A mudança de um paradigma cultural como solução dos problemas ambientais

Laura B. P. Christovam


Vivemos hoje em uma cultura do consumismo. Se entendermos cultura como “interações complexas entre muitos elementos diferentes de comportamentos sociais e guiam os homens em um nível quase invisível” (ASSADOURIAN, 2010) e também como “processos sociais que fazem com que aquilo que é artificial (ou construído pelos homens) pareça natural” (WELSH e VIVANCO) podemos ver que a cultura é uma construção. E, se ela pode ser construída pode ser também desconstruída.

A naturalização dos padrões de consumo na contemporaneidade é extremamente perigosa. A associação de felicidade e bem estar com adquirir bens de consumo é o mal que afeta a humanidade desde a Revolução Industrial do século XVIII e que hoje atinge níveis catastróficos. Isto porque a utilização dos recursos naturais (minérios, combustíveis fósseis, queima de florestas, poluição das águas) visando manter os padrões de consumo atuais resultam em uma maior destruição dos sistemas naturais, os quais tanto os homens quanto outros animais e as plantas necessitam para a sua sobrevivência.

O grande problema hoje é que o homem “descolou” sua sobrevivência atrelada à natureza. O homem não se vê mais como parte integrante de um sistema ecológico e, por este motivo, não consegue enxergar que as suas ações danosas a natureza podem, em pouco tempo, resultar em sua extinção.

Mas isto não irá ocorrer por falta de avisos. Em 2008, 68 milhões de veículos foram comprados no mundo todo. (ASSADOURIAN, 2010) isto significa maior nível de poluição e liberação de gás carbônico na atmosfera. Dados como este, e os divulgados por cientistas e instituições como a “Pegada Cultural” mostram a importância de uma mudança radical nos níveis de produção e consumo a fim de se evitar uma catástrofe natural como, por exemplo, a elevação dos níveis dos oceanos resultado do derretimento das calotas polares advindas do aumento da temperatura média global. Calcula-se que 1.3 bilhões de pessoas serão refugiadas ambientais em 2050 advindas das áreas costeiras inundadas pelos oceanos.

Para se quebrar este paradigma, há de se atacar e mudar a estrutura sistêmica na qual estamos inseridos. Esta estrutura está apoiada em três grandes pilares: a mídia, os governos e a educação. A primeira deixou de ser apenas um veiculo, mas tornou-se uma instituição social no estimulo ao consumismo. A veiculação de propagandas nas televisões, rádios e massivamente na internet fazem com que haja sempre a veiculação de imagens associativas entre felicidade e poder de consumo. O segundo faz o estímulo ao consumo porque este é o grande fomentador das economias nacionais e uma economia forte é sinônimo de poder internacional. A terceira é talvez a mais emblemática. As escolas que deveriam ter o papel de formar cidadãos críticos, ativos e informados estão cada vez mais a serviço das instituições privadas as quais passam a sua ideologia de mercado como positiva, tornando os alunos como incapazes de realizar uma compreensão critica de sua realidade.

Com a mudança de paradigma destas três instituições haverá a substituição de valores da sociedade. Nestes estarão incluídos a recuperação ecológica, a criação de bens não residuais, a criação e aperfeiçoamento das tecnologias verdes e o principal de todos: a redução drástica dos níveis de consumo.

O Cacique Seatle, em 1854, em resposta a uma oferta de compra feita pelo presidente dos EUA à “sua” reserva disse “O homem não tramou o tecido da vida, ele é simplesmente um de seus fios”. É este resgate cultural que o homem precisa fazer. Se ver como parte integrante do todo e parar de destruir o único bem intrínseco a sua sobrevivência: a natureza.

 

Referencias Bibliográficas

Carta do Cacique Seattle ao Presidente Norte-americano – Texto de domínio público distribuído pela ONU.

Ascensão e Queda das Culturas de Consumo – Erik Assadourian em “Estado do Mundo”, 2010: estado do consumo e o consumo sustentável / Worldwatch Institute

A era da estupidez Diretora: Franny Armstrong, 2009

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