Archive for the ‘Direitos humanos’ Category

“Getulina, meu amor” é escolhido Melhor Filme

A I MOSTRA Universitária de Cinema da Unesp terminou na noite da última terça-feira, abrindo um novo leque de opções em torno da sétima arte em Marília

O curta “Getulina, meu amor” com direção de Mirian Simonetti e Robson Janes foi eleito o Melhor Filme da competitiva.

Filmado em 1994, o curta metra­gem de oito minutos, mostra o im­pacto da retirada de 2500 famílias Sem Terra da Fazenda Macuco em Getulina, em 1993.

“Apesar de já ter sido produzido há bastante tempo, nunca havia inscrito-o antes em nenhum outro festival. Foi uma surpresa conquis­tar o prêmio de Melhor Filme”, des­taca a professora Mirian Simonetti, que completa: “O filme mostra a retirada daquelas famílias do acam­pamento. Foi uma logística incrível criada pelo governo, que reuniu policiais masculinos e femininos que chegavam em carros, helicóp­teros e cavalos”.

Recentemente, a aluna Mirian se baseou no curta para uma tese na pós-graduação.

“Esta aluna pegou o vídeo, o di­gitalizou e passou para a internet; alguns alunos viram e inscreveram o vídeo na Mostra. Costumo dizer, que o ‘Getulina, meu amor’ teve vida própria, é como se ele preci­sasse aparecer”, afirma.

A ideia da I Mostra Universitária de Cinema da Unesp surgiu com o objetivo de fomentar a produção e a difusão de obras audiovisuais de alunos e professores da entidade.

Reportagem primeiramente veiculada no” Jornal Correio Mariliense”. Para ler sua íntegra, clique aqui.

Assista o “Getulina, meu amor”, localizado abaixo:

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Qual o nexo entre as mortes de lavradores indefesos e a revisão do Código Florestal aprovada no Congresso Nacional?

Mirian Claudia Lourenção Simonetti

 

Existe, sim, um nexo efetivo entre a votação do Código Florestal e os novos assassinatos de trabalhadores rurais. Não adianta negar. Por mais que cause irritação em setores do governo, nos donos do agronegócio e nos políticos que lhes prestam serviço no parlamento brasileiro, tal vínculo existe. É ele, aliás, que explica também o surto atual de crescimento das áreas desmatadas. Quem aperta o gatilho, claro, é um pistoleiro de aluguel. Mata, arranca a orelha para provar a execução do serviço, recebe o pagamento do mandante e fica escondido a espera de novas encomendas. Pistolagem, grileiros, contrabando de madeira de lei, desmatamento ilegal, entre outras, são violências antigas no campo brasileiro. Variam de intensidade a depender das demandas econômicas das relações de forças na política. Os que assassinam opositores e destroem florestas estão certos da impunidade, e se imaginam respaldados de cima.

O método do arrastão com correntes entre tratores abre clareiras quilométricas. Por sua ostensiva visibilidade, só é praticado quando se tem a absoluta certeza da impunidade. O mesmo acontece com o assassinato de trabalhadores com militância ambiental. Trata-se de recado para sinalizar posição de mando, intimidar, definir quem reina no pedaço. Sem garantia de impunidade, seria um tiro pela culatra. São crimes conexos e articulados ao descalabro do Código Florestal. Quando os conservadores ostentam maioria em cima, os que barbarizam na base acham que podem tudo.

Os homens do agronegócio tem maioria no congresso. São 160 congressistas ligados ao agronegócio, que junto com os empresários e industriais, que são ao todo 273, formam um total 433 congressistas. A corporação dos ruralistas hegemoniza um espantoso arco de alianças. Os maiores partidos da mal chamada oposição, PSDB e DEM, votaram com eles. A maioria da base de apoio do governo, o PMDB unido e boa parte do PT, também. Vale ressaltar, para espanto de alguns, o papel desempenhado no processo pelos ex-comunistas do PC do B. O deputado Aldo Rabelo, com seu semblante de jagunço, foi o relator da matéria e assumiu a condição de grande timoneiro da proposta conservadora. Segundo as más línguas, ele operou, na linha chinesa, como bom discípulo de Deng Xiaoping: “não importa a cor do gato, importa é que ele financia campanha…”.

