Mundo contemporâneo e a crise ambiental

Bruna Hermogenes de Lemos

 

Atualmente, é perceptível uma mobilização forte da população em torno das questões ambientais, mas isso ocorre em sua maioria nas redes sociais. Com certeza já é melhor do que se não houvesse mobilização alguma, porém até que ponto as pessoas estão realmente agindo da maneira que dizem? E de que maneira, além de “curtir” no facebook alguma reivindicação, estão agindo no cotidiano para apoiar a causa?

A cultura em que cada um foi criado é fator crucial para o modo de agir na sociedade, porém é possível implantar culturas distintas e valores diferentes nessas mesmas sociedades. O que está ocorrendo hoje em dia, é que fomos dominados pela cultura do dinheiro, de que quem tem mais bens é alguém melhor e mais importante, o que vale é o consumo.

No Brasil, ainda é possível acompanhar pessoas que vivem em uma realidade sustentável, algo que já é mais difícil nos Estados Unidos, por exemplo. As sociedades indígenas podem servir como um bom exemplo para as sociedades contemporâneas e já que pode ser implantada uma cultura que faz mal à vida da sociedade, acredito que possa ocorrer o inverso, mesmo isso levando muitos anos.

Seria utópico achar que é possível a sociedade contemporânea abrir mão deste modo de vida em sua totalidade. No texto “Ascensão e Queda das Culturas de Consumo”, Erik Assadourian diz que “pedir às pessoas que vivem em sociedades de consumo que restrinjam o consumo é o mesmo que lhes pedir para parar de respirar – elas conseguem fazê-lo por um momento, mas depois, arquejando, inalarão ar outra vez. Dirigir carros, andar de avião, ter casas grandes, usar ar condicionado… não se trata de escolhas decadentes, mas simplesmente de elementos naturais da vida – pelo menos, de acordo com as normas culturais presentes em um número crescente de culturas de consumo no mundo todo.” Portanto, pedir para que, por exemplo, todos comecem a pensar do mesmo modo que um índio é impossível. Porém, a conjuntura em que estamos inseridos chegou ao ponto máximo e essas culturas consumidoras precisam ser alteradas de alguma maneira. Uma cultura sustentável precisa substituí-las e as sociedades que conseguem em meio a tanto consumismo utilizar boas práticas precisam ser exemplos de como é possível viver de maneira diferente, demonstrando como essa cultura de consumo foi totalmente implantada de décadas pra cá e é incentivada cada vez mais, principalmente pela mídia.

Na Carta do Cacique Seattle ao Presidente Norte-americano o cacique cita: “a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra.” É preciso que as sociedades se dêem conta disto e percebam que todo modo como já agiram e estão agindo nos dias de hoje, tem conseqüências para a própria sociedade e não só para os animais, para as florestas. Está absolutamente tudo interligado.

Cada sociedade observar as transformações que estão ocorrendo ao seu redor, se informando e descobrindo meios para transformar a cultura consumista, já terá grande impacto. O Brasil está passando por vários debates sobre a Amazônia, Belo Monte, entre outros. É necessário que todos os brasileiros estejam inseridos nesses debates e possam opinar em como deve seguir a sociedade a qual fazem parte, seguindo as linhas consumistas crescentes ou sustentavelmente.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: