Archive for the ‘CPEA’ Category

As flores do campo.

Hoje dia 8 de março é celebrado o dia internacional da mulher, o CPEA gostaria de dedicar essa postagem a todas as mulheres,em especial, as mulheres do assentamento Reunidas que são exemplo da resistência das mulheres no campo. O vídeo abaixo mostra a organização de mulheres Flores do campo, gostaríamos de deixar este poema como uma singela homenagem a elas.

O Cântico da Terra

Cora Coralina

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

 

 

 

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Os ajustes fiscais e seus impactos no campo.

MST imagem post 03-03-16

 

Ontem, terça-feira (2), lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) convocaram a imprensa para  uma entrevista coletiva (Confira a entrevista na integra no site do MST) onde apresentaram um balanço político do movimento do ano de 2015, e as perspectivas para o ano de 2016. Na entrevista coletiva, afirmaram que não houve nenhuma conquista integral na agenda de reforma agrária, e acentuaram que:  “2015 Foi um ano perdido para a Reforma Agrária”. O maior inimigo do movimento foram os ajustes fiscais que atingiram em cheio o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), dos programas que mais sofreram cortes em 2015, como mostra levantamento do jornal O Estado de São Paulo, com base em dados do Orçamento da União estão:

- Luz Para Todos: Programa lançado em 2003, que visava beneficiar o contingente de dois milhões de famílias no meio rural brasileiro que vivia sem energia elétrica. Foram investidos R$ 22,7 bilhões nas obras do Programa Luz para Todos, sendo R$ 16,8 bilhões do governo federal e o restante com recursos dos governos estaduais e das distribuidoras de energia. A previsão do programa era de que até 2018 mais 1 milhão de pessoas seriam beneficiadas, o que pode não ocorrer já que o governo vem aplicando os cortes.

- Pronaf: Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar financia projetos individuais ou coletivos que geram renda aos agricultores familiares e assentados da reforma agrária, possuindo baixas taxas de juros dos financiamentos rurais. Assim como o programa Brasil Sorridente e o Bolsa Família, recebeu mais dinheiro em 2015 comparado ao ano anterior, mas o valor também está abaixo da inflação, ou seja, perdeu investimento.

- Pronatec: Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego previa o aumento dos cursos técnicos e profissionalizantes para a juventude ingressar no mercado de trabalho. Em junho de 2015, o governo anunciou o corte de cerca de 2 milhões de vagas neste programa, cerca de 66% a menos de vagas em relação ao ano anterior. Em 2015 foram abertas um milhão de vagas, enquanto que em 2014 foram cerca de 3 milhões. O programa foi um dos principais eixos de campanha da presidente Dilma, ligado a política que o governo tentou vender de “pátria educadora”, mas que segue não conseguindo. No Orçamento aprovado em dezembro de 2015, o Pronatec caiu 44% em investimento em relação ao ano anterior.

A Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) afirma que em estados como São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná, o governo não renovou contratos de fornecimento de alimentos este ano, tampouco informou aos produtores com antecedência que o programa sofreria cortes.Somado a esse cenário de redução dos investimentos e corte de verbas vem a negligência do governo em alternativas efetivas, o que prejudica a vida de quem sobrevive com os programas sociais, entre eles, produtores rurais.

Em 2016 o cenário não é diferente, o governo já divulgou que, frente a crise, serão necessários novos ajustes fiscais, entretanto, o MST também já começou a se mobilizar, houve somente no começo deste ano diversas ocupações em sedes do INCRA por todo o país.

8º Congresso de Extensão Universitária da UNESP

O Congresso de Extensão Universitária da UNESP visa compartilhar com a sociedade paulista uma parte das nossas melhores práticas extensionistas no sentido da ampliação da troca de conhecimentos e saberes sistematizados entre a Universidade, a Comunidade e as diversas esferas do poder público, visando assim otimizar a efetividade da transferência de conhecimentos disponíveis no meio acadêmico à sociedade. E foi realizado a 8º edição quinta-feira dia (01/10) nas Unidades Universitárias em: Araçatuba, Araraquara, Assis, Bauru, Botucatu, Franca, Guaratinguetá, Ilha Solteira, Jaboticabal, Marília, Presidente Prudente, Rio Claro, São José do Rio Preto, São José dos Campos e São Paulo. E  nos Campus Experimentais: Dracena, Itapeva, Ourinhos, Registro, Rosana, São João da Boa Vista, Sorocaba e Tupã. Os trabalhos puderam ser inscritos via SITE DO EVENTO e deveriam ser inseridos em três diferentes eixos:

 

Eixo 1 – “Direitos, Responsabilidades e Expressões para o Exercício da Cidadania” (inclui as áreas de: Comunicação, Cultura, Direitos  Humanos, Educação, Política e Economia).

