MUNDO CONTEMPORÂNEO E A CRISE AMBIENTAL (E SUAS DIFERENTES FORMAS)

Rodrigo Gustavo Gobbi

De acordo com o tema sugerido para reflexão – “mundo contemporâneo e a crise ambiental” – em conformidade com o pensamento presente na carta do Chefe Seattle, no artigo de Erik Assadourian e no filme “A Era da Estupidez” é possível construir um pensamento que transporta a discussão até sua origem em um cenário estrutural, ou seja, poderíamos fazer uma série de “trocadilhos” com o título proposto que ainda assim todas elas transmitiriam uma idéia similar, alterando apenas o grau com que se apresentam diante do leitor.
Podemos começar por “Mundo contemporâneo e a ascensão do consumismo”, pois esta simples frase nos revela sua conexão direta (embora nem sempre percebida por um grande número de pessoas, nesse sentido estou me referindo a diferentes “níveis” de percepção) com o problema ambiental. Nos encontramos imersos em um sistema onde desde a mais tenra idade até os últimos momentos de nossas vidas somos constantemente bombardeados por informações, propagandas insinuantes que nos impulsionam no sentido do consumo, de uma forma de prazer imediato baseado na idéia de posse e poder.
Conforme exposto por Assadourian, a lógica do consumo implementada ao longo dos últimos quatro séculos não careceu apenas de uma reformulação das formas de pensamento em sua esfera imediata ou da necessidade. Pois a necessidade poderia existir e ainda o consumo ser recusado, antes de qualquer coisa foi preciso individualizar o consumo e o tempo, logo, consumismo e individualização estão diretamente conectados, as invenções dos últimos tempos nos mostram isso, do relógio de uso comum ao de pulso, do transporte coletivo ao carro e uma série de outros aparatos.
Em uma segunda brincadeira poderíamos dizer “Mundo contemporâneo e a
ascensão do individualismo”, conforme foi dito no parágrafo anterior a necessidade não necessariamente representa consumo, pois, somente o ser totalmente individualizado e desprovido de uma noção de espaço-tempo na qual saiba identificar sua posição, assim como suas responsabilidades diante de seus contemporâneos e das próximas gerações, somente este ser é capaz de esgotar os recursos existentes sem pensar nos demais seres vivos, e na possibilidade da continuidade da vida, ou seja, o consumismo também representa egoísmo em um outro nível de percepção. Reduz a vida ao imediato.
Em um terceiro instante poderíamos dizer “Mundo contemporâneo e a ascensão do capitalismo e valor de troca”. A organização do setor produtivo está diretamente ligada ao consumo, na medida em que a maquinaria possibilita elevar a produção muito além da demanda, então é necessário criar uma demanda falsa, o produto não mais é feito para o consumidor porém o que temos na verdade é o oposto. É possivelmente a partir dessa nova forma de necessidade, totalmente fetichizada e baseada no valor de troca que temos a origem da necessidade do consumo como fonte de realização das mais profundas
necessidades humanas, a frustração (que considero um fenômeno recorrente na modernidade, possivelmente um dos pontos presentes nas obras de Richard Sennett) somente pode ser explicada como a busca por algo que não pode ser alcançado, ou que está em movimento constante, sempre se colocando em novos patamares onde não pode ser alcançado, ou seja, o consumismo também representa frustração em um outro nível de percepção.
Como síntese dessas “brincadeiras” feitas com o tema proposto foi possível constatar uma coincidência, pois aquilo que chamei de “diferentes níveis de percepção” nada mais são do que aquilo que Chefe Seattle já havia constatado e exposto em 1854. Mesmo sem a compreensão que possuímos hoje (teoricamente moderna e avançada…) acerca das relações sociais, de um mundo conectado, etc. O Chefe Seattle já havia se dado conta que tudo está conectado, seja no plano material ou no plano das idéias, o pensamento é composto pela conexão de idéias assim como a vida só é possível a partir da interação de diferentes elementos, vivos ou não.

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