, e consequentemente se os abastados sociais engolem a informação e cultura de massa, as populações assoladas pela miséria e pobreza têm acesso ainda mais limitado a ideologias que não advém do capitalismo e permitiriam a libertação da vida humana.

            Eis a realidade a qual nos deparamos, publicidades em massa e consumismoem massa. Segundo, o documentário A era da Estupidez, o consumismo está tão exarcebado e obviamente mais grotesco ainda nos países “desenvolvidos”, que hoje um americano consome 50 vezes mais energia elétrica que um queniano e se os 6,5 bilhões de habitantes do mundo consumissem como um europeu ou um japonês seriam necessários os recursos naturais de 2 planetas Terra. Particularmente, um grande incômodo, o mesmo documentário bibliografa a vida de uma nigeriana com a esperança de um “american way of life”, um dia prometida pela Shell, multinacional americana, que originou um novo conceito de se pensar o capitalismo inexcrupuloso, “a maldição do recurso”. Termo originado devido a contradição que a exploração do petróleo na Nigéria provocou, pois ao invés de melhorar a vida dos habitantes locais com os investimentos advindos da instalação da empresa, a população local se viu diante de mais miséria e pobreza. Apenas culpar todo e qualquer ser humano que engole a alienação do desprezo aos recursos do planeta é um modo muito simplista de compreender o fenômeno social do consumismo. Assadourian (2010) sintetiza de forma bastante clara o raciocínio:

“Os seres humanos estão cravados em sistemas culturais, são moldados e refreados por suas culturas e, quase sempre, agem apenas de acordo com as realidades culturais de suas vidas. As normas, símbolos, valores e tradições culturais que acompanham o crescimento de uma pessoa tornam-se “naturais”. Assim, pedir às pessoas que vivem em sociedades de consumo que restrinjam o consumo é o mesmo que lhes pedir para parar de respirar – elas conseguem fazê-lo por um momento, mas depois, arquejando, inalarão ar outra vez. Dirigir carros, andar de avião, ter casas grandes, usar ar condicionado… não se trata de escolhas decadentes, mas simplesmente de elementos naturais da vida – pelo menos, de acordo com as normas culturais presentes em um número crescente de culturas de consumo no mundo todo. No entanto, embora pareçam naturais para aqueles que são parte dessas realidades culturais, esses padrões não são nem sustentáveis nem manifestações inatas da natureza humana. Eles se desenvolveram ao longo de séculos e estão hoje sendo reforçados e disseminados a milhões de pessoas em países em desenvolvimento.” (Assadourian, 2010, p.3)

                Nessa perspectiva, as ideologias em prol da preservação ambiental tem que ter o cerne de sua base a resistência e o engajamento eternizado desde seus primórdios, pela própria significância de nadar contra uma corrente, ser uma mobilização de cunho biopsicossocial contra-hegemônico. Isso tange, a um discurso eternizado pela Carta do Cacique de Seattle ao presidente norte-americano, que se tornou um símbolo para todos que acreditam na necessidade de preservação ambiental. A carta se contextualiza pela proposta de permuta da reserva dos índios em detrimento a outra terra.

“Vocês devem ensinar as suas crianças que o solo a seus pés, é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças, o que ensinamos as nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo que acontecer a terra, acontecerá aos seus filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.

Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence a terra.
Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.
Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnados do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam.

Onde está o arvoredo? Desapareceu.

Onde está a águia? Desapareceu.

É o final da vida e o início da sobrevivência.” (ONU,1854)

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A carta do Cacique, somada a idéia do consumismo, engendra as possibilidades verdadeiras das mudanças paradigmáticas, pois a sociedade de consumo já foi constatada e já é de senso comum compreendê-la como promotora de desrespeito a dignidade humana, e a carta do Cacique demonstra a ética necessária a cada ser humano para a construção de um mundo melhor. Não consigo entender o ser humano, ele sabe que destrói a natureza, que promove a miséria, a pobreza, que faz guerra para busca desenfreada de recurso, obrigada a fuga de milhões de refugiados, que suas monoculturas destroem a qualidade dos solos. Com certeza eu passaria a enumerar milhares de fatos vinculados a crise ambiental.

            Riqueza, luxúria, bens de consumo, esse é o caminho? Sinto que infelizmente, já temos o caminho e a solução, mas infelizmente os alienados seres humanos continuam desenfreados no seu consumismo, em busca que particularmente a muitos tenho a certeza que não promove a felicidade plena. Muitas vezes vejo seres humanos se emocionarem por serem altruístas, mas a maioria das vezes vejo seres humanos buscando incessantemente um poder e um reconhecimento social, pautado nas melhores vestimentas, nos carros de luxo, nas mansões, na melhor tecnologia possível e viável.