Eixo 2 – “Os Valores para Teorias e Práticas Vitais” (inclui as áreas de: Meio Ambiente, Saúde e Ciências Agrárias e veterinárias)

Eixo 3 – “Novas Tecnologias: Perspectivas e Desafios” (inclui as áreas de: Tecnologia, Trabalho, Espaços Construídos, Geração de Renda e Tecnologia Social)

A organização dos 3 eixos temáticos teve como modelo o II Congresso da AUGM.

 

 O CPEA ganhou com o trabalho “Possibilidades para o uso do audiovisual como ferramenta pedagógica em assentamentos rurais” dentro da temática 2. Os trabalhos premiados em todas as unidades podem ser consultados AQUI.

 

Assentamentos de reforma agrária: oportunidade/possibilidade para as novas gerações.

Foto de Edson Silva/Folhapress

Foto de Edson Silva/Folhapress

Alex Arbarotti

Mestrando Sociologia UFSCar/Bolsista FAPESP

Muitas vezes os assentamentos de reforma agrária são questionados sobre sua viabilidade no sentido de não proporcionarem sustento nem mesmo às famílias que neles moram. Entretanto, a despeito das informações deprecativas e da sistemática diminuição de investimentos do poder público nesses projetos de assentamentos eles veem se demonstrando como local de produtividade e oportunidade/possibilidade para as novas gerações como noticiado em duas reportagens da Folha de São Paulo.

A primeira reportagem afirma que o movimento de retorno ao campo é perceptível em todo país nos últimos anos[i]. E a segunda reportagem traz à cena a realidade de retorno de filhos e netos de assentados da cidade para os assentamentos[ii].

Na primeira reportagem Vera Botta Ferrante afirma que a volta do jovem, e em alguns casos os que permaneceram, contribui para trazer novas ideias, nesse sentido ela traz o caso de um rapaz que queria montar uma gráfica para produzir rótulos dos pães e bolos produzidos no Assentamento Bela Vista na cidade de Araraquara – SP.

Bernardo Mançano Fernandes afirma, na segunda reportagem, que a volta das novas gerações tem ocorrido em assentamentos de todo país. Segundo ele isso ocorre como resultado do alto custo de vida nas cidades e em contrapartida o aumento da infraestrutura nos assentamentos, bem como as políticas públicas de incentivo a agricultura familiar.

É nesse sentido que Elisa Guaraná Castro (2008) diz que os estudos sobre juventude no campo deve superar a categoria ficar e sair como uma categoria concreta ou um movimento definitivo dos jovens, pois essas abordagens acabam não percebendo outros elementos nas múltiplas formas de vivencias que são apresentadas na dinâmica social destes jovens e as novas formas de se relacionarem com a terra. Isso é importante, porque como visto na reportagem é cada mais recorrente encontrar jovens, filhos e netos de assentados, que vem afirmando que querem assumir o projeto de assentamento, mas em uma nova perspectiva, realizando um reordenamento da imagem e do dito ethos do camponês tradicional (CASTRO, 2008).

Assim, é possível afirmar que os assentamentos são espaços de oportunidade/possibilidade para as novas gerações em relação às representações de múltiplos vividos e construções de identidades e subjetividades em um processo de construção de sentidos individuais, coletivos, culturais e históricos na criação e recriação cotidiana (MARTINS, 2010). Entretanto ainda faltam políticas públicas sérias e investimentos para que esses espaços possam se tornar cada vez mais espaços de trabalho digno, moradia boa e produção rentável e sustentável.

