Mundo Contemporâneo e a Crise Ambiental

 

Aline D’Império


Das questões que permeiam este início de século XXI, sem dúvidas a crise ambiental é a que vem ganhando mais espaço e abordagem. Palavras como aquecimento global, sustentabilidade, responsabilidade social/ambiental nunca antes se fizeram tão presentes em nosso cotidiano, dada as terríveis alterações do meio ambiente.

Entre as possíveis atribuições que poderíamos fazer ao que hoje estamos vivendo, talvez o paradigma do consumismo e do homem habitando por iniciativa própria em uma relação de poder sobre a natureza, é o que venha dar mais sentido.

A luz do advento do progresso e da técnica, passamos por intensas modificações que se fizeram refletir não só no modo como agimos, mas principalmente no modo como pensamos e encaramos o mundo. O problema reside exatamente aí. Os avanços técnicos seguem em um ritmo tão acelerado que nossa consciência não é capaz de acompanhar as mudanças e se voltar para si mesma e perceber que atingimos um estágio de interferência em nosso ambiente que não mais pode ser superado. Juntamente a isso temos um consumismo exacerbado que atua como uma forma de compulsão sobre homens e mulheres dando uma falsa sensação de satisfação. Bens de consumo obsoletos, facilmente descartáveis vão sendo a todo instante substituídos por novos, mais modernos, mais evoluídos.

            Pode-se dizer que uma tomada de consciência no que tange o pensamento do homem sobre as questões ambientais tem-se feito presente, porém estamos muito longe de que essa tomada de consciência venha a modificar a forma de agir tanto individualmente quanto coletivamente. O que parece é que temos uma falsa tomada de consciência. Temos como exemplo disso o grande evento SWU realizado durante dois anos consecutivos, e tendo como foco fazer entretenimento de forma sustentável. A dúvida que se faz presente é, “sustentável para quem?”. E temos essa pergunta como base uma vez que dentro de um festival que tem sustentabilidade como temática é no mínimo incoerente se encontrar água sendo vendida a quatro reais, além de a cada lata de cerveja vir com um copo plástico, e como se não bastasse isso, uma organização que não se preocupou em distribuir latas de lixo em quantidade suficiente para atender cinqüenta mil pessoas.

            São contradições como essas que continuam permitindo a ação que os homens têm sobre a terra sem se darem conta do grande desequilíbrio ecológico causado. Usar sustentabilidade como oportunidade de marketing vem afirmar essa falsa tomada de consciência que na verdade atribui a problemas como esse algum tipo de valor econômico.

            A frase “È o final da vida e o início da sobrevivência.” do cacique Seattle ao Presidente Norte Americano frente a proposta da compra de grande parte de terras indígenas em 1854, não poderia fazer mais sentido no atual contexto. É exatamente uma questão de sobrevivência, o que nos resta é contornar a crise ambiental uma vez que essa já não pode mais ser liquidada.

            Por uma questão de experiência, claramente sabemos que mudanças de atitude não são fáceis principalmente quando temos a Cultura do consumismo introduzida em nosso dia-a-dia. É por isso que o homem contemporâneo precisa estar ciente de seu papel e da forma como utiliza seu poder, porque se viver do jeito que estamos vivendo tem causado essa terrível situação irreversível, então algo está errado na forma como estamos lidando com nosso bem mais precioso, com nossa qualidade de vida. Embora estejamos vivendo mudanças pequenas e graduais não é possível que nos contentamos com isso, é preciso mais. Se fomos nós quem criamos essa situação que tratemos de achar uma saída.

 

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One response to this post.

  1. Posted by Lamarck Oliveira on 6 de dezembro de 2011 at 11:26 PM

    Como disse Palmer Joss (filme contato, 1997), “A humanidade busca um significado, compramos mais na web, navegamos, mas nos sentimos mais isolados que em nenhum momento da história….qual o significado que procuramos?”. Isso é sério, muito sério. As pessoas compram sem necessidade, produzem um lixo irreciclável e nada fazem para compensar a poluição que geram. O nosso mundo caminha para um abismo, e só temos ele, estamos presos a ele, nós, a espécie humana. Encontrar outro planeta? Fácil. Ir até lá? Ficção. E se formos? Poluir e depois procurar outro? e outro?…Viajei. Vamos pensar na Terra. Responsabilidade com nosso acolhedor lar.

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