A ridícula lei da sacolinha.

Pedro Meinberg

 

Desde o dia 25 de janeiro entrou em vigor uma das leis mais medíocres que considero ter conhecimento desde quando me entendo por gente: a proibição do uso de sacolas plásticas nos supermercados do estado de São Paulo.

 

O discurso a favor da lei é que se reduzirão os danos ao meio ambiente, pois há muito gasto de energia para produzir sacos plásticos e seu material não é nada reciclável. Assim, vende-se a ideia de que retirá-los dos caixas, cada cidadão estará fazendo, mesmo que obrigado, a sua parte para salvar o planeta. Nada mais falacioso que isso!

 

Um saco plástico que uso todos os dias não irá salvar meio ambiente algum. Se toda a população paulista, brasileira, planetária, universal se apropriar de uma sacolinha por dia, não irá nos salvar da desgraça ambiental anunciada (se é que ela um dia virá). No meu caso, particularmente, e com certeza também é o de mais uma boa parte da população, não reduzirei o consumo de plástico algum, pois a sacolinha que todo dia eu pegava no mercado eu a reaproveitava para os cestos de lixo da cozinha e banheiro de minha casa. Agora, eu que nunca comprei sacos plásticos de lixo (aqueles pretos ou azuis), terei que comprá-los para depositar meu lixo diário produzido nesses cômodos.

 

A lei, desta forma, pode fomentar um consumo pelo outro – isso para não falar do dinheiro que agora gastaremos para adquirir sacos plásticos de lixo. Mas mais do que isso, ela quer induzir o cidadão e a cidadã comum, que rotineiramente vai aos supermercados a acreditar que a medida está salvando o planeta Terra. Não está.

 

Se quisermos reduzir os danos ambientais, que se façam leis proibindo grandes indústrias como Coca-cola e Elma Chips, só para citar, deixarem de produzir suas latinhas e embalagens. Um lanchinho da tarde, com um refrigerante e um salgadinho chips, pode proporcionar mais desgraças que uma mera sacolinha reaproveitável. Indo mais além, se quisermos mesmo salvar o planeta, vamos mudar radicalmente nossos hábitos diários, consumir menos produtos diretamente ligado à industria pesada das grandes corporações multinacionais e induzir a falência de empresas que realmente destroem o planeta. Ademais, enquanto isso no senado, circula o ruralista novo Código Florestal, ainda distante da preservação da biodiversidade brasileira.

 

Eu, especificamente, estudo um processo de “psiquiatrização da vida” que vem ocorrendo nas sociedades ocidentais, quando hoje, quase todo comportamento desviante é considerado patologia mental. Assim, não pensamos isso, pois a questão está demasiadamente naturalizada em nós, mas cada medicamento para insônia, por exemplo, que tomamos, incentivamos uma gigantesca bioeconomia de escala mundial, com seus grandes laboratórios poluidores – e toda sua maquinaria industrial, construída em detrimento de minérios e outros elementos naturais – a produzir no ritmo do capital pílulas para “aliviar” os mais novos transtornos e sintomas da alma; inquietações que são frutos do mesmo ritmo frenético capitalista que enlouquece e enfraquece o indivíduo; mesmo ritmo industrial que sucumbe os recursos naturais e o bioma planetário.

 

Dito, enquanto não existir mudanças radicais nos padrões de consumo (do supermercado à farmácia, do shopping ao posto de gasolina), enquanto não nos propusermos, por uma outra ética, a resistir à ética consumista e compulsiva do tempo presente, seremos obrigados a tomar conhecimento de mais dessas leis idiotas, que não servirão para nada, apenas para perpetuar a degradação ambiental e a ordem política das coisas desta sociedade paulista, brasileira, ocidental.

 

 

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5 responses to this post.

