Reflexão sobre o Mundo Contemporâneo e a Crise Ambiental

Flávia Tortul Cesarino

 

Em história, quando estudamos o surgimento das primeiras civilizações, simultaneamente acompanhamos o começo da destruição do meio ambiente e da biodiversidade. Durante o feudalismo na Europa, por exemplo, milhares de árvores foram derrubadas e com isso, diversas florestas foram destruídas para dar lugar a pastos e principalmente a plantações de cereais e alimentos. Assim, desde o princípio, o homem nunca se preocupou em preservar a natureza, mas sim em como obter cada vez mais recursos da mesma. No mundo contemporâneo o mesmo ocorre, pois com o desenvolvimento da tecnologia, a forma de obtenção dos recursos naturais se torna cada vez mais simples, porém pouca tecnologia é destinada à preservação do meio ambiente. Mas porque isso? Porque a preservação da natureza não é importante para o desenvolvimento econômico e tecnológico? Por que o historiador fictício do filme “A Era da Estupidez” se pergunta: “Por que não nos salvamos quando tivemos a oportunidade?” É possível encontrar a resposta para estes questionamentos na reflexão de Erik Assadourian em seu texto “Ascensão e queda das culturas de consumo”, em que diz que “Os seres humanos estão cravados em sistemas culturais, são moldados e refreados por suas culturas e, quase sempre, agem apenas de acordo com as realidades culturais de suas vidas. As normas, símbolos, valores e tradições culturais que acompanham o crescimento de uma pessoa tornam-se naturais.” Observa-se através desta reflexão, que devido aos padrões de consumo estabelecidos, uma mudança da relação do homem com o meio ambiente e uma possível transformação dos hábitos de consumo são praticamente impossíveis, uma vez que esses padrões de consumo se encontram naturalizados, isto é, foram construídos socialmente, prova disso é o surgimento do próprio sistema capitalista, que tem como uma de suas formas de manutenção o consumo. Outro ponto importante é que grande parte das empresas, multinacionais, produtoras de alimentos, não estão preocupadas em preservar o meio ambiente pelo simples fato de que isso não gera lucro para as mesmas, e sim uma despesa a mais. Portanto, no sistema capitalista em que vivemos, o valor se encontra no lucro, no que se pode ter em troca, e isso também ocorre com os recursos naturais, que não deveriam ser tratados como mercadoria e nem como bens de consumo.

Para que seja possível um consumo sustentável, seria necessário uma mudança de hábitos, mas com um padrão de consumo fortemente enraizado, a única forma de modificá-lo seria se houvesse uma mudança de mentalidade em massa, e não de uma única pessoa, que houvesse também uma quebra das chamadas “monoculturas da mente” (termo cunhado por Vandana Shiva para designar a prioridade de uma cultura em detrimento das outras), um exemplo disso é o modo de vida capitalista que se impõe sobre outras culturas, como por exemplo a dos índios, que têm outro tipo de relação com a natureza, a respeitam, sua sobrevivência depende dela, mas não a destroem, encaram-na como algo sagrado. Por fim, conclui-se que enquanto a cultura em que vivemos continuar incentivando o consumo exacerbado, não será possível haver um desenvolvimento realmente sustentável. É necessária uma mudança de mentalidade, uma transformação da consciência para que a cultura seja reconfigurada de modo a abarcar um novo estilo de vida baseado num consumo consciente que saiba utilizar os recursos naturais de modo a não prejudicar o meio ambiente, pois o ser humano depende do mesmo para sua sobrevivência e destruí-lo só acelerará sua própria aniquilação.

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