Sustentabilidade: Crise de paradigma ou adaptação do sistema frente à nova realidade?


Pedro Ornellas Gerônimo*

            Há algum tempo, uma pergunta perturba aqueles que se preocupam com o futuro da humanidade. Por quanto tempo o atual modelo de produção e consumo continuará sendo sustentado pelo Planeta? Sabemos não ser possível delimitarmos de maneira precisa quanto o Planeta ainda suportará o atual modelo de produção e consumo capitalista, porém faz-se cada vez mais presente em nosso cotidiano, as demonstrações de que algo está mudando no mundo. Seja através do aumento da temperatura da Terra, das mudanças climáticas cada vez mais imprevisíveis, das longas estiagens ou das fortes chuvas, enfim, recebemos o aviso, agora teremos de decidir o que faremos com ele.

            Ultimamente, somos bombardeados com milhares de informações sobre o aquecimento global, o desmatamento e as consequências da depredação do meio ambiente por nós, humanos. Mas, afinal, o que está sendo feito e o que realmente precisa ser feito para revertermos esse quadro?

            Inegavelmente, existe um esforço acadêmico, político e de toda sociedade em pensar alternativas e soluções para a crise ambiental que vivemos. O Meio Ambiente definitivamente tornou-se um dos principais eixos da política externa da maioria dos países e passou a ocupar lugar de destaque na agenda da comunidade internacional, porém isso não se reverteu automaticamente em atitudes práticas e efetivas que pudessem, ao menos, conter o avanço da degradação que causamos ao Planeta.

            Segundo Erik Assadourian em seu texto Ascenção e Queda das Culturas de Consumo (2011), não seria possível uma reversão do atual quadro sem “(…) uma mudança expressiva em toda a formulação das sociedades humanas” (p. 5), afinal apenas políticas governamentais ou a tecnologia seriam, apesar de muito importantes, ineficientes. Desta forma, ele propõe uma mudança de paradigma; a quebra do atual modelo de produção associado ao consumismo desenfreado, por um novo modelo, pautado na sustentabilidade, levando a um novo modo de enxergar a vida: “A recuperação ecológica seria o tema principal. Passaria a ser “natural” encontrar valor e sentido na vida através do quanto uma pessoa ajuda a recuperar o planeta, e não de acordo com o que esse indivíduo ganha, o tamanho de sua casa, ou quantos utensílios ele tem” (p. 16).

            Assim, vivemos num período em que poucas respostas podem ser dadas, por um lado temos o status quo do sistema capitalista e toda a sua superestrutura e por outro, atitudes isoladas que vão ganhando força, adquirindo adeptos e tornando-se mais visíveis. A este movimento podemos dar o nome de “pioneiros culturais”, como cita Assadourian (2011), que apregoam uma mudança radical em nossos hábitos culturais a fim de remontarmos um sistema de equilíbrio entre a raça humana e o Planeta Terra.

            Até agora, o que podemos dizer é que o discurso de adaptação do atual modelo a nova realidade é preponderante e vem ganhando força com o apoio da grande mídia e das campanhas “policamente corretas” que vemos constantemente nos meios de difusão de informação. Dessa forma, parece que a política ambiental do sistema vigente parte da ideia de “tentar conter o avanço”, quando deveríamos falar em “reduzir de modo acelerado”. Por enquanto, essa política é suficiente para grande parte da população, no conforto de suas vidas, crer estar fazendo sua parte para um “mundo melhor” ou mais sustentável, mas até quando? Tudo indica que, em breve, esse paradigma terá de ser revisto. Caberá apenas saber se não será tarde demais para nós.

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* É graduando do terceiro ano em Relações Internacionais pela Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP/Marília. Trabalho apresentado na disciplina de Tópicos da Geografia, da Profa. Dra. Mirian Cláudia Lourenção Simonetti.

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