O governo, atordoado pelo descontrole total de sua base, reagiu como quem ainda não sabe o que fazer. Formou grupo interministerial, criou comissões. Michel Temer, o vice em exercício, antigo mordomo que agora dá cartas, requentou velhos programas e liberou grana parca para pequenos deslocamentos burocráticos. Quantia ridícula, que não paga palestra do Lula, nem consultoria do Palocci. Maria do Rosário, responsável pelos direitos humanos, disse que não pode garantir segurança sequer para um terço da lista dos ameaçados de morte. Os marcados para morrer que se cuidem, pois a alma do governo está empenhada ao agronegócio desde os governos Lula da Silva. Como afirmou o advogado da Comissão Pastoral da José Batista Afonso, “o governo desde o início optou por acordo com setores ligados ao agronegócio para garantir a governabilidade e abriu mão de implementar políticas públicas que contrariassem esses interesses”. Tratados a pão de Ló os herdeiros da violência secular do latifúndio vão continuar matando.

Donatário de capitania, senhor de engenho, latifundiário, grande fazendeiro, ruralista, os nomes mudam, mas a mentalidade é a mesma. São tiranos, donos de gado e gente, portadores de uma arrogância consolidada em cinco séculos de latifúndio. Os debates sobre o Código, transmitidos ao vivo pela TV Câmara, atualizaram, ao vivo e em tempo real, esta triste realidade.

Palestra de José Cláudio Ribeiro Silva!

Essa palestra foi feita em novembro de 2010 por José Cláudio Ribeiro Silva, o ambientalista  assassinado juntamento com a sua esposa Maria do Espiríto Santo Silva no último dia 26/05. Confiram!

Mais do mesmo da tragédia em Realengo?

 

Alex Arbarotti

Pedro Meinberg Filho

 

 

O escritor uruguaio Eduardo Galeano disse: “Este mundo está armado assim: é um tecido de encontros e desencontros, de perdas e ganhos. E o melhor dos meus dias é o que ainda não vivi. E cada perda corresponde um encontro que ainda não tive”.

Realmente o ser humano é de uma potencialidade racional incrível. Tanto é que ele foi capaz de produzir de forma impressionante inovações tecnológicas inimaginadas, que ocorreram num ritmo frenético nos últimos tempos. O que se fez na última década não foi possível em séculos! De verdade houve êxito no projeto moderno de desenvolvimento tecnológico. Mas “isso que se chama desenvolvimento, crescimento, se ocupa de apequenar nossa alma” afirma Galeano. Os seres humanos se desencantaram com o mundo e passaram a viver um real aborrecido e vazio. O projeto moderno de homem inteligente, levado ao seu extremo êxito com a formação de um homem muitíssimo inteligente na realidade mais uma vez demonstra seu fracasso. A contemporaneidade constituiu na verdade um homem demente.

Nesse sentido, o massacre ocorrido no Rio de Janeiro no último dia 7 chama atenção. A pressão por um mínimo rendimento escolar e posteriormente um bom emprego, a coação por conquistar belas namoradas e sustentar oportunas amizades, a frustação de conviver em um lar desestruturado em comparação com o padrão de uma família “normal”, cedo ou tarde levaram esse jovem a dar um basta nesse meio hostil que nunca fora sua morada. Como também não sabia para onde ir, resolveu pegar uma arma e sair atirando contra adolescentes da ex escola. Os adolescentes eram o alvo, talvez numa tentativa de vingança pela hostilidade de um meio que nunca o entendeu… Talvez uma chance de mostrar para todos a raridade de pessoa que era e sua potencialidade, porém, nunca ninguém quis pagar para ver e deu no que deu.

Propomos aqui outra visão daquela que vem sendo vinculada exaustivamente pela mídia, sustentada pela psiquiatria e psicologia forense tradicional. Visões que compreendem os indivíduos, independentemente das influências de seu meio social, com predisposições à “anormalidade” e a cometer crimes hediondos. A mesma sociedade que garante aprimoradas tecnologias não é capaz de proporcionar apuradas relações entre os indivíduos em vida coletiva. A atualidade produz um tipo de homem estático, acomodado, imobilizado e acima de tudo confuso e delirante. Assim, se não paramos de dar preferência a desenvolvimentos tecnológicos e não nos preocuparmos com o aprimoramento da humanidade enquanto seres que devem se respeitar em sua diversidade de raças, etnias, gêneros, opções sexuais e demais outras infinitas possibilidades de ser humano, ainda teremos que ficar chocados diante de mortes gratuitas. Esta última é de comoção nacional e internacional, mas quantas outras mortes ocorrem todos os dias ocultamente e silenciosamente, longe da grande mídia?

É necessária uma reeducação no olhar para perceber a alteridade humana, ou mesmo as pequenas diferenças na pessoa ao lado, enquanto uma possibilidade de também ser humano. O sujeito pode ser tímido, com poucas palavras, isolado, mas precisamos reestruturar nossas instituições e diminuir nossos preconceitos para alcançar pessoas que apresentam um comportamento “diferente”: saber o que elas pensam, o que entendem do mundo e o que esperam dele, perguntar sobre os seus possíveis, seus desejos, respeitando a peculiaridade de cada modo de ser e, quem sabe, evitar de pequenos bullyings à tragédias como esta. Mas nesta vida é tanta informação, tantas regras e posturas naturalizadas que o diferente passa todos os dias diante de nós e o desconsideramos – ou pior, zombamos da diferença.

Fato triste e lamentável, mas não o primeiro e infelizmente não o último. Estamos criando nossa destruição? Estamos à beira do fim, mas não no fim, então as palavras de Eduardo Galeano ainda nos dá alento: “A persistência humana nesta mania, às vezes inexplicável de lutar por um mundo que seja a casa de todos e não de pouquinhos e o inferno da maioria. Afinal somos muitíssimos mais do que dizem que somos!”.

 

“Objeto Água”!!!

Thaylizze Pereira

 

No ultimo dia 22 se comemorou o dia mundial da água, esse dia foi criado pela Organização das Nações Unidas – ONU em 1993 com o intuito de ser um dia voltado a discussão sobre os diversos temas relacionadas a água, criando assim um momento de reflexão, conscientização e também elaboração de medidas tentando sanar tais problemas ligados a ela, ou melhor dizendo a falta dela. Vale relembrar que somente 0,008%, do total da água existente no nosso planeta é potável.

Esse dia é um marco internacional onde se tenta chamar a atenção da sociedade para a conservação da água, sendo assim, o Dia Mundial da Água 2011 teve como tema – esse escolhido pela ONU – “Água para as Cidades: respondendo o desafio urbano”. Com esse tema, o foco de atenção foi voltado para os impactos do crescimento urbano e da industrialização; catástrofes e conflitos naturais que ocorreram nos sistemas urbanos em virtude da água; as mudanças climáticas e seus impactos no nosso dia-a-dia,entre outras. O objetivo desse tema seria estimular ação de governos, organizações, comunidades e indivíduos para se pensar soluções de crescimento sustentável e não desenfreado como temos visto.

Um dos motivos desse tema, é que pela primeira vez na história da humanidade a maior fatia da população vive em cidades, cerca de 3.3 bilhões de pessoas. Assim, nodia 22 de março de 2011, as Nações Unidas lançaram um relatório e nele podemos observar que a rápida urbanização das ultimas cinco décadas está mudando por exemplo o cenário do continente africano e causando problemas quando se trata abastecimento de água e serviços de saneamento. Esse relatório da ONU nos oferece dados de varias cidades do continente, onde encontramos disparidade entre o nível de urbanização e à infraestrutura adequada de água e saneamento.

“Esses são fatos preocupantes que precisam ser tratados ao passo que as nações se preparam para a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável de 2012”, declarou o Subsecretário Geral da ONU e Diretor-Executivo do PNUMA, Achim Steiner. “Os estudos em Economia Verde mostram evidências de que um caminho diferente em termos de recursos hídricos e saneamento básico deve começar a ser considerado”, relata.

O Diretor-Executivo da ONU-HABITAT, Dr. Joan Clos, afirmou que “este relatório não poderia ter vindo em um momento mais oportuno. A África é o continente que sofre urbanização mais rápida e a demanda por água e saneamento está excedendo a oferta nas cidades. Conforme as cidades se expandem, deve-se melhorar o planejamento e manejo urbano para prover acesso universal tanto à água quanto a serviços básicos e garantir, ao mesmo tempo, que as cidades se tornem mais resilientes aos efeitos crescentes da mudança do clima”.
A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação – FAO também identificou países que possuem demanda por água maior que sua oferta natural. No topo da lista está a península árabe, onde a demanda excede 500% a disponibilidade na região. O norte da África já citado acima também só conseguiu suprir a necessidade de metade da demanda de água doce que o país consome.

Vale ressaltar aqui que a erradicação de fontes de água doce não está necessariamente ligada aos lugares mais secos, e sim a regiões com o maior percentual da população global. A água potável acaba por se tornar para grande parte da população mundial um desafio diário.

http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/2455-dia-mundial-da-gua#foto-48228

Esse grande problema da falta de água servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para esta questão, entretanto parece que para nós – principalmente moradores do estado de São Paulo – algo distante, pois já relativizamos a compra de galões de água mineral e só percebemos o quão é necessário o “objeto água” quando abrimos a torneira e é dia de racionamento !!!

