Principais produtoras de cereais precisam atuar de forma responsável sobre impactos no sistema agroalimentar

                                                                                                                                 Natasha Pitts
                                                                                                                           Jornalista da Adital

No marco da campanha Crece, a Oxfam Internacional lançou neste mês o relatório de investigação “O lado obscuro do comércio mundial de cereais”, documento em que revela o impacto das quatro principais companhias comercializadoras destas matérias-primas básicas sobre a agricultura mundial. O relatório também levanta um debate sobre o modo como os/as pequenos/as produtores/as de países em desenvolvimento são afetados pelos competidores mundiais e destaca a razão pela qual estas quatro empresas são decisivas na reestruturação mundial que o setor de alimentação está sofrendo.
Archer Daniels Midland (ADM), Bunge, Cargill e Louis Dreyfus são conhecidas como ABCD. As quatro empresas dominam o cenário mundial de produção de cereais, já que controlam 90% do comércio mundial destes produtos. Deste modo, em virtude do papel central que estas comercializadoras têm sobre o sistema agroalimentar, a Oxfam decidiu alertar que é preciso conhecê-las e exigir que elas atuem de forma responsável e visando o bom funcionamento do sistema alimentar mundial.

ABCD são empresas privadas e dirigidas por juntas diretoras constituídas por membros de uma mesma família e investidores privados. As quatro detêm um grande poder econômico. Apesar disso, Oxfam revela que o domínio tradicional destas companhias está crescendo lentamente comparado com os produtos intermediários ou orientados aos consumidores no setor agroalimentar e sua participação no comércio mundial de produtos alimentares e fibras está diminuindo.

Esta situação é resultado de intensas mudanças na produção e comercialização mundial de alimentos, que procedem da redistribuição de poder ao longo da cadeia de abastecimento alimentar e o surgimento de distribuidores mundiais como WalMart, Carrefour e Tesco. Além disso, o relatório aponta que outro fator são as mudanças de gosto e expectativa dos/as consumidores/as.

As companhias ABCD não são apenas comercializadoras de produtos agrícolas físicas, elas também atuam ao longo de toda a cadeia agroalimentar como provedoras de insumos, propriedades de terras, criadoras de gados e aves, processadoras de alimentos, entidades financeiras, transportistas e operadoras de elevadores de grãos. Além disso, elas estão diversificando cada vez mais para a produção e comercialização de produtos industrializados derivados das matérias primas agrícolas, como são o plástico e as tintas.

Isto faz com que o preço dos alimentos, o acesso a recursos escassos como a terra e a água, as mudanças climáticas ou a segurança alimentar sejam afetados pelas atividades destas empresas comercializadoras.

“No contexto de mudança em que opera o sistema agroalimentar mundial, as companhias ABCD seguem desempenhando um papel especial. Têm a capacidade de produzir, adquirir, processar e proporcionar as matérias-primas que servem como insumos e estão no centro do atual sistema agroalimentar, e têm uma posição privilegiada para aproveitar as oportunidades ao longo de um vasto leque de atividades ligadas direta e indiretamente à produção e comercialização de matérias-primas agrícolas. Como resultado, seguem exercendo uma enorme influência sobre os sistema alimentares mundiais e as vidas e padrões de consumo de produtores e consumidores em todo o mundo”, explica Oxfam.

Ao revelar um pouco sobre o funcionamento, a função e os impactos que as quatro grandes comercializadoras causam no sistema agroalimentar, Oxfam acredita que é possível à população mundial se mobilizar para exigir que as empresas atuem de forma responsável. Isto quer dizer que, por serem “peças essenciais” no sistema alimentar, precisam ajudar este sistema a promover uma grande mudança a fim de permitir que todos e todas tenham acesso aos alimentos em quantidade suficiente hoje e no futuro.

Leia aqui, em espanhol, o relatório da Oxfam na íntegra.

Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&lang=PT&cod=69716

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One response to this post.

  1. Esta é uma luta realmente importante e das mais difíceis de ser travada. É muito complicado ter grande parte da alimentação mundial nas mãos de apenas quatro empresas (apesar de a alimentação ser muito mais do que o que é fornecido pelas ABCD, é bom lembrar que os cereais estão presentes em toda a alimentação e representam boa parte do que ingerimos diariamente). Acredito que seja necessário pressionar essas grandes empresas para que elas trabalhem de maneira melhor. Na verdade, elas mesmas deveriam perceber isso e fazer por conta própria, mas, já que isso não é possível porque elas são as “donas do mundo”, cabe a nós, sociedade, fazer a nossa parte, conhecer a realidade e fazer valer os nossos direitos.

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