            Essas reflexões perspassam a simples idéia de refletir e se tornam um desabafo. Particularmente, quanto mais eu entendo a sociedade humana, mas eu me entristeço, pois é óbvio há o que se fazer, há um desenvolvimento sustentável, que não seja engolido pelo sistema capitalista e destoado da idéia primordial. HáHHá

Há como diminuir a fome, as doenças transmissíveis que assolam principalmente há África, mas há primeiro de unirmos as forças humanas para o bem comum.

            A questão ambiental é principalmente uma questão ética, que deve ser punida rigorosamente. Chega de impunidade. Podemos equiparar a idéia de um latrocínio, o capitalismo das transnacionais roubam os recursos dos países assolados pela pobreza, e matam silenciosamente suas populações com a cólera, leishmaniose, a aids, a malária, a diarréia infantial, principalmente as doenças tropicais e carências nutricionais, crime silencioso e ainda qualificado. Seria ainda pior se sintetizássemos minimamente a história, veríamos atrocidades como a escravidão.

            Exemplos são inúmeros, enquanto isso, mesmo tristes conheceremos ainda mais as entranhas desses problemas latentes, na esperança que um dia os dizeres do Cacique perspassem a consciência da maioria da população e principalmente dos detentores do poder, que estes ambicionem a liberdade, a paz, o bem-estar e a harmonia entre todos os elementos do Terra.

Referências:

Documentário A era da estupidez

Carta do Cacique Seattle ao Presidente Norte-americano
Texto de domínio público distribuído pela ONU
ASSADOURIAN, E. Ascensão e Queda das Culturas de Consumo. In:______ Estado do Mundo, 2010: estado do consumo e o consumo sustentável. Salvador: 2010, p. 3-20. cap 1.

Sustentabilidade: mais uma estratégia de marketing?

Jéssica Álana Zenorini


“Compre um sabão em pó Y e contribua para o reflorestamento”, “Compre o sabonete N e ajude a Amazônia”, “Consuma os produtos da marca X, é uma empresa comprometida com o meio ambiente”, “Abra uma conta no Banco S, ele utiliza papeis reciclados”. Diversas propagandas dessa natureza têm sido veiculadas na mídia procurando associar determinadas marcas a iniciativas ligadas a preservação ambiental. Ser ecologicamente correto parece estar na moda.

Desde a década de 70 a questão da crise ambiental tem ganhado maior repercussão nas mídias. O esgotamento dos recursos naturais, a poluição das águas e do ar, as alterações climáticas, os desastres ambientais de diferentes naturezas provocados pela ação humana irresponsável têm evidenciado à civilização ocidental a necessidade de repensarmos a forma com que nos relacionamos com a natureza, sob pena de ter nossa sobrevivência ameaça.

Frente a essa demanda social, as empresas parecem tem incorporado aos seus discursos princípios da sustentabilidade. A aparente mudança de paradigma acompanha uma série de discussões da sociedade civil e organizações internacionais, ocorrida nas últimas décadas, que procuram alertar a sociedade ocidental que o tempo da produção e do consumo de nosso modelo de civilização é incompatível com o tempo que a natureza requer para sua reprodução.

Entretanto, embora o princípio da sustentabilidade tenha passado a entoar o discurso dos mais diversos setores da sociedade, assistimos nas últimas décadas o consumo por pessoa praticamente triplicar. A produção de mercadorias é constante e crescente e a obsolescência apresenta-se como o princípio norteador da produção.

As revoluções industriais, que imprimiram uma nova dinâmica a produção, ajudaram a difundir o mito do desenvolvimento, associado ao ideário de progresso e a uma percepção da vida como expansão material incessante , desmedida (LISBOA, 1996, p.14). E como a produção capitalista exige expansão constante é preciso incentivar o consumo criando cada vez mais necessidades, cultivando a insatisfação.

            O consumismo se configura assim como o verdadeiro paradigma cultural, como “um padrão cultural que faz com que as pessoas encontrem significado, satisfação e reconhecimento principalmente através do consumo de bens e serviços” (ASSADOURIAN, 2010, p.8), levando as pessoas a associar níveis elevados de consumo a bem-estar e sucesso. O que nos revela que não por acaso o discurso ecologicamente correto, por parte das empresas, aparece sem se dissociar do incentivo ao consumo.