Fontes:

http://www1.folha.uol.com.br/bbc/892176-no-dia-mundial-da-agua-fotos-mostram-disparidades-no-consumo.shtml

http://www.diamundialdaagua.net/

http://www.portaldomeioambiente.org.br/agua-e-esgoto/6799-dia-mundial-da-agua-2011.html

http://www.ecodesenvolvimento.org.br/dia-mundial-da-agua-2011

Imagens:

1- http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.diariodeumjuiz.com/wp-content/uploads/2007.12/

2- http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/2455-dia-mundial-da-gua#foto-48228

Dia Internacional da Mulher, O que comemorar?

Cassia Lussani

Thaylizze Pereira

No dia 08 de março se comemora o Dia Internacional da Mulher, mas o que temos a comemorar? Em 1857, mulheres trabalhadoras de uma fábrica em Nova Iorque entraram em greve e ocuparam a fábrica para reivindicarem melhores condições de trabalho e salário igualitário aos dos homens, pois bem, essas foram trancadas e a fábrica incendiada e cerca de 130 mulheres morreram queimadas nesse episódio. Assim, decidiu-se homenagear aquelas mulheres e comemorar aquela data como sendo o dia Internacional da Mulher.

O dia Internacional da Mulher surge a favor de um movimento de emancipação. Porem, vemos esse ideal se perder com a passar dos anos, se tornando um dia em que mulheres ganham rosas expressando o quão frágeis são ou, então, presentes para as mesmas administrarem melhor o seu lar. Ora, de qual emancipação estamos falando? Acreditamos que a verdadeira essência desse dia já se perdeu em meio às felicitações de mais uma data comemorativa e precisamos refletir a quem está servindo o dia 08 de março. Ele está sendo um momento para analisar o papel da mulher trabalhadora urbana, trabalhadora rural, da mulher que rege sozinha a casa e os filhos? Estamos usando esse espaço para nos preocupar com as políticas públicas voltadas para esse gênero? É uma data que deve ser mesmo comemorada tendo em vista que é o dia de um homicídio coletivo? Estamos comemorando um dia em que os gritos e os protestos de mulheres trabalhadoras foram sufocados com fogo.

Em virtude disso, a UNESP Marília realizaram nos dias 29, 30 e 31 de março de 2011 a X Semana da Mulher: “Educação, gênero e movimentos sociais”, tendo como objetivo debater estudos sobre a temática da mulher e das relações sociais que permeiam a temática.

O evento pretende refletir entre outras coisas, quais foram os avanços de direitos adquiridos pelas mulheres na sociedade, sem perder de vista a diversidade do ser mulher. Aprofundando assim o debate sobre mulheres tanto relacionados aos movimentos sociais, quanto sobre os estudos de gênero, não desvencilhando o papel da educação como sendo fonte de superação das discriminações e preconceitos sofridos pelas mulheres.

Eixos temáticos como, Políticas públicas para mulheres no Brasil; Mulher rural e educação; Mulher e política; Educação, gênero e movimentos sociais, são de primordial importância para entendermos a nossa sociedade e o papel da mulher inserida nela. Pensando qual o espaço atribuído a mulher na sociedade.

Venham participar conosco dessas discussões!

X SEMANA DA MULHER
“Educação, gênero e movimentos sociais”
Período: de 29/03/2011 a 31/03/2011
Local: FFC UNESP de Marília

Para maiores informações acessem: http://www.marilia.unesp.br/index.phpCodigoMenu=7079&CodigoOpcao=7080

Ecologicamente humano!

Alex Arbarotti

 

A questão da preservação do planeta está atualmente na ordem do dia. A todo momento recebemos informações sobre ser “ecologicamente correto”. Estudos e mais estudos dizem sobre os limites dos bens naturais e as consequências que os seres humanos irão sofrer. A terra grita a sua exploração exacerbada.

Mas a terra grita também por ser banhada pelo sangue de homens e mulheres que lutavam por um mundo livre da opressão. Homens e mulheres que perderam a vida em busca de uma vida digna. Homens e mulheres que tombaram na luta. Homens e mulheres que adubaram a terra com seu sangue.    

Temos hoje as vitimas das catástrofes naturais e acima de tudo as vitimas da calamidade humana. Todos os anos são inúmeras as vitimas por conflitos no campo. E quase todas impunes. Vitimas do interesse do grande capital e em favor de alguns poucos.

Estamos vivendo não só um problema ecológico, mas acima de tudo humano. Devemos ir além do “ecologicamente correto” e buscar ser ecologicamente humano. Para salvarmos o planeta é imperativo que salvemos a humanidade em todas as suas formas de vida.

A todos os mártires da terra!

  

Veja também:

Os Mátires da terra

Conflitos no campo