O mundo contemporâneo e a crise ambiental

Eder Ludovico de Matos

            A revolução tecnológica criou um perigo sem precedentes para o meio ambiente e para a autodestruição humana. As políticas ambientais voltadas às práticas de conservação, desenvolvimento sustentável e uso inteligente dos recursos naturais foram quase imperceptíveis.

            A ecologia é hoje reconhecida como uma disciplina científica, e examina a relação dos seres vivos com seu ambiente. Como parte do ambiente, os seres humanos são interdependentes com outros organismos vivos, bem como com o ar, água, e solo. Nossas atividades não podem ser separadas do nosso entorno.

            A população mundial passou neste ano de 7 bilhões de pessoas, e estudos indicam que até 2075 ela poderá atingir os 30 bilhões. Mesmo com maiores esforços de planejamento, o crescimento substancial da população está previsto.

            Devido ao aumento da população, consequentemente haverá um aumento na demanda por alimentos e outros recursos, tais como combustíveis, metais e produtos químicos, além da água, principal recurso à vida humana. Sabemos que esses recursos estarão mais limitados, difíceis de se extrair, e requerem maior sofisticação de consumo. Em muitos casos, é provável que a demanda por recursos seja maior que a oferta. Por exemplo, embora os combustíveis fósseis sejam a fonte dominante de energia no mundo, seus depósitos são finitos. Dada a taxa atual de consumo, suprimentos mundiais de petróleo acabarão ainda neste século.

            Além dos problemas de crescimento da população e dos recursos disponíveis, ainda enfrentamos um problema de deterioração ambiental. O uso irresponsável dos nossos recursos para a produção, e o produto final causam impacto no meio ambiente. Por exemplo, as fábricas de celulose e papel contaminaram os rios e córregos por muitos anos devido à descarga de mercúrio.

Hoje, felizmente, o mercúrio não faz parte da produção de papel ou não é descartado nos rios durante a produção, e cada vez mais o papel consumido é reciclado.

            Os efeitos da deterioração ambiental atravessam as fronteiras nacionais. Descargas de óxidos de enxofre, dióxido de carbono, e outras substâncias contaminadoras das fábricas ameaçam a saúde dos indivíduos e causam mudanças climáticas no mundo inteiro. Vazamentos de óleo a partir da atividade petrolífera colocam em risco todo o ecossistema marinho mundial. Também ainda temos  os pesticidas que ameaçam o solo e os rios de várias partes do mundo.

            Muitas vezes consideramos a qualidade do meio ambiente limitada aos problemas mais visíveis de poluição atmosférica, poluição da água (como o rio Tietê), e descarte de lixo sólido. Entretanto, é muito mais. É a qualidade da própria vida. Nós deveríamos aprender a importância da preservação da natureza para a qualidade de vida que nós desejamos e que desejamos para as futuras gerações. Como o Cacique Seatlle escreveu na carta ao presidente americano: “o ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro – o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro”.

            O consumo em si é essencial para toda forma de vida. Todos devemos consumir ar e água para nos mantermos vivos. O maior problema para a natureza é o consumo em excesso, alterando o equilíbrio natural do planeta. Além de consumir muito mais do que precisamos, acabando com os recursos naturais, nos deparamos com o problema da produção de lixo. Levando em conta que a maior parte das cidades de todo mundo não depositam adequadamente todo o lixo produzido, isso gera um enorme impacto ambiental.

            Como Ekik Assadourian afirma sobre o consumismo: “[…] faz sentido mudar intencionalmente para um paradigma cultural em que as normas, símbolos, valores e tradições estimulem apenas o consumo suficiente para a satisfação do bem-estar do ser humano, ao mesmo tempo em que direcionam mais energia humana para práticas que ajudem a recuperar o bem-estar do planeta”. Da mesma forma como deveríamos mudar nosso paradigma cultural de consumo, não podemos esperar somente dos governos a solução para o lixo, é da responsabilidade de todos a preocupação com o lixo produzido, o seu descarte adequado, como a separação e o encaminhamento para reciclagem dos materiais recicláveis, e até mesmo a reciclagem do lixo orgânico, pouco discutida, porém muito importante para o ambiente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ASSADOURIAN, Erik. Ascensão e Queda das Culturas de Consumo – Estado do Mundo, 2010: estado do consumo e o consumo sustentável / Worldwatch Institute; Introdução: Muhammad Yunus. Organização: Erik Assadourian; tradução: Claudia Strauch. Salvador, BA: Uma Ed., 2010. 298 págs. 1ª edição.

ARMSTRONG, Franny. A Era da Estupidez. Reino Unido: Dog Woof Pictures, cop. 2009 (89 minutos).

Carta do Cacique Seattle ao Presidente Norte-americano – Texto de domínio público distribuído pela ONU.

 

 

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