A ilusão de que o desenvolvimento industrial produziria meios suficientes para satisfazer as necessidades de todos e assim promover a qualidade de vida, ajudou a difundir o desenvolvimento como valor e mobilizou povos da periferia a aceitar enormes sacrifícios (FURTADO apud Lisboa, 1996, p.15). O “moderno/desenvolvido” pensado em exclusão (oposição) ao “colonizado/subdesenvolvido” contribui para ocultar as raízes dos problemas enfrentados hoje em nossa sociedade. A pobreza, a fome, a violência, as práticas trabalhistas abusivas, a destruição das florestas e mananciais, as mudanças climáticas, o esgotamento dos recursos naturais são pensados dissociadamente dos níveis insustentáveis de consumo de parcela restrita da sociedade. As propagandas dos carros luxuosos passando por lindas paisagens, enquanto seus vidros blindados ocultam a pobreza e a fome não são realidades excludentes, mas faces da mesma moeda. Pois conforme nos aponta Lisboa (1996, p17) “o desenvolvimento comporta em si o subdesenvolvimento”, “a pobreza não advém da falta de recursos, mas da existência de privilégios”.

Essa realidade nos põe a necessidade de desnaturalizar os atuais padrões de consumo, eles são incompatíveis com uma perspectiva sustentável. É preciso que desenvolvamos uma outra cultura que não tenha no consumo (na posse de bens) um valor, que reveja seu modo de vida, que deixe de entender a natureza como uma fonte inesgotável de recursos a nosso serviço. Caso contrário, os discursos de sustentabilidade serão apenas mais uma estratégia de marketing.

 

BIBLIOGRAFIA:

ASSADOURIAN, E.  Ascensão e Queda das culturas de consumo. In: Estado do mundo: Transformando Culturas; Salvador/Ba. Uma Ed.2010.p. 3-20.

LISBOA, A.M. Desenvolvimento uma idéia subdesenvolvida. In: cadernos do CEAS; Janeiro/fevereiro; Salvador/Ba. 1996. p 11-21.

 

O consumo da Essência


Vanessa Aparecida da Conceição

 

 

“Um passarinho pediu a meu irmão para ser sua árvore.
Meu irmão aceitou de ser a árvore daquele passarinho.
No estágio de ser essa árvore, meu irmão aprendeu de
sol, de céu e de lua mais do que na escola”.

(Manoel de Barros)

 

 

            Tiramos da terra e o que damos à ela? Estamos vivendo na era do Ego-consumismo, como se tudo no mundo, na vida fosse ilimitado, como se não houvesse fim.

            Água desperdiçada, lixo aos quatro ventos, fumaça dos carros, dos trens, das fábricas, já não se respira mais, já não se vê mais a rosa nascendo no meio do asfalto, só se vê o asfalto. A humanidade está perdendo a essência da natureza, ou melhor, está destruindo tal essência pela venda, pela compra e pela troca.

            Onde foi parar a importância da natureza, a importância de se viver nela e não somente dela? Ela foi parar no capitalismo, onde não se mede a importância de ser e de se ter a natureza. O capitalismo tirou a importância, o encantamento que a natureza produz em nós, além de ter tirado essa essência, tirou também as árvores, sujou os rios, desapareceu com espécies e nos deu a (im) possibilidade de consumir o falso. O capitalismo fez-nos acreditar que o som dos ruídos dos motores da Fórmula 1 é mais importante do que o som das águas e das rãs para os nossos ouvidos. Não se há mais transfusão com a natureza.

            No texto Ascensão e Queda das Culturas de Consumo de Erik Assadourian, o autor afirma que o consumismo é uma construção social, estando os seres humanos cravados em sistemas culturais, moldados e refreados por suas culturas. Essa construção fez do consumismo algo de extrema importância para diversas sociedades ajudado pela mídia que manipula as pessoas a serem consumidoras desenfreadas. A mídia informa e forma consumidores. O anúncio traz o desejo do produto e a vontade do consumo. O consumo traz a banalização, a superficialidade e a felicidade mascarada.

            A sustentabilidade é um debate que está em voga. Mas qual é mesmo o papel da sustentabilidade? Algo que já virou um negócio há muito tempo. A sustentabilidade virou algo rentável, bonito de se dizer e de promover, mas o que de fato acontece? Pegamos o exemplo do festival SWU (Starts With You), que em português significa “Começa com você”, é um movimento em prol da conscientização  pela sustentabilidade, onde ocorre diversos fóruns e debates sobre questões de como construir um mundo melhor. Contudo, paralelo à esses debates, ocorre o festival de música com várias bandas e artistas consagrados e o que a mídia divulga? O que será de maior interesse econômico, ou seja, os shows. Esquecendo dessa maneira o real propósito do evento, ficando da sustentabilidade só o nome e não a ação.

            Falamos do meio ambiente como se não fizéssemos parte dele, como se somente fosse meio e não um todo. Tratamos a natureza como algo descartável que se usa e joga fora, como se o amanhã não existisse, como se ela fosse eterna, mas o que não estamos enxergando é que ela não é, assim como não somos. Ninguém mais olha para as estrelas, para as árvores. Ninguém mais escuta os passarinhos, ninguém mais anda com os pés no chão, é sempre com o tênis mais caro, a sandália importada. Os instantes estão se perdendo, consumir é mais satisfatório do que sentir a grama nos seus, nos meus, nos nossos pés.

            O mundo contemporâneo é consumista. O celular que uso vem com o carregador ecologicamente correto, o caderno que escrevo são com folhas recicladas, a escova de dente é ecologicamente correta, o chinelo, o detergente e milhares de outras coisas mais. O ecologicamente correto é cria do capitalismo, ele traz a ilusão de que consumindo estes produtos estamos ajudando o meio ambiente – pode até ser que sim – mas na realidade, estamos continuando a consumir. Quando na verdade deveríamos é estar em contato com natureza diretamente, pois deixamos de viver para sobreviver, contudo, a vida é mais bonita.

Mundo contemporâneo e a crise ambiental

Cassia Adriana Lussani

A discussão sobre a capacidade de sustentabilidade da vida na terra seguindo o atual modelo consumista se faz a algumas décadas. A degradação da água, do solo, do ar e por conseqüência, dos alimentos que consumimos, mostram que nosso atual modelo produtivo deixa muito a desejar quando se trata de manutenção dos recursos naturais. A questão ambiental entrou nas pautas das discussões mundiais a algum tempo, e hoje é representada no cenário brasileiro com a discussão do novo Código Florestal. Essas discussões seguem, em sua maioria, pelo viés da luta de ambientalistas e autoridades científicas contra as grandes corporações e latifundiários, com o intuito da proteção de matas nativas e nichos ecológicos.

O pensamento comercial visa somente a satisfação da garantia de maior lucro, não se considerando os direitos de quaisquer seres vivos, exceto os promulgados por leis, estas muitas vezes não sendo garantidas na atuação da mesma forma como estão descritas nas constituições. A formação desse pensamento materialista é amparado hoje pela ideologia do consumismo que remonta a todo um processo que iniciou-se com a Revolução Industrial Inglesa. Porem, antes disso já havia se consolidado a concepção de exterioridade do homem com a natureza. Um trecho da Carta do Cacique Seattle ao Presidente Norte-Americano, ele diz:

Cada pedaço desta terra é sagrado para o meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência do meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho. Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas.

Isto é, a relação do homem ocidental com a natureza se estabelece de forma exterior e não correlacionada, podendo-se usar como análise esse pequeno trecho, onde evidencia-se que a relação de alguns povos indígenas está mais ligada a consciência de que se faz parte do ambiente em que vive e que, após a morte, nele se continua. Enquanto que na maioria das sociedades ocidentais a idéia de morte se faz relacionada com a idéia de ir para o céu. Essa lógica de pensamento leva a se considerar que após a morte não se faz parte desse ambiente, e que existe outro, perfeito que permanece a sua espera.

Dessa forma, temos que a nossa forma de pensar os espaços de vida e permanência nesse ambiente são como transitórias, e, conseqüentemente, pensar no que há por vir não é algo fundamental.

A produção atual de bens de consumo não é sustentável, haja visto que os recursos naturais que podem ser extraídos são finitos, porem, há toda uma ideologia consumista e ampliada pelo marketing que passa a idéia de que todos podem possuir o que almejam, além de que, o que você consome faz parte da formação da sua identidade e irá lhe trazer a felicidade. Esse consumismo além de não ser viável ambientalmente, pois os recursos são escassos; financeiramente desigual, pois se sabe que a renda se encontra concentrada nas mãos de uma minoria; também não tem provas eficazes de garantia de felicidade e bem-estar, se considerando a propagação da depressão como uma doença moderna, assim como os problemas de saúde, ligadas aos hábitos sedentários de vida é dietas mau equilibradas. Os confortos da vida moderna, como os carros, por exemplo, dificilmente conseguem abarcar as expectativas do momento da compra. Com o aumento da produção de automóveis também veio, conseqüentemente, o aumento do trafego nas ruas, o resultado disso são horas de engarrafamento em cidades mais populosas. O tempo desgastado em um engarrafamento e o stress gerado por essa situação não condizem com o ideal de velocidade e dinamismo nas pistas, esta sendo a idéia vendida por esse objeto de consumo. Os efeitos negativos causados pelo stress afetam tanto o ocupante do carro mais ultrapassado como o do mais moderno, portanto, será que todas as inovações geram maior qualidade de vida? Com uma condição de mobilidade mais confortável, seria necessário a utilização de recursos naturais para a produção de ar-condicionado e de aparelhos de dvd’s para os ocupantes dos automóveis?

Na mesma questão de ordem prática relacionada com a qualidade de vida, podemos considerar que a oferta de alimentos aumentou consideravelmente, principalmente em países ricos. Mas isso trouxe algum avanço na qualidade de vida? Com o massivo uso de agrotóxicos para a manutenção das plantações, e a construção de todo um processo agrícola moderno baseado nessa produção em larga escala para a venda, vemos que a parte de alimentos que chega aos consumidores estão contaminados com pesticidas, fungicidas e herbicidas. O restante que não tem espaço para o comércio, dependendo de fatores como a oferta e a procura, acaba sendo descartado na própria lavoura de produção, não chegando a ser distribuída em regiões onde a fome ainda assola milhares de pessoas.

Portanto, por mais que os meios de comunicação coloquem como a nossa época um período de fartura e de possibilidades infinitas, estamos na realidade presos ao que sempre estivemos: ao ambiente em que vivemos. Se tem-se um padrão de vida alto em países desenvolvidos, tem-se o acesso a tudo que é vendido, mas com os ônus dos agrotóxicos e stress; se habita-se uma região onde o nível financeiro é baixo, tem-se ainda a fome e graves problemas sociais.

Desenvolvimento sustentável, você não está ajudando!

Alcides Renofio Neto

 

As palavras são instrumentos políticos. Palavra e conceito não se identificam necessariamente. Não atoa a política econômica de Estado da ditadura militar brasileira nos idos da década de 1970 foi chamada Revolução Verde e, sabemos, não diz respeito sobremaneira a qualquer movimento ecologista ou ambientalista, muito menos qualquer movimento revolucionário, a despeito das palavras que pretensamente se apresentam. Sabemos que a Revolução Verde diz respeito a uma política econômica de incentivo as tecnologias agrícolas, genéticas, e químicas, que estimularam um modelo de desenvolvimento agrícola e econômico, de ocupação de territórios e usos de recursos naturais, de tal forma a favorecendo grandes corporações e fortalecendo o agrobusiness, o agronegócio voltado ao mercado externo.

Desenvolvimento está automaticamente associado à ideia de incremento, melhoria e crescimento. Este automatismo (midiaticamente construído, sem dúvida) cumpre sua função política: criar e estimular uma sensibilidade, uma visão de mundo clivada por essa noção positiva de desenvolvimento enquanto fim ultimo de nossa vida em sociedade. Dizem-nos as professoras Fátima Cabral e Lúcia Morales[1]: “as estruturas atuais de poder se dirigem não apenas para a produção de bens e serviços, mas de igual modo para a produção de sintaxes e signos que oferecem significados à experiência”. Essa sensibilidade domesticada trocará de carro tanto quanto for possível, manterá seus celulares sempre up to date e doará algum trocada para uma ONG que se compromete com o replantio de arvores em alguma zona desmatada.

            O tão propalado “desenvolvimento sustentável” casa duas palavras cuja ideia vem expressar uma alternativa pretensamente POSSIVEL para o desenvolvimento do consumismo, da vida para o consumo que vimos construindo. Desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que é capaz de aliar as forças produtivas, manejar a monstruosa soma de recursos hídricos, naturais e fósseis e impactar o meio ambiente na menor monta possível, reduzindo nossa pegada ecológica no planeta, garantindo a sobrevivência do sistema-mundo que emergiu com o colonialismo, com o industrialismo e o imperialismo, com o capitalismo financeiro e afins.

            Edgar Morin certa vez dissera que o desenvolvimento – este que fora outra coisa semelhante ao que hoje dá o ritmo da sociedade do consumo – era de fato uma ideia subdesenvolvida: subvertendo o sentido positivo do termo, somos indicados a uma perspectiva crítica que aponta para a insustentabilidade (negatividade) do padrão de desenvolvimento posto em prática pelas máquinas financeiro-estatais-coorporativas ao redor do globo. O pensamento único que toma conta das corporações midiáticas e capilarmente atravessa das telas para os lares, os PAC’s de todas as sociedades em franco “desenvolvimento” – e suas Belo Montes -, a corrida por esse “desenvolvimento”, pela renovação das frotas de veículos, pela “democratização” ostensiva de bens e serviços os mais diversos, todos estes movimentos calcados no processo de acumulação do capital estão incutidos hoje em nosso ideal de desenvolvimento, e mais: a um preço ambiental baixíssimo, insistem.

             Essa noção desenvolvimentista, encarnada inclusive por vários matizes esquerdistas, quer levar internet banda larga, persianas, serviços de ponta e autoestradas à todos os brasileiros, equiparando-nos com nossos conviveres norte-americanos e europeus, provando nosso desenvolvimento em um mundo então a beira da falência… Segundo Erik Assadourian extraímos anualmente 50% mais riquezas naturais (para produzirmos nosso estilo de vida e suas “necessidades” artificiais) do que há apenas 30 anos, numa escala em progressão geométrica que tende a irreversibilidade do fenômeno de superaquecimento global, apontam a ONU e os painéis globais.

