Considerando o consumismo desenfreado

Caroline Fernandes Mendes

 Considerando o consumismo  desenfreado, as  grandes corporações sobrepondo-se aos governos, a modernidade  instalada e “falida”, industrialização arrasadora e impassível , o individualismo exacerbado e  as políticas neoliberais manipuladoras é possível traçar um panorama do impasse que vivemos hoje em relação aos movimentos socioambientalistas que atuam, em contrapartida, a todo esse contexto citado.

  A necessidade de transformar a cultura do consumismo em uma cultura sustentável é gritante, isto levando em conta o fato da população mundial “consumir cada vez mais combustíveis fósseis, comer mais carne e converter mais terra em áreas agrícolas e urbanas” (Assadourian, p.5)

 Esse padrões de consumo não são sustentáveis, nem são manifestações inatas da natureza humana, são padrões de consumo construídos culturalmente e considerados “naturais”, como se não houvesse outra forma de apropriar-se da natureza, utilizando-se de um modelo alternativo, isto é, resignificando   o conceito sobre o que é natural.

  Instaura-se a necessidade de transformação dos padrões culturais dominantes, evitando, assim, o colapso da civilização mundial cujas bases concentram-se no consumismo disseminado e reforçado ao longo dos séculos, no individualismo estabelecido com a modernidade juntamente com a noção de industrialização atrelada à idéia de desenvolvimento, progresso.

   A questão que se coloca é como lidar com o fato de o consumo por pessoa ter quase triplicado nos últimos cinqüenta anos e que, mesmo considerando o crescimento populacional, esse aumento é desproporcional, isto devido ao uso indiscriminado e acelerado dos recursos disponíveis à dominação voraz do homem moderno. Para atender a níveis de consumo cada vez maiores, os sistemas ecológicos vem sofrendo um de recursos sem prescrição, sem planejamento.

  De acordo com as normas culturais presentes em um número crescente de culturas de consumo no mundo todo seria necessário mais de um planeta (considerando que cada indivíduo consumisse o mesmo que um europeu ou estadunidense, o que nos leva a repensar a posição dos países ‘emergentes’, utilizados como grandes latifúndios para exportação, visando o agronegócio) para acompanhar esse ritmo alucinante de produção, atendendo as demandas de todos os produtos considerado “indispensáveis” atualmente e que, na verdade, são inculcados na cabeça das pessoas através da mídia, utilizando-se da  suposta satisfação e reconhecimento por meio do consumismo.

  A Era da Estupidez mostra-se totalmente instaurada, já que boa parte desses recursos não são renováveis e o equilíbrio ecológico encontra-se alterado e em constante degradação, nos levando à não renovação da manutenção de alguns recursos, colocando em cheque  a capacidade dos nossos ecossistemas sustentarem futuras gerações. Creio que a noção de desenvolvimento sustentável – tão deturpada pelos meios de comunicação em geral – colocada pelo Cacique de Seatle demonstra muita sabedoria ao escancarar a forma utilitarista, pragmática e dominadora do homem branco ao lidar com a ‘Pacha Mama’. “Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.” (Carta do Cacique de Seatle ao Presidente Norte-americano).

O Cacique reitera a importância e urgência de repensarmos nossa cultura “civilizada” de forma holística, lembrando que o homem pertence a terra e não o contrário, e que o mesmo, sendo um dos fios do tecido da vida, deve zelar pelo reciprocidade da mãe-terra, mantendo essa relação de mão dupla, já que sabemos que tudo que o homem fizer recairá sobre os filhos da terra.  E isto também sabemos: Vale a pena salvar-nos! (isso significa salvar a nossa mãe-terra ao mesmo tempo, é claro, visto que um é totalmente intrínseco ao outro).

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: