A Sociedade do Consumo, para o Consumo e pelo Consumo


Lucas Jordani de Andrade[1]

            A cultura é algo presente em todo o tipo de sociedade humana, envolvendo seus costumes, tradições, língua, organização e diversos parâmetros sociais e comportamentais que são transmitidos por gerações. O modo como habitualmente nos vestimos, nos alimentamos e nos relacionamos são parte de um vasto processo cultural, algo bem particular de cada sociedade e que apesar dos atuais processos de globalização que envolvem de certa maneira uma homogeneização, a cultura local acaba por definir em grande parte o caminhar de nossas vidas, ou ao menos nos indica certos caminhos a trilhar.

Nosso atos no presente sempre refletiram o nosso futuro e é nesse sentido que se insere a atual e dramática crise ambiental global está associada a própria cultura que se instaurou, o aquecimento global desenfreado, escassez de importantes recursos naturais e da água potável, destruição de ecossistemas inteiros aliados a poluição da água, do ar e do solo. A humanidade se depara com um futuro sombrio às próximas gerações e uma necessidade imediata na mudança da cultura do consumo e dos pilares uma sociedade voltada para o consumo como temos hoje.

Este processo consumista tem se fortalecido e acelerado nas últimas décadas, mas tem raízes históricas mais profundas. Já nos período que remontam a revolução industrial, parte da humanidade e a economia das grandes potências passam a depender de quantias de insumos cada vez maiores, em principal os energéticos. O controle da energia, ou seja, das jazidas de carvão e posteriormente dos poços de petróleo se tornarm essenciais para manter e ampliar os padrões econômicos, de consumo e do crescimento industrial resultante deles. A partir deste momento a pegada ecológica, os impactos das ações humanas na natureza passam a ser cada vez maiores e por meio de uma demanda desenfreada de novos produtos a serem consumidos, chegamos hoje a um panorama preocupante onde as ações humanas resultam na possibilidade de uma possível extinção da própria espécie.

A cultura do consumo vem se estabelecendo por meio de diversas características sociais, hoje na visão de muitos é o sucesso financeiro e a capacidade de compra de bens materiais e serviços que acaba por definir o nível de felicidade de uma pessoa e a sua aceitação social. A partir da década de 40 principalmente no contexto do pós-guerra, os Estados Unidos iniciam diversas políticas e ações públicas e privadas que levariam a criar neste país a principal e mais desenfreada sociedade de consumo. Caso o nível de consumo global fosse igual ao norte-americano, o planeta terra só suportaria 1,4 bilhão de pessoas, lembrando que muito recentemente a espécie humana chegou ao número de sete bilhões. Nós atualmente já produzimos impactos ecológicos e demandamos da terra mais do que ela pode suportar, no entanto, os níveis de consumo são completamente desiguais de forma que os maiores responsáveis pela degradação, os países desenvolvidos, representam somente uma pequena parte da população mundial. Caso toda a população tivesse um nível de consumo baixo como o de diversos países africanos, a Terra poderia suportar até 13,6 bilhões de pessoas. Estes dados representam a disparidade do consumo global, de um lado sociedades com altos níveis de consumo que levam ecossistemas e os recursos globais para além de sua capacidade, do outro sociedades com níveis de consumo e desenvolvimento tão baixos que não são capazes de oferecer as mínimas condições para uma qualidade de vida digna.

Atualmente o consumismo tem chegado aos seus maiores níveis e esta cultura vem se disseminando muito fortemente, seja pelo processo de globalização e internacionalização das grandes companhias ou pelas próprias campanhas de marketing que tem grande relevância para este processo. Grandes empresas tem enormes gastos a fim de produzir através da propaganda uma verdadeira conexão emocional e psicológica entre produto e consumidor. Ao entrar em lojas e supermercados temos a sensação de que os produtos parecem pular das prateleiras em nossas mãos, dia a dia pelos mais meios midiáticos somos bombardeados com anúncios a fim de criar ou ampliar nosso interesse por determinada marca, produto ou serviço.

Agora mais do que nunca se tornou uma necessidade para a humanidade ua mudança da cultura vigente, como dispõe Erik Assadourian:

“Considerando os custos sociais e ecológicos trazidos pelo consumismo, faz sentido mudar intencionalmente para um paradigma cultural em que as normas, símbolos, valores e tradições estimulem apenas o consumo suficiente para a satisfação do bem-estar do ser humano, ao mesmo tempo em que direcionam mais energia humana para práticas que ajudem a recuperar o bem-estar do planeta.” (p.16)

Além da questão ambiental, a própria desigualdade social deve ser combatida em conjunto com a promoção da sustentabilidade, o que pode se observar é uma grande participação e interesse dos mais variados grupos sociais, organizações, governos e até mesmo empresas no sentido de promover uma sociedade ecologicamente sustentável. Este tema hoje está sendo amplamente debatido e questionado, mas somente através de medidas em conjunto é que poderemos transformar uma sociedade voltada ao consumo para uma sociedade voltada ao bem-estar humano e planetário.


[1] Lucas Jordani de Andrade é aluno graduando de Relações Internacionais da UNESP-Campus de Marília.

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