*     *     *

            Um exemplo: no já referido artigo, as professoras Cabral & Morales se valem de um aparentemente trivial casório para alcançar uma noção geral de como nos inserimos neste contexto de crise ambiental. O casamento “ecológico” relatado por uma matéria do Estado de São Paulo, em março de 2011, no Caderno Cidades/Metrópole é mote para o raciocínio sociológico. À época, o futuro casal – uma empreendedora social e um engenheiro – propuseram um casamento inovador em termos ecológicos, seguinte à risca a cartilha da sustentabilidade: toda emissão de carbono diretamente promovida por conta do casório seria compensada pelo plantio de mudas de árvores e destinação de dinheiro a ONGs do setor (como a bem conhecida SOS Mata Atlântica). Um casamento-aula de educação ambiental. A noção que atravessa esse ritual com apelo ecológico é fundamentalmente a autossuficiência individual.

            O mundo prementemente social que habitamos produziu uma sensibilidade contraditória, que se pretende autônoma daquele mundo, e permite-se proclamar autossuficiente. Esse subterfúgio é acionado quando um dependente químico diz “ser capaz” de dominar a si próprio e fazer uso “consciente” da droga da qual depende e também quando acreditamos sermos capazes de individualmente salvar o planeta e sustentar a vida que vimos levando se, defensivamente, tomarmos medidas que estão ao nosso alcance…

            Uma enormidade de senhores ilustrados, ilustres ou não, dentro e fora da academia, tem alertado, se valendo das mais diversas mídias, que a “crise ambiental” é um dilema que não podemos enfrentar sem colocarmos em cheque nossa noção de “desenvolvimento” e sem colocar em suspeição noções paliativas, como que eufemismos para a crise, como a perspectiva de um “desenvolvimento sustentável”! Segue um conjunto de hiperlinks que dão a este texto uma leitura possível de acordo com a disponibilidade e intenção de seu leitor. É inocência acreditar que estas linhas tenham, para além de uma análise superficial e inconclusa, algum êxito real de convencimento e conformação de uma nova mentalidade afinada com uma perspectiva de oposição as definições acríticas de “desenvolvimento” e “sustentabilidade” senão comprovando que não falamos de um lugar isolado, e não estamos sozinhos com nossas ideias, bem como se não provarmos que não defendemos interesses particulares, corporativos, empresariais, ou meramente ideológicos, e sim, um bem comum: o direto a uma relação distinta com a natureza que garanta a produção e a reprodução da vida social dos mais diversos grupos sociais, etnias e populações em nosso morada, Terra.

 

Carta do Cacique Seattle (1855)

Documentário: Uma verdade mais que inconveniente (2011)

Documentário: A era da estupidez (2009), partes 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9.

Texto: Ascensão e queda das culturas do consumo (2010)


[1] A citação compõe o artigo A trágica sustentabilidade em um mundo sem transcendência, presente na org. de Mirian Claudia Lourenção Simonetti, chamada A (in)sustentabilidade do desenvolvimento. São Paulo – Cultura Acadêmica; Marília – Oficina Acadêmica, 2011.

O Consumismo e a Crise Ambiental: Como resolver tal dilema?

 Thaylizze Goes Nunes Pereira



Uma questão fundamental a ser analisada e discutida nos dias de hoje é a sociedade contemporânea que se baseia na produção e no consumo, ocasionando danos irreparáveis ao meio ambiente. A indiferença que o homem vem tratado o ambiente ao qual vive, tem trazido imensas alterações no planeta – algumas que jamais poderão ser recuperadas – levando-nos cada vez mais próximos a colapso entre o consumir e o destruir.

Esse processo de produção de massa iniciasse através da separação do homem entre cabeça e braços, onde o operário perde o controle os meios de produção, surgindo assim operários que atendessem a lógica esperada pelo sistema. Desta forma, inicia-se um serei de processos de reeducação do homem, por exemplo, o da disciplina imposta na escola, onde nessa a criança já aprende a cumprir horários e regras sem questiona-las, fazendo com que essa aprenda a obedecer à burocracia, fato que desde o inicio da vida fará o indivíduo ser desestimulado de sua autonomia. Esse ocorre com duas finalidades, à primeira para servirem de mão de obra, sustentando a segunda, que se desencadeou e denominamos de consumismo.

Temos que ter em mente que a sociedade de consumo só consegue se manter e desenvolver rapidamente graças ao signo que ela emprega nas mercadorias por ela produzida. Criando desta forma novas necessidades de consumo, desejo e compulsão à aquisição do novo, além de fazer com que nos sintamos insatisfeitos com os produtos ao qual já nos pertencem, esse fator alavancando ainda mais o desejo em comprar, em consumir. Aqui, podemos dizer que está constituído os pilares da manutenção da sociedade de consumo.

