O Consumismo e a Crise Ambiental: Como resolver tal dilema?

 Thaylizze Goes Nunes Pereira



Uma questão fundamental a ser analisada e discutida nos dias de hoje é a sociedade contemporânea que se baseia na produção e no consumo, ocasionando danos irreparáveis ao meio ambiente. A indiferença que o homem vem tratado o ambiente ao qual vive, tem trazido imensas alterações no planeta – algumas que jamais poderão ser recuperadas – levando-nos cada vez mais próximos a colapso entre o consumir e o destruir.

Esse processo de produção de massa iniciasse através da separação do homem entre cabeça e braços, onde o operário perde o controle os meios de produção, surgindo assim operários que atendessem a lógica esperada pelo sistema. Desta forma, inicia-se um serei de processos de reeducação do homem, por exemplo, o da disciplina imposta na escola, onde nessa a criança já aprende a cumprir horários e regras sem questiona-las, fazendo com que essa aprenda a obedecer à burocracia, fato que desde o inicio da vida fará o indivíduo ser desestimulado de sua autonomia. Esse ocorre com duas finalidades, à primeira para servirem de mão de obra, sustentando a segunda, que se desencadeou e denominamos de consumismo.

Temos que ter em mente que a sociedade de consumo só consegue se manter e desenvolver rapidamente graças ao signo que ela emprega nas mercadorias por ela produzida. Criando desta forma novas necessidades de consumo, desejo e compulsão à aquisição do novo, além de fazer com que nos sintamos insatisfeitos com os produtos ao qual já nos pertencem, esse fator alavancando ainda mais o desejo em comprar, em consumir. Aqui, podemos dizer que está constituído os pilares da manutenção da sociedade de consumo.

A cultura consumista está enraizada, e por isso não conseguimos mudar esse fato facilmente. Se quisermos mudar a forma de consumo na sociedade teremos que mudar a forma de pensar e cultura que ela vem desenvolvendo. A mídia através de seus meios de persuasão cria e deposita valores em mercadoria, criando consumidores de ilusões e fazendo com que as pessoas as adquiram achando que possuem – somente pelo simples falo de tê-lo – poder, status e felicidade.

Esse acelerado ritmo de consumo atribuído a nós é insustentável ao planeta causando inevitavelmente impactos ambientais catastróficos. Seguindo essa lógica, Brandsma, Erich H. & Eppel, Jeremy, nos enfatiza que nos últimos 45 anos, a economia global praticamente quintuplicou, levando por exemplos o consumo de papel crescer mais de seis vezes e o uso de combustíveis fósseis aumentarem em torno de quatro vezes, da mesma forma como que houve os aumentos do nível de emissões de CO2.

Uma vez que não houve um processo de interação sustentável entre a sociedade e natureza, colocamos como vilões dessa história a produção e o excesso de consumo, como sendo responsáveis pelas maiores agressões causadas ao meio ambiente. Nessa realidade que nos é apresentada onde o que se torna necessário e indispensável é consumir a “qualquer preço”, onde o excesso desse consumo e produção tem causado danos irreparáveis a nossa natureza.

A obsolescência das coisas torna o mundo ainda mais imaterial, onde as mercadorias são produzidas para consumos imediatos não importando dessa forma a durabilidade das mesmas e sim se essas estão de acordo com o que está sendo ditado pela moda do momento.

Com a incorporação da lógica do descarte, nossa sociedade alcançou seu mais alto grau de consumo da história, consumindo cada vez mais produtos em sua mais ampla diversidade e tudo isso de forma extremamente acelerada. Os danos dessa postura adotada todos conhecem, mas o que nos está posto é a liberdade de comprar; a necessidade de consumir e o desejo de ter o novo, assim, “compra-se hoje para substituir amanha.” (PEITROCOLLA, 1986, p.33), fazendo-nos parecer que estamos embutidos na “lei da selva”, em um processo que a reprodução do comprar é indispensável para a sobrevivência.

O desgaste da terra, em virtude principalmente do excesso de consumo já começa a nós mostrar que não podemos mais viver do mesmo modo como se vem vivendo. A chave de toda a destruição ambiental está no ato de querer lucrar mais e mais, se importando com seres humanos, florestas, rios. Nós seres humanos não levamos a serio a fato de estarmos destruindo a terra e não fazendo nada para protegê-la.

A nossa sociedade está em colapso, mas mesmo assim, não conseguimos fazer nada mais do que destruir, produzir e consumir. O governo deveria intervir de alguma forma com políticas de conscientização e de alerta aos danos que estamos causando ao planeta, mas seu papel na sociedade é e sempre foi outra, pois ele está do lado dos grandes causadores da destruição. Podemos observar esse fato bem claramente quando analisamos o interessa da bancada ruralista de nosso país, como exemplo desse fato pode-se observar as votações em torno do Novo Código Florestal.

Não será possível salvar o planeta se continuarmos com o mesmo modo de vida que possuímos, não existe sustentabilidade embasada nos atuais padrões de consumo. As ações do homem estão destruindo e transformando as funções naturais da terra e a mudança climática é apenas um dos muitos sintomas que o homem vem causando a Mãe Natureza.

Precisamos mudar a ideia de que somos donos dos recursos naturais, isso foi incorporado a nós e por isso achamos que eles estão no mundo para nos servir. Assim como os nativos deveríamos tratar o nosso meio ambiente como parte de nós, formando assim, um conjunto entre homem e natureza. Se faz necessário que o homem aprenda a tratam tudo como se fosse uma interação, sendo a Mãe Natureza um coração e nós apenas uma pequena parte do sangue que dentro dele percorre.

O Homem perdeu a sensibilidade, e não sabe mais o significado das coisas, não sabe distinguir o ar que respira, não sabe sequer de onde vem sua água, seu alimento e assim só destrói, aprisionado em um espírito de colonizador, destruindo tudo o que estiver no seu caminho por pura ganância, para conseguir o que desejam.

O homem e a natureza possuem uma ligação, tudo está interligado, e se algo não vai bem, tudo corre risco de desaparecer. A natureza sozinha se auto regula, mas com a presença do homem, ela não consegue, porque esse homem é forasteiro, ele é apenas predador. O homem é apenas mais um entre as demais espécies existentes, mas esse sozinho conseguiu destruir e condenar a existência dos demais. Ele não é o centro do mundo, é somente mais um fio de todo o tecido, e sofrera todas as consequências de seu mal trato a terra.

A nova sociedade é uma sociedade de massa, e os desastres ambientais são os preços pagos por nós, pelo nosso estilo de vida. Portanto, basta-nos esperar que a sociedade a qual estamos inseridos reflita arduamente sobre tudo ao qual esta a sua volta e qual foi o seu efetivo papel para essas transformações ocorrerem. Precisamos voltar à preferência pelo simples, porém essencial, buscando assim o tão sonhado respeito e equilíbrio entre homem e natureza.

 

 

 

 

Referências Bibliográficas.
ASSADOURIAN, Erik. Ascensão e Queda das Culturas de Consumo. In: Estado do Mundo, 2010: estado do consumo e o consumo sustentável. Worldwatch Institute; Salvador, BA: Uma Ed., 2010. 1ª edição

BRANDSMA, Erich H. & EPPEL, Jeremy. “Produção e consumo sustentáveis: um enfoque internacional”. In: Ribemboim, Jacques (org).  Mudando os Padrões de Produção e Consumo. IBAMA, 1997, pág 112.

BARBOSA, Lívia. Sociedade de Consumo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008

CAMPBELL, Colin; BARBOSA, Lívia (Org). Cultura consumo e identidade. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006, p. 7-88.

Carta do Cacique Seattle ao Presidente Norte-americano – Texto de domínio público distribuído pela ONU. 1854. Disponivel em: http://gentedanossaterra.com.br/chefe_seattle.html

Filme – A era da estupidez. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=OGhHg18JYQM

PIETROCOLLA, Luci Gati. O que todo cidadão precisa saber sobre sociedade de consumo. São Paulo: Global, 1986.

 

 

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