  1. Posted by Ana Paula on 13 de fevereiro de 2012 at 2:09 PM

    CONCORDO TOTALMENTE!!!!!!!!!
    ESSA LEI É RIDICULA E ABSURDA, POIS SO A SACOLINHA DO SUPERMERCADO FAZ MAL AO PLANETA, FAÇA-ME O FAVOR!!!

    Responder

  2. Posted by Monyque Gabriela Silveira on 20 de março de 2012 at 10:54 PM

    Comecei a ler o seu texto e parei no segundo parágrafo , não tive coragem de continuar a ler tanta besteira.
    Vou usar os mesmos termos que usastes,desculpa mas ridículo é o teu pensamento. Tenho 17 anos e trabalho na padaria da minha família, é um lugar interiorano , daqueles que mal se tem sinal para o celular( a população não chega a 6.000).Começamos a cobrar as sacolinhas no dia 05 deste mês. Antes a distribuição de sacolinha variava de 600 a 800 por dia, a partir da cobrança esse número caiu pra, em média, 20 sacolinhas!
    Talvez, o teu contato com essa lei seja somente de consumidor, aquele que tava acostumado a pegar um jornal e pedir sacola, porém, mesmo com a pouca idade que eu sei que tenho , vivencio os dois lados, o de consumidor e fornecedor e sei que essa lei não está gerando somente observações negativas. Escuto muita gente parabenizando pela atitude, que é sim por causa do meio ambiente e da siatuação que ele se encontra hoje.Então antes de coagir , ou influenciar pessoas pouco instruídas sobre algo que voce certamente não tenha contato direto, pense em quem ainda esta por vir , e que vai pagar pelos nossos erros.

    Responder

  3. Olá Monyque.

    É justamente por pensar em quem está por vir neste mundo que eu me preocupo com a questão ambiental! Pode parecer contraditório, ter escrito um texto como este, criticando uma lei (ou uma atitude) para “salvar o planeta” e agora afirmar que me preocupo, mas explico.

    No meu texto, eu argumentei que uma lei como esta, e somente uma lei como esta, proibindo o uso de sacolas plásticas, não irá salvar o planeta de destruição alguma. A questão, é mais profunda! Não é deixando de usar uma, ou duas, ou três ou cinquenta sacolas, mas sim interrompendo grandes fluxos de poluição, interrompendo a produção de muitos materiais de coisas talvez “supérfluas” de nosso dia-a-dia que poderemos obter algum grande benefício para a saúde do planeta.

    Não é deixando de levar nossas compras do supermercado ao carro ou do supermercado para casa que conseguiremos algum avanço para a questão, mas sim, usando menos o carro, por exemplo, deixando de consumir tantos celulares e eletrônicos; e isso apenas para lhe pontuar alguns exemplos.

    A questão é mudar nossos hábitos! Mas mudar hábitos que atingem grandes corporações poluidoras. A produção de sacolinhas, ao meu ver, é apenas mais um problema de um mar de tantos outros catalizadores da degradação ambiental.

    A lei das sacolinhas se torna um problema maior ainda na medida em que serve para governos venderem a ideia de que sem sacolinhas se salvará a vida na Terra… A ideia é colocar a culpa no indivíduo, na gente, em mim, em você… Mas isto é um problema que não pertence ao indivíduo, exclusivamente, mas sim a toda sociedade – com sua peculiar organização econômica e política, isto é, capitalista – que ele, indivíduo, está imerso.

    O problema do meio ambiente não é apenas seu. Nem de seus fregueses, mas sim de uma grande estrutura na qual estamos todos e todas estamos profundamente mergulhados e mergulhadas. Eu quero viver, comer, beber, respirar num mundo melhor; é por isso que estudo sociologia e os problemas de minha sociedade; estudo para denunciar, questionar e tentar propor alternativas.

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  4. Posted by Ronildo on 7 de abril de 2012 at 7:35 PM

    Gostaria de saber como vamos levar nossas compras eles os mercados não poderia formecr sacos de papelão

    Responder

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