O MUNDO CONTEMPORÂNEO E A CRISE AMBIENTAL

GIOVANNI PIZZIGHINI

 

Um tópico extremamente fundamental para se entender a situação do meio ambiente hoje é relacioná-lo com a globalização. Desde o afrouxamento das fronteiras e a diminuição do tempo e espaços físicos, a relação entre os Estados aproximou ainda mais seus próprios interesses, assim potencializando as transações comerciais e as políticas de colaboração para gerar lucratividade entre os países e o aumento do faturamento, tudo à favor do comércio e do lucro.

Dessa forma, há exploração dos recursos em todas as partes do mundo, e quem acaba sofrendo, não é o homem, não são os Estados, mas sim o Meio Ambiente. O descaso do ser humano com a natureza se vê cada vez mais aparênte, de forma gradual transformando-a em um escravo do homem, para que este seja capaz de gerar mais lucro e dinheiro.

A transformação das paisagens mundiais, que se vê desde a exploração do homem na América a partir do final do século XV, mostra que a preocupação com o meio ambiente não era nem sequer um assunto a se considerar durante anos. Essa preocupação apresenta-se hoje, com o aparecimento de organizações não-governamentais e políticas Estatais em prol do meio ambiente, devido o desgaste já sofrido pela natureza e o reconhecimento do homem, seja por parte de perceber que um dia, os recursos acabam e a possibilidade de gerar todo o lucro gerado até hoje será ínfima; ou pelo fato mesmo do homem ter se iluminado com as catástrofes naturais, geradas por conta de um clima instável que, de acordo com certas teorias, por conta do aumento da temperatura do globo, gera fenômenos climáticos cada vez mais potentes e destrutivos.

Tudo isso está sendo levado em conta, mas estaria mesmo o ser humano agindo de forma à viver descentemente com o meio ambiente, respeitando seus limites, e tendo o cuidado de perceber que ele é parte da natureza, e não o contrário? Essas foram as palavras do Cacique Seattle, no Estado norte-americano de Washington, que ao ser oferecido dinheiro em troca de sua terra, questionou o comportamento do homem branco em relação à natureza, e qual era o propósito real do homem com a terra? Fazê-la de fonte de lucro ou simplesmente mais uma porção “infinita” no espaço terrestre, que não teria importância para questões de sustentabilidade? Não somente por parte da exploração, mas a urbanização que o branco construiu sobre a Terra também foi um fator de dúvida para o Cacique, que por toda sua vida viveu em meio à natureza de forma serena e natural, pura e simplesmente atuando de forma condizente com que o meio mereceria ser tratado.

Hoje, com o mundo em um estado que não voltará a ser nem sombra do que era a pelo menos quinhentos anos atrás, nos põe sobre a análise de que o homem sempre gerou mecanismos de sobrevivência usando a natureza para si. Mas faltou reconhecer que um dia, essa natureza poderia se tornar menos produtiva para ele e colocaria sua existência em cheque. Agora, com o meio do capitalismo de gerar lucro, a palavra que define a busca do homem por esse mesmo lucro chama-se consumo.

Fazer o homem consumir cada vez mais tem feito com que os meios de produção trabalhassem em ritmo frenético, exigindo com que necessitem cada vez mais e cada vez em mais quantidade dos recursos oferecidos pelo meio ambiente. Esse método de exploração gerou o que hoje podemos chamar de “Cultura de Consumo”, muito bem colocado pelo autor Erik Assadourian, em seu livro “Ascensão e Queda das Culturas de Consumo”. Sua ascensão se tornou possível com as revoluções industriais, que fizeram com que a tecnologia evoluisse de forma a tornar a vida do homem mais prática, e a vida da natureza mais árdua. Continuamos a ver um quadro de desgaste no meio ambiente, e se isso não for levado em conta, teremos o fim dessa cultura de consumo por escassez de recursos de todos as formas, desde vegetação até a própria água.

A água, que infelizmente, também tornou-se um bem de consumo, a fim de gerar lucro. Isso é um ponto em que o homem tem falhado em avaliar de forma estúpida e inconsciente, pois ainda acha que por conta da Terra possuir 70% de seu território coberto por água (salgada, diga-se de passagem), seria um recurso inesgotável, assim como a terra questionada pelo Cacique Seattle. Este ponto também foi ponto de referência no filme “A Era da Estupidez”, em que traz à tona a incapacidade do homem de gerar um ambiente coletivo com a natureza, cada vez mais agindo em prol de seus interesses e perpetuando ações que degradam cada vez mais o meio. Outros ponto tão importantes quanto a água também são direcionados no filme, como a poluição, em que multinacionais exploram territórios no mundo inteiro, colocando em risco a vida de populações habitantes de áreas afastadas de centros urbanos, assim como o petróleo, bem de consumo que hoje tem sido o principal inimigo das fontes de energia sustentável, tamanho o lucro que gera para grandes incorporações e Estados. Além de que o aquecimento global pode ter sido a consequência do aumento de  poluição no planeta, assim fazendo com que a temperaturas dos mares e de correntes marítimas façam com que os fenomênos naturais causem severos desastres, como por exemplo da intensidade dos furacões e o surgimento de desertos em lugares onde teriam lagos e mares.

Enfim, essa conjuntura pode ter um caminho melhor do que se tem hoje, se caso as políticas de conscientização ao Meio Ambiente se fazerem presentes ao lado de interesses comerciais, também notado no filme. O caminho para um desenvolvimento sustentável põe a evolução do homem à prova, mostrando que se ele conseguiu potencializar o mundo com sua tecnologia, com sua capacidade de raciocínio, por que não em pleno equilíbrio com a natureza, de forma a perpetuar a existência de ambos para sempre? O caminho para essa sustentabilidade existe, só cabe ao ser humano tomá-lo.

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