Sociedade de Consumo

Silvia Batista Nunes

 

“Sociedade de consumo, é um termo utilizado para designar o tipo de sociedade que se encontra numa avançada etapa de desenvolvimento industrial capitalista e que se caracteriza pelo consumo massivo de bens e serviços, disponíveis graça a elevada produção dos mesmos”.(wikipédia)

Depois da grande Crise 29 e da Segunda Guerra Mundial, a sociedade capitalista industrial se encontrava em uma crise de mercado e como reação a esse momento J. M. Keynes propôs um novo modelo de mercado baseado no consumo.
O problema desse sistema baseado na exploração é sua finitude. Tal sistema se baseia no esquema de extração-produção-distribuição-consumo-descarte, um sistema linear que não visa o reaproveitamento ou a duração de produtos. Sem uma alteração nesse esquema em pouco tempo recursos naturais se esgotarão e ainda, os impactos ambientais, já sentidos intensamente em todo o planeta, poderão se tornar cada vez maiores, dizimando ainda mais vidas.
A solução para tanto deveria vir dos Governos, das alterações de políticas publicas, de um governo voltado para o povo, para seu bem estar. Uma proposta que parece simples, já que teoricamente o Estado governa para e pelo povo, mas que acaba esbarrando nas grandes corporações. Atualmente, essas corporações controlam 51% de todo o rendimento mundial e os Governos se curvam a seus interesses por dependerem de seu capital, de novo voltamos a Sociedade de Consumo. As economias de grande parte do mundo se baseiam no mercado, ou seja, os governos dependem da presença dessas empresas em seu território para estimular sua economia.
O impacto ambiental que tais corporações causam não pode ser facilmente revertido. O esquema de exploração acaba não só tento conseqüências ambientais como também sociais.
As grandes corporações extraem os recursos naturais em todo o mundo, a retirada desses recursos acaba com os meios de subsistência das pessoas que habitavam as áreas exploradas e que são obrigadas a se retirar atrás de oportunidades de emprego, indo para as cidades estas acabam servindo a essas mesmas empresas como exercito de reserva. A conseqüência é uma multidão de pessoas disposta a trabalhar por condições mínimas e pequenos salários, o que os leva ao processo de periferização.
Essa condição faz parte da exteriorização dos custos de produção, outra medida encontrada pelas grandes empresas para baratear esse processo é terceirizar os serviços e espalhar componentes de suas fabricas pelo mundo, assim, alem de tudo poluem um território que não é o seu.
Governos e corporações enquanto dependentes desse sistema lutam para proteger o consumo. Portanto, os produtos que compramos e que somos estimulados a consumir já são pensados para não durar! A esse processo chamamos obsolescência planejada e obsolescência perceptiva.
A obsolescência planejada é parte das empresas que já produzem seus produtos para que não durem, não tenham peças para reposição ou para que o reparo seja tão caro que seja mais proveitoso adquirir um novo produto.
Para se ter idéia do tamanho desse consumo, apenas 1% de tudo que é consumido nos EUA não vai para o lixo em 6 meses!
A obsolescência perceptiva nos é “imposta” diariamente pela mídia, em nossa sociedade quem não contribui para a sociedade de consume não é importante, nosso valor depende do quanto consumimos. A mídia nos incentiva todo dia ao consumo dizendo que estamos errados, que somos feios, que não fazemos parte, mas existe um meio de se enquadrar: consumir. Portanto, obsolescência perceptiva é quando você tem um produto em perfeito estado, que serve aos seus propósitos e as suas necessidades, mas você se vê obrigado a comprar um outro produto que serve aos mesmos propósitos, que faz as mesmas coisas, porém, é mais novo, mais moderno. E se você insiste em ficar com seu produto antigo, você está errado e não faz parte.
A mídia nos fez entrar nessa espiral. Trabalhamos tanto para nos manter consumindo que não temos tempo livre e o pouco que temos passamos na frente da televisão, com videogames ou no computador e somos bombardeados por comerciais que nos incitam ao consumo e para consumir mais somos obrigados a trabalhar mais, é um circulo vicioso infinito. Desde a sociedade feudal que as pessoas não tem tão pouco tempo livre!
Enfim, todos esses produtos que consumimos e descartamos acaba no lixo, diretamente aterros ou são incinerados e então aterrados, não são descartados de maneira correta e nem em local adequado, poluem o solo, a água e o ar. A solução para amenizar esse problema seria a reciclagem, que além de reduzir o problema do lixo e criar mais empregos, ainda reduziria o processo de extração.
Mas a mídia não nos mostra todo o problema, não sabemos de onde vem às coisas que consumimos, quem as produz, em quais condições e nem para onde vão. É extremamente necessário se conscientizar, enxergar o panorama geral do processo de produção de produtos. Mais importante ainda é a alteração do sistema linear de produção para um sistema cíclico, onde ao ser descartado um produto não virasse lixo, mas fosse reaproveitado para que a diminuição da extração mineral fosse efetiva, as pessoas desabrigadas pelo extrativismo pudessem manter sua vida no campo, sem um exercito de reserva os salários pagos e as condições de trabalho seriam melhores e etc…É claro que são suposições, mas porque não idealizar uma vida sustentável, sadia e justa para todos?
“Existe uma nova escola de pensamento baseada na sustentabilidade, equidade, químicas verdes, zero resíduos, produção em ciclo fechado, energia renovável e economias locais vivas”.(A história das coisas)

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