ÂNSIA

Kátia Regina A. V. Miche


 

“Nunca se esqueçam de como era a terra quando tomaram posse dela”

 

Arados mecânicos, adubos químicos, pesticidas potentes, práticos tratores, preciosas colheitadeiras, processos de irrigação, sementes seletas, manipulações genéticas.

As plantas crescem rápido, resistem mais, mas existem menos. Os avanços extinguiram doenças e criaram novas raças de animais, a revolução técnica aumentou a produtividade, os áridos e semi-áridos tornaram-se cultiváveis. Os homens estão olhando as máquinas trabalharem.

A modernização da agropecuária é uma subordinação aos capitais industriais e financeiros, valoriza-se a terra e aprofunda-se a concentração fundiária; Na tentativa de se converter o solo em mais uma indústria, olvidamos que a principal diferença entre os dois é o limite natural da terra, e sua produtividade depende do meio, do clima, do tempo dado, não do tempo corrido.

O solo perde nutriente, precisa ser tratado. A indústria mantém a produção e não pega pragas.

Cria-se uma dependência da agricultura a combustíveis e eletricidade, o campo torna-se um imenso mercado consumidor, o agronegócio impõe uma corrida de maximização dos lucros e vantagens comerciais, cresce a concorrência e cultivam-se especializações.

Um mundo de necessidades é produzido, mas as essenciais são negadas.

 A proliferação de monoculturas modernizadas molda um mundo de “fome”, as oscilações da economia mundial prejudicam o país dependente de exportações, a preocupação exacerbada com a produção de alguns alimentos impede a construção de um mercado interno sadio e aumenta importações.

São produzidos alimentos em excesso, são produzidos desnutridos em excesso em diversos países do mundo. Tal fator, subalimentação, está diretamente ligada a pobreza, à “geografia da riqueza” e a forma como os alimentos são produzidos.

A carência e a escassez são programadas para serem um “bem econômico”, a “abundância” não tem valor. Os recursos Naturais estão nas vitrines das lojas.

A expansão das terras cultivadas não visa suprir um consumo interno saudável e o mau uso da tecnologia, com seus agroquímicos, pesticidas promovem a degradação, o desgaste, a desertificação a erosão dos solos, a substituição da vegetação natural, a irrigação descontrolada, e Ameaçam a diversidade biológica e cultural, por suas repercussões sobre as paisagens e os ambientes.

Assim, considerando-se o “A ao Z”, nós, seres humanos, fazemos nosso redor poeira. Esquecemos das diversidades, expulsamos pessoas de seus habitats, desmatamos e matamos, geramos violência.

Pensamos global, local ou individual? Seria Agro…cultura,química, negócio, mania, vida?

As pessoas são condicionadas a viver em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade centrada na fábrica de indivíduos ajustados e conformados. A satisfação de seus prazeres dissipa suas carências. As crianças crescem no modelo de consumo, o padrão é a relação entre consumidores e os objetos de consumo.

A cultura do consumo é naturalizada, a vida é banalizada.

A terra é mercadoria, a tradição é mercadoria, a bioprospecção é projeto. A biotecnologia é sustento, a Engenharia Ambiental não cuida do ambiente. O conhecimento é mercadoria, o conhecimento é propriedade privada.

Na Ânsia de ser “partida” esquecemos a “chegada”, nem partida nem chegada são em si, mas sim um o estado imediato do outro, e, portanto, um a negação do outro, em um vir-a-ser travessia.

Estamos esquecendo a travessia, desconsiderando o futuro, vivemos a realidade estúpida do imediatismo ou da eterna possibilidade de mudança.

Esquecemos o saber ancestral e muito do que é o ser, do tempo natural, restou o tempo “transgenicamente modificado”.

 Esquecemos o que foi escrito cerca de 154 anos atrás pelo Cacique Seattle de que cuidar da manutenção do meio ambiente é velar pela manutenção da vida.

 

“A natureza é riqueza e não simplesmente recurso.”

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