A cultura consumista está enraizada, e por isso não conseguimos mudar esse fato facilmente. Se quisermos mudar a forma de consumo na sociedade teremos que mudar a forma de pensar e cultura que ela vem desenvolvendo. A mídia através de seus meios de persuasão cria e deposita valores em mercadoria, criando consumidores de ilusões e fazendo com que as pessoas as adquiram achando que possuem – somente pelo simples falo de tê-lo – poder, status e felicidade.

Esse acelerado ritmo de consumo atribuído a nós é insustentável ao planeta causando inevitavelmente impactos ambientais catastróficos. Seguindo essa lógica, Brandsma, Erich H. & Eppel, Jeremy, nos enfatiza que nos últimos 45 anos, a economia global praticamente quintuplicou, levando por exemplos o consumo de papel crescer mais de seis vezes e o uso de combustíveis fósseis aumentarem em torno de quatro vezes, da mesma forma como que houve os aumentos do nível de emissões de CO2.

Uma vez que não houve um processo de interação sustentável entre a sociedade e natureza, colocamos como vilões dessa história a produção e o excesso de consumo, como sendo responsáveis pelas maiores agressões causadas ao meio ambiente. Nessa realidade que nos é apresentada onde o que se torna necessário e indispensável é consumir a “qualquer preço”, onde o excesso desse consumo e produção tem causado danos irreparáveis a nossa natureza.

A obsolescência das coisas torna o mundo ainda mais imaterial, onde as mercadorias são produzidas para consumos imediatos não importando dessa forma a durabilidade das mesmas e sim se essas estão de acordo com o que está sendo ditado pela moda do momento.

Com a incorporação da lógica do descarte, nossa sociedade alcançou seu mais alto grau de consumo da história, consumindo cada vez mais produtos em sua mais ampla diversidade e tudo isso de forma extremamente acelerada. Os danos dessa postura adotada todos conhecem, mas o que nos está posto é a liberdade de comprar; a necessidade de consumir e o desejo de ter o novo, assim, “compra-se hoje para substituir amanha.” (PEITROCOLLA, 1986, p.33), fazendo-nos parecer que estamos embutidos na “lei da selva”, em um processo que a reprodução do comprar é indispensável para a sobrevivência.

O desgaste da terra, em virtude principalmente do excesso de consumo já começa a nós mostrar que não podemos mais viver do mesmo modo como se vem vivendo. A chave de toda a destruição ambiental está no ato de querer lucrar mais e mais, se importando com seres humanos, florestas, rios. Nós seres humanos não levamos a serio a fato de estarmos destruindo a terra e não fazendo nada para protegê-la.

A nossa sociedade está em colapso, mas mesmo assim, não conseguimos fazer nada mais do que destruir, produzir e consumir. O governo deveria intervir de alguma forma com políticas de conscientização e de alerta aos danos que estamos causando ao planeta, mas seu papel na sociedade é e sempre foi outra, pois ele está do lado dos grandes causadores da destruição. Podemos observar esse fato bem claramente quando analisamos o interessa da bancada ruralista de nosso país, como exemplo desse fato pode-se observar as votações em torno do Novo Código Florestal.

Não será possível salvar o planeta se continuarmos com o mesmo modo de vida que possuímos, não existe sustentabilidade embasada nos atuais padrões de consumo. As ações do homem estão destruindo e transformando as funções naturais da terra e a mudança climática é apenas um dos muitos sintomas que o homem vem causando a Mãe Natureza.

Precisamos mudar a ideia de que somos donos dos recursos naturais, isso foi incorporado a nós e por isso achamos que eles estão no mundo para nos servir. Assim como os nativos deveríamos tratar o nosso meio ambiente como parte de nós, formando assim, um conjunto entre homem e natureza. Se faz necessário que o homem aprenda a tratam tudo como se fosse uma interação, sendo a Mãe Natureza um coração e nós apenas uma pequena parte do sangue que dentro dele percorre.

O Homem perdeu a sensibilidade, e não sabe mais o significado das coisas, não sabe distinguir o ar que respira, não sabe sequer de onde vem sua água, seu alimento e assim só destrói, aprisionado em um espírito de colonizador, destruindo tudo o que estiver no seu caminho por pura ganância, para conseguir o que desejam.

O homem e a natureza possuem uma ligação, tudo está interligado, e se algo não vai bem, tudo corre risco de desaparecer. A natureza sozinha se auto regula, mas com a presença do homem, ela não consegue, porque esse homem é forasteiro, ele é apenas predador. O homem é apenas mais um entre as demais espécies existentes, mas esse sozinho conseguiu destruir e condenar a existência dos demais. Ele não é o centro do mundo, é somente mais um fio de todo o tecido, e sofrera todas as consequências de seu mal trato a terra.

A nova sociedade é uma sociedade de massa, e os desastres ambientais são os preços pagos por nós, pelo nosso estilo de vida. Portanto, basta-nos esperar que a sociedade a qual estamos inseridos reflita arduamente sobre tudo ao qual esta a sua volta e qual foi o seu efetivo papel para essas transformações ocorrerem. Precisamos voltar à preferência pelo simples, porém essencial, buscando assim o tão sonhado respeito e equilíbrio entre homem e natureza.

 

 

 

 

Referências Bibliográficas.
ASSADOURIAN, Erik. Ascensão e Queda das Culturas de Consumo. In: Estado do Mundo, 2010: estado do consumo e o consumo sustentável. Worldwatch Institute; Salvador, BA: Uma Ed., 2010. 1ª edição

BRANDSMA, Erich H. & EPPEL, Jeremy. “Produção e consumo sustentáveis: um enfoque internacional”. In: Ribemboim, Jacques (org).  Mudando os Padrões de Produção e Consumo. IBAMA, 1997, pág 112.

BARBOSA, Lívia. Sociedade de Consumo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008

CAMPBELL, Colin; BARBOSA, Lívia (Org). Cultura consumo e identidade. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006, p. 7-88.

Carta do Cacique Seattle ao Presidente Norte-americano – Texto de domínio público distribuído pela ONU. 1854. Disponivel em: http://gentedanossaterra.com.br/chefe_seattle.html

Filme – A era da estupidez. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=OGhHg18JYQM

PIETROCOLLA, Luci Gati. O que todo cidadão precisa saber sobre sociedade de consumo. São Paulo: Global, 1986.

 

 

Mundo contemporâneo e a crise ambiental

Bruna Hermogenes de Lemos

 

Atualmente, é perceptível uma mobilização forte da população em torno das questões ambientais, mas isso ocorre em sua maioria nas redes sociais. Com certeza já é melhor do que se não houvesse mobilização alguma, porém até que ponto as pessoas estão realmente agindo da maneira que dizem? E de que maneira, além de “curtir” no facebook alguma reivindicação, estão agindo no cotidiano para apoiar a causa?

A cultura em que cada um foi criado é fator crucial para o modo de agir na sociedade, porém é possível implantar culturas distintas e valores diferentes nessas mesmas sociedades. O que está ocorrendo hoje em dia, é que fomos dominados pela cultura do dinheiro, de que quem tem mais bens é alguém melhor e mais importante, o que vale é o consumo.

No Brasil, ainda é possível acompanhar pessoas que vivem em uma realidade sustentável, algo que já é mais difícil nos Estados Unidos, por exemplo. As sociedades indígenas podem servir como um bom exemplo para as sociedades contemporâneas e já que pode ser implantada uma cultura que faz mal à vida da sociedade, acredito que possa ocorrer o inverso, mesmo isso levando muitos anos.

Seria utópico achar que é possível a sociedade contemporânea abrir mão deste modo de vida em sua totalidade. No texto “Ascensão e Queda das Culturas de Consumo”, Erik Assadourian diz que “pedir às pessoas que vivem em sociedades de consumo que restrinjam o consumo é o mesmo que lhes pedir para parar de respirar – elas conseguem fazê-lo por um momento, mas depois, arquejando, inalarão ar outra vez. Dirigir carros, andar de avião, ter casas grandes, usar ar condicionado… não se trata de escolhas decadentes, mas simplesmente de elementos naturais da vida – pelo menos, de acordo com as normas culturais presentes em um número crescente de culturas de consumo no mundo todo.” Portanto, pedir para que, por exemplo, todos comecem a pensar do mesmo modo que um índio é impossível. Porém, a conjuntura em que estamos inseridos chegou ao ponto máximo e essas culturas consumidoras precisam ser alteradas de alguma maneira. Uma cultura sustentável precisa substituí-las e as sociedades que conseguem em meio a tanto consumismo utilizar boas práticas precisam ser exemplos de como é possível viver de maneira diferente, demonstrando como essa cultura de consumo foi totalmente implantada de décadas pra cá e é incentivada cada vez mais, principalmente pela mídia.

Na Carta do Cacique Seattle ao Presidente Norte-americano o cacique cita: “a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra.” É preciso que as sociedades se dêem conta disto e percebam que todo modo como já agiram e estão agindo nos dias de hoje, tem conseqüências para a própria sociedade e não só para os animais, para as florestas. Está absolutamente tudo interligado.

Cada sociedade observar as transformações que estão ocorrendo ao seu redor, se informando e descobrindo meios para transformar a cultura consumista, já terá grande impacto. O Brasil está passando por vários debates sobre a Amazônia, Belo Monte, entre outros. É necessário que todos os brasileiros estejam inseridos nesses debates e possam opinar em como deve seguir a sociedade a qual fazem parte, seguindo as linhas consumistas crescentes ou sustentavelmente.