 

Referências

CASTRO, E. G. As jovens rurais e a reprodução social das hierarquias: relações de gênero em assentamentos rurais. In: FERRANTE, V. L. B. WHITAKER, C. A. (org) Reforma agrária e desenvolvimento: desafios e rumos da política de assentamentos rurais. São Paulo: UNIARA, 2008.

MARTINS, J. S. A sociabilidade do homem simples: cotidiano e história na modernidade anômala. São Paulo: Contexto, 2010.

_________

[i] “Movimento de retorno ao campo se repete no país, afirma docente”. Folha de São Paulo. 17 de novembro de 2012. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/ribeiraopreto/1186862-movimento-de-retorno-ao-campo-se-repete-no-pais-afirma-docente.shtml

[ii] “Filhos e netos de sem-terra deixam cidade e voltam para o campo”. Folha de São Paulo. 17 de novembro de 2012. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/ribeiraopreto/1186860-filhos-e-netos-de-sem-terra-deixam-cidade-e-voltam-para-o-campo.shtml

O Campesinato Enquanto Significado Moral: Aproximações à Klass Woortmann.

       Bruno Lacerra¹

Para Woortmann² as análises do campesinato que pensam o modo de produção agrário decorrente do modo de produção feudal e estruturalmente subordinado ao modo de produção hegemônico do capital, corroboram para uma visão economicista da construção do campo, pensando sistematicamente em um “homo economicus”. Para o autor deixar a observação dos aspectos econômicos e partir para uma empreitada analítica da existência de uma ética no campo, significa observar a subjetividade do ser social, entendendo os significados das ações dos indivíduos forjadas por uma moral constituinte da ética compartilhada pelo campesinato.

A perspectiva do significado de cultura enquanto valor moral, assim como demonstra o autor, não exclui a análise do campo enquanto fator econômico, mas ao mesmo tempo, sugere que o “homo economicus” e o “homo moralis” constituem um mesmo sujeito que não pode ser pensado somente por uma perspectiva teórica.

A interpretação do autor acerca da condição do campesinato se dá a partir da análise do discurso desses camponeses, com o intuito de que o próprio ser social se coloque como tal, e que não somente o cientista interprete e dê significado a eles, constituindo um objeto fruto de uma abstração de seu olhar. Na perspectiva desses camponeses, a terra não é vista como um objeto (fator de produção), mas como a expressão de uma moral, representada no contexto por valores éticos.

A moral campesina é constituída então por um conjunto de valores que para o autor são:

       Terra/ Trabalho/Família/Liberdade

Na análise empreendida acerca do discurso dos referidos camponeses, a terra é percebida enquanto um patrimônio de onde se retira o fruto do trabalho, que garante o sustento da família e das próximas gerações. O trabalho por sua vez, se constitui na integração da força (de trabalho) familiar, elemento que garante a alimentação de todos os integrantes da família, que é entendida, além de uma unidade de produção, também como núcleo que dá base para uma organicidade social camponesa, elemento estruturante, socializador de seus integrantes. O valor “liberdade” é atribuído ao fato de não se sujeitar ao outro, ao ritmo ou às condições de trabalho de outrem, nesse aspecto, possuir um pedaço de terra retira o camponês da condição de assalariado, da sujeição, da humilhação, do cativeiro que se estabelece quando não se possui liberdade.

Esses valores morais que conduzem a ação e orientam fins e estratégias para promover a manutenção da vida campesina são compartilhados pelos camponeses em maior ou menor grau dependendo do tempo e do espaço, constituindo um “ethos” camponês. Nesse sentido relativo da formação do “ethos” camponês o agricultor pode ter uma concepção dupla da realidade tendendo a ética campesina ou à concepção mercadológica (capitalista).

Exemplo:

“Um camponês recobrir o sitio de pasto com o intuito de valoriza-lo no mercado de terras podendo assim comprar mais terras e ter o que deixar para seus filhos”.

Nesse caso, o camponês opera em uma lógica empresarial, na medida em que valoriza o seu meio de produção para conseguir mais terras, mas com o intuito moral ao ponto que busca a manutenção de sua família no campo. O autor indica que práticas aparentemente semelhantes podem ter motivações diferentes, motivações econômicas ou motivações de ordem tradicional³.

A ação camponesa em uma perspectiva de produção para o mercado não significa em si uma modernização no plano dos valores, ou seja, o camponês pode produzir para o mercado com o intuito de se manter no campo observando a terra como um patrimônio da família, sendo assim, esse camponês está ligado a terra na medida em que ela expressa o valor família.

Woortmann ressalta que nas relações sociais objetivas cotidianas, essas representações valorativas campesinas podem encontrar-se adormecidas ou naturalizadas, mas que, podem se transformar em “projeto” (fator de união) em momentos de crise frente às condições de exploração do capital. Nesse contexto a reconstrução de uma ordem tradicional se apresenta como um projeto de mudança.

A partir desse raciocínio podemos entender que a tradição é um meio de sobreviver às grandes transformações, nas palavras do autor, “a tradição, então, não é o passado que sobrevive no presente, mas o passado que, no presente, constrói as possibilidades de futuro”.

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1. Bruno Lacerra é graduando em Ciências Sociais, Unesp-Marília. Membro do Grupo de Estudos Pensamento Político Brasileiro e Latino-Americano, Bolsista do projeto Tela Crítica e colaborador do Centro de Estudos e Pesquisas Agrárias CPEA, Unesp – Campus Marília – SP.

2. Klass Woortmann possui graduação em Geografia e História pela UFRJ (1956), mestrado em Sociologia pela Universidade Federal da Bahia (1969) e doutorado em Antropologia Social e Cultural – Harvard University (1975). É professor titular aposentado do Departamento de Antropologia da UN B. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Teoria Antropológica, campesinato, família, parentesco e patrimônio.

3. Exemplo: O posseiro, movido pela racionalidade economicista (razão econômica) invade terras com o intuito de capitalizar mais recursos, esse episódio se diferencia de uma ocupação de terras pelos filhos de colonos que buscam “restaurar uma tradição centrada na família e no parentesco” na medida em que ela é motivada por razões de ordem da tradição. Nesse ultimo caso se subverte a ordem econômica para reinstalar a ordem moral.

Referência Bibliográfica:

WOORTMANN, K. Com parente não se neguceia. O campesinato como ordem moral. Brasília: Editora Universitária de Brasília/Tempo Brasileiro, 1990. ( Anuário Antropológico/87)

Pesquisa de opinião pública: movimentos sociais e reforma agrária

No mês de abril desse ano, foi publicado no Boletim DATALUTA, uma publicação do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária – NERA, o artigo “Pesquisa de opinião pública: movimentos sociais e reforma agrária”.

“Este texto é parte de uma pesquisa mais ampla denominada “Territorialidades em tensão: movimentos sociais, agronegócio e políticas de reforma agrária no Brasil entre 1985 a 2010”, que objetiva analisar o processo de formulação e execução das políticas de reforma agrária nos governos Lula da Silva, tendo por referência os governos Sarney e FHC.
Como parte da análise das territorialidades em tensão no campo brasileiro, resgatamos a pesquisa de opinião pública contratada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil(CNA) junto ao Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE). Essa pesquisa, realizada em novembro de 2009, objetivou uma “Pesquisa de Opinião Pública sobre a Atual Imagem dos Movimentos Nacionais”. A análise dos dados da pesquisa funcionou como um Leitmotiv para a problematização da tensão das  territorialidades que envolvem os protagonistas ligados a reforma agrária.
Com o objetivo de confrontar os dados do IBOPE/CNA realizamos, entre os dias 31 de janeiro a 09 de fevereiro de 2011, a “Pesquisa de Opinião Pública sobre a Reforma Agrária nas cidades de Marília e Presidente Prudente”. A escolha dessas cidades deveu-se a similaridade das mesmas, ambas de porte médio, centros regionais e com o mesmo perfil populacional. Nossa hipótese inicial é que haveria diferença com relação à percepção sobre os movimentos sociais visto que Presidente Prudente se localiza em uma região (Pontal do Paranapanema) com maior incidência de conflitos pela terra…”

Acesse o texto na íntegra clicando aqui!

Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária 2012

Thaylizze Pereira

Extraído de http://www.mst.org.br/node/13175

EM MEMÓRIA DOS MORTOS NO MASSACRE DE ELDORADO DOS CARAJÁS

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A jornada de lutas é realizada em memória aos 21 companheiros assassinados (19 morreram na hora no local) no Massacre de Eldorado de Carajás, em operação da Polícia Militar, no município de Eldorado dos Carajás, no Pará, no dia 17 de abril de 1996, que se tornou oficialmente o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária. Depois de 16 anos de um massacre de repercussão internacional, ninguém foi preso e o país ainda não resolveu os problemas da pobreza no campo nem acabou com o latifúndio, que continua promovendo diversos atos de violência.

MST faz protestos em 17 estados por Reforma Agrária e justiça

O MST realiza uma série de protestos na Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, nesta segunda-feira (16), para cobrar a realização da Reforma Agrária e pela punição dos responsáveis pela morte de 21 trabalhadores rurais assassinados no Massacre de Eldorado dos Carajás, em operação da Polícia Militar, no Pará, em 1996.

Já foram realizados protestos em 17 estados e em Brasília, somando 38 ocupações de terra, nove ocupações de sedes do Incra, cinco protestos em prédios públicos, além de trancamentos de estradas e criação de acampamentos nas cidades.

Em Brasília, cerca de 1500 trabalhadores rurais do MST ocuparam o Ministério do Desenvolvimento Agrária (MDA) em Brasília, para denunciar a estagnação da Reforma Agrária e a diminuição de investimentos em desapropriações de terras no país por parte do governo federal.

Em Pernambuco, os Sem Terra já ocuparam seis fazendas improdutivas. Nesta segunda, cerca de 300 famílias ocuparam a fazenda Amargoso, no município de Bom Conselho, agreste do estado, e a fazenda Condado, no município de São Bento do Una.

Na Bahia, cerca de 3 mil integrantes dos movimentos sociais do campo, como o MST, montaram acampamento, na manhã desta segunda-feira, na frente da sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador. O MST já ocupou 24 fazendas na Bahia, desde o começo do mês de abril. Foram ocupações no Extremo Sul, Sul, Sudoeste, Baixo Sul, Chapada, Recôncavo, Norte e Nordeste. Duas ocupações foram realizadas nesta segunda-feira, em Juazeiro e Queimada.
No Ceará, o Palácio da Abolição, sede do governo do estado, foi ocupado por cerca de 1.500 trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade. O ato reivindica ações por parte do governo para amenizar os efeitos da seca que já atinge vários municípios, além do assentamento imediato das 2.000 famílias acampadas no estado.

No Rio Grande do Sul, 300 famílias de Sem Terra fizeram duas ocupações. As áreas ficam nos municípios de Sarandi e Santa Margarida do Sul (que tem 950 hectares estão em processo de desapropriação há mais de três anos).

No interior de São Paulo, no Pontal do Paranapanema, 600 Sem Terra ocupam a Fazenda São Domingos, no município de Sandovalina. Essa fazenda já foi ocupada diversas vezes e, em uma delas, houve um conflito que acabou na morte de sete trabalhadores rurais. Os trabalhadores protestam contra o projeto do governador Geraldo Alckmin de legalizar a grilagem no extremo oeste paulista.

No Maranhão, cerca de 400 camponeses ocupam a sede do Incra, em Imperatriz, sudeste do estado. O protesto cobra o assentamento das 3.500 famílias acampadas no estado, em 19 acampamentos só do MST. Há famílias que lutam há 14 anos pelo assentamento definitivo, já que no estado nenhuma área foi desapropriada nos últimos quatro anos.

Em Sergipe, cerca de 300 famílias ocuparam a sede do Incra em Aracaju,  para pressionar o governo para realizar a Reforma Agrária e reforçar a jornada nacional de lutas do MST, nesta segunda-feira. Os Sem Terra chegaram à sede do Incra pela manhã e se preparam para fazer a ocupação. Eles pretendem permanecer na sede até a próxima sexta-feira (20/4). Até lá, outras ações vão acontecer no estado. “A Reforma Agrária está parada em Sergipe. Temos 12 mil famílias acampadas e, no ano passado, apenas 300 foram assentadas. Nesse ritmo, vai demorar 40 anos para assentar todas essas famílias”, disse Gislene Reis, da Direção Nacional do MST.

Na Paraíba, a sede do Incra também foi ocupada na manhã dessa segunda-feira por cerca de 500 famílias camponesas. Os lavradores entregaram uma pauta de reivindicação ao superintendente do Incra, Lenildo Dias de Morais, reivindicando desapropriação de áreas, garantia de infraestrutura para assentamentos e liberação de linhas de créditos para as famílias camponesas. Mais de 100 famílias ocuparam duas áreas do sertão da Paraíba.

Em Rondônia, 700 pessoas participaram da ocupação da sede do Incra de Ji-Paraná. Os camponeses esperam que o superintendente do Incra, Luiz Flavio Carvalho Ribeiro, se posicione sobre a pauta de reivindicações entregue há 15 dias pelos Sem Terra.

Em Santa Catarina, cerca de 500 agricultores do MST ocuparam a superintendência do Incra em Florianópolis.A ação, que faz parte da jornada nacional de lutas, exige o assentamento das 500 famíias acampadas no estado e a efetivação de políticas para o desenvolvimento dos assentamentos, especialmente agroindústrias. “Não houve nenhuma desapropriação no ano passado e, neste ano, apenas duas, pelas quais lutamos há muito tempo. O processo está muito lento”, disse Altair Lavratti, da coordenação nacional do MST.

No Rio de Janeiro, o prédio do Incra na cidade do Rio de Janeiro também foi ocupado por cerca de 300 Sem Terra. Os manifestantes reivindicam a efetivação da Reforma Agrária e denunciam a paralisação do processo de assentamento das famílias acampadas.

No Mato Grosso, cerca de 200 trabalhadores do MST ocuparam a sede da Receita Federal, cuja mobilização começou na noite de sábado, ao montarem um acampamento na Praça Ulisses Guimarães, localizada na Avenida Rubens de Mendonça, em frente ao Centro Político e Administrativo. Além disso, outros 400 camponeses bloquearam um trecho da BR-163, no norte de Mato Grosso. O bloqueio acontece em um trecho distante nove quilômetros da cidade de Sorriso, a 420 km de Cuiabá.

No Mato Grosso do Sul, 250 famílias do MST ocuparam a Fazenda Boa Esperança, localizada às margens da rodovia MS-134, há cerca de 10 quilômetros da sede do município de Batayporã. Houve também um bloqueio nessa estrada. Cerca de 300 lavradores do MST ocuparam o prédio do Incra em Campo Grande, nesta segunda-feira.

No Paraná, mais de 500 camponeses montaram um acampamento na cidade de Curitiba e ocuparam parte das ruas da cidade na manhã desta segunda-feira, em marcha de aproximadamente três quilômetros ao prédio do Incra, onde entregaram uma pauta de reivindicações. Os Sem terra pretendem permanecem na capital paranaense até sexta-feira, período em que terão reuniões com várias entidades e secretarias estaduais.

Em Minas Gerais, cerca de 40 famílias do MST ocupam a fazenda Palmeiras no município de Carmo do Paranaíba, desde o começo do mês. A área faz parte de um conglomerado de outras quatro propriedades pertencentes à massa solvente Ofir de Castro, que juntas totalizam cerca de 800 hectares. Atualmente, 150 famílias do Movimento ocupam quatro das cinco áreas pertencentes ao grupo, por Reforma Agrária.

A rodovia BR 304, no Rio Grande do Norte, foi trancada por cerca de 700 trabalhadores (as) do MST no dia 2. O trancamento da rodovia serviu para denunciar as ações do poder judiciário da região que emitiram mandatos de despejos ilegais em três áreas de acampamentos do MST.

No estado do Pará, a Juventude do MST iniciou desde o último dia 8 de abril o seu 7° Acampamento Pedagógico “Oziel Alves”, em Eldorado dos Carajás. Desde 2006, a juventude Sem Terra do estado se reúne em memória às vítimas e cobram justiça. O acampamento irá até o dia 17 desse mês e todos esses dias os jovens fazem o fechamento da rodovia (BR-155) por 21 minutos, em memória ao massacre. No último dia do acampamento, 17 de abril (Dia Internacional da Luta Camponesa), acontece um ato político na chamada ‘Curva do “S”.

Vejam também:

Vídeo – Massacre de Carajás: a impunidade continua! – Jornada de Lutas do MST 2012