O CONSUMISMO DESENFREADO ADVINDO DA GLOBALIZAÇÃO E SEUS IMPACTOS SOBRE A CRISE AMBIENTAL

Renata Tsumura Inocêncio Soares[1]

Na sociedade contemporânea, cada vez mais globalizada, um problema causado em uma parte do mundo é sentido e discutido no mundo inteiro e isso não é diferente quando se trata de meio ambiente. Há algumas décadas que a palavra sustentabilidade e responsabilidade para com o meio ambiente vêm se tornando palavras cada vez mais próximas do cotidiano das empresas, grandes multinacionais, propagandas comerciais e também da população no mundo inteiro. Dessa forma, os problemas ambientais vêm ganhando espaço nas discussões de ambientalistas e mesmo em temas de governança, porém, infelizmente a questão de adotar políticas severas e assertivas em relação à crise ambiental não é de consenso e nem faz parte do plano de governo de muitos países atualmente.

O modelo capitalista de produção dilatou as ondas globalizacionais e, como conseqüência trouxe o gravame da instabilidade dos mercados financeiros, da economia em geral e das relações de trabalho assim como a influência sobre o consumo. O perigo da construção de uma sociedade de consumista dependente, o vício do consumismo no qual o importante é o ter e o consumir e não o de ser e existir, além do direito do cidadão que virou direito do consumidor é alarmante, sobretudo quando traz conseqüências ao meio ambiente e à vida na Terra. Estas implicações se dão principalmente na extração de recursos naturais com seu aumento, devastação de grandes áreas verdes para o cultivo, além da grande produção de lixo, este por sua vez sem destino certo. Como mostra ASSADOURIAN (2010, p.4).

Como o consumo aumentou mais combustíveis, minerais e metais foram extraídos da terra, mais árvores foram derrubadas e mais terra foi arada para o cultivo de alimentos (muitas vezes para alimentar gado, visto que pessoas com patamares de renda mais elevada começaram a comer mais carne). Entre 1950 e 2005, por exemplo, a produção de metais cresceu seis vezes, a de petróleo, oito, e o consumo de gás natural, 14 vezes […] A exploração desses recursos para a manutenção de níveis de consumo cada vez mais altos vem exercendo pressão crescente sobre os sistemas da Terra, e esse processo vem destruindo com grande impacto os sistemas ecológicos dos quais a humanidade e incontáveis outras espécies dependem.

Dessa maneira, pode-se dizer que o consumismo atrelado a cultura que foi aderida pelos povos, especialmente com a interdependência cada vez maior entre os países e a “quebra” de fronteiras que possibilitou a aproximação de culturas muito distintas, fez com que as pessoas deixassem de lado costume que possuíam algum significado seja ele religioso, familiar, para aderirem ao costume de gastar. O Natal, por exemplo, para muitas pessoas já deixou de significar o nascimento de Jesus Cristo, ou muitas vezes cai no esquecimento o verdadeiro sentido de se comemorar a data, para dar espaço a novas preocupações como o que dar de presente para alguém ou o que irão comer no dia 25. E assim, acontece também com muitas outras datas.

Não obstante, todos estes pontos se tornam críticos quando nos deparamos que por trás de todos estes gastos e tudo mais existe uma natureza que está sendo devastada, assim como o aumento da extração de minerais, gás, petróleo porque o interesse por compra de carros aumentou, o número de instalação de fábricas subiu. Bem como o problema da devastação de terras e expropriação das mesmas para o estabelecimento de monoculturas ou criação de gado, poluição de águas e rios por uso inadequado, todos estes fatores geram o que chamamos de aquecimento global, efeito estufa, extinção de várias espécies de plantas e animais.

Todavia, não é uma tarefa fácil mudar a cultura de um povo e muito menos seus costumes de anos, contudo, se faz extremamente necessário que as pessoas tomem consciência de que as atitudes de hoje trazem conseqüências amanhã e, por isso, devemos a cada dia mudar nossos hábitos e repensar nossos conceitos. Para que a atitude chegue aos poderes do governo, devemos dar exemplo e exigir mudanças. É preciso agir localmente e pensar globalmente, para que assim não possamos nos arrepender de atitudes que não tomamos principalmente com as questões de sustentabilidade como nos ensina Cacique SEATTLE (1854, p. 2)

 Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.

Bibliografia:

Carta do Cacique Seattle ao Presidente Norte-americano – Texto de domínio público distribuído pela ONU.

ASSADOURIAN, Eric. Ascensão e Queda das Culturas de Consumo. Editora Estado do Mundo, 2010: estado do consumo e o consumo sustentável / Worldwatch Institute; Introdução: Muhammad Yunus. Organização: Erik Assadourian; tradução: Claudia Strauch. Salvador, BA: Uma Ed., 2010.  298 págs. 1ª edição.

Filme – A era da estupidez.


[1] Graduanda em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”-Faculdade de Filosofia e Ciências-Campus de Marília. Email: renatatis@hotmail.com

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