Questões socioambientais na contemporaneidade

Eduardo Messias de Oliveira

O processo de industrialização e urbanização dos últimos dois séculos e mais recentemente o aprofundamento do modo de produção capitalista com o avanço das políticas neoliberais, vem impondo padrões de consumo insustentáveis na sociedade, juntamente com a falta de espaços verdadeiramente democráticos, estes processos estão causando um aumento dos conflitos socioambientais e intensificando a exploração do homem e da natureza.
As dificuldades e barreiras para o debate das questões ambientais contemporâneas são os grandes meios de comunicação tradicionais, como a televisão, o rádio, os jornais, as revistas e outros, que estão a serviço das classes dominantes, tanto política quanto econômica, pois reproduzem e incentivam a todo o momento a cultura do consumismo.
Enquanto as políticas dos governos e o discurso da mídia estiverem voltados aos interesses da lógica capitalista, fica difícil colocar na ordem do dia questões como democracia real, sustentabilidade e direitos humanos, pois este sistema se sustenta na exploração de pessoas e dos recursos naturais, passando ser apenas um debate fictício e apropriado, pois a base dos problemas socioambientais são os atuais meios de produção.
A construção de indivíduos consumistas começa logo na infância com a publicidade, principalmente aquelas veiculadas pela televisão, como de roupas, brinquedos e alimentos que vem construindo a subjetividade de nossas crianças, que no futuro se tornaram pessoas cada vez mais consumistas. A infância vem sendo encurtada, pois a vida adulta chega cada vez mais cedo e com a possibilidade de maior longevidade devido aos avanços das ciências relacionadas com a saúde, por exemplo, nos coloca a seguinte questão, como o planeta vai suportar indivíduos cada vez mais consumistas nas próximas décadas?
Em tempos de escassez e alta nos preços de algumas matérias primas pela intensa ação antrópica na natureza, a reciclagem surge então como uma forma de fazer circular estas para a indústria capitalista, diminuindo os custos de produção e melhorando a imagem das empresas quanto ao uso dos recursos naturais, possibilitando uma reinvenção do sistema.
Uma verdadeira sustentabilidade ainda não se encontra eco e pode apenas ser virtualmente praticada nas empresas, apesar de algumas praticarem de forma honesta o chamado “marketing verde”. O paradoxo se instala, porque se o marketing serve única e exclusivamente para aumentar a demanda, como ele pode ser sustentável num mundo onde o excesso de consumo está literalmente destruindo o planeta?
O capitalismo vem se apropriando do discurso da sustentabilidade defendido pelos movimentos ambientalistas para tirar o peso da consciência dos consumidores com relação ao consumismo desenfreado, aos descartáveis, a obsolescência programada e psicológica das mercadorias, colocando em suas campanhas publicitárias que os produtos são ecologicamente responsáveis e que não causam impactos ao meio ambiente, um processo que acaba tendo o efeito contrário, pois estimula a continuidade deste atual padrão de consumo.
As crianças e os jovens que crescem na cultura do consumismo conseguem reconhecer com facilidade os logotipos de inúmeras marcas de produtos industrializados, mas não reconhecem e não sabem dizer, por exemplo, o nome de algumas frutas e legumes que são muito comuns no nosso dia a dia, mostrando então que o consumismo afasta os humanos da natureza, produzindo um mundo cada vez mais artificial e sem sentido.
As grandes dificuldades e obstáculos para popularização das soluções dos problemas socioambientais passam pela falta de espaços verdadeiramente democráticos, as questões culturais e de resistência às mudanças, as prioridades das populações, pois muitos estão preocupados com outros problemas, como o desemprego, a fome, a violência, que são produtos das desigualdades sociais, enquanto que as questões de sustentabilidade como as relacionadas com a reciclagem e o uso de energias mais limpas ficam em segundo plano.
Assim, dentro da lógica do modo de produção capitalista, os projetos de reciclagem como a coleta seletiva, campanhas de redução do consumo, proibição do uso de sacolas plásticas, por exemplo, apenas minimizam os problemas socioambientais, pois não atacam a raiz do problema. A crise ecológica, para ser superada, exige um outro perfil de cidadãos , com outra mentalidade, mais sensível, mais cooperativa e mais espiritual, possibilitando a desconstrução principalmente da ideia positivista do “progresso” científico tecnológico, que não corresponde a um verdadeiro “progresso” humano.
As possibilidades de soluções para os problemas socioambientais seriam uma radicalização da democracia com a participação dos movimentos sociais, através principalmente de novos meios de comunicação, como as redes sociais que coloca o cidadão como um agente mais ativo na produção, compartilhamento e acesso ao conhecimento, sem intermédio dos grandes monopólios da atual imprensa tradicional, possibilitando em longo prazo a construção de um novo estilo de vida mais sustentável.

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