Os números da Reforma Agrária.

Alex Arbarotti

Nesta semana a revista Carta Capital trouxe uma reportagem que realiza um balanço da situação da Reforma Agrária no Brasil. A constatação é tão alarmante que o titulo da reportagem está sob o titulo: Reforma Agrária, descanse em paz.

 O fato que mais chama atenção é que o Brasil vive sob o nono ano de um governo petista que historicamente esteve ligado aos movimentos sociais. Dados produzidos pelo Instituto Socioeconômico (Inesc) a pedido da revista dão conta de que os gastos efetivos com distribuição de terra declinaram no segundo mandato do governo Lula e continuam a cair nos primeiros meses de Dilma.

O que mais chama atenção é o dado que revela que o índice de concentração de propriedades é maior que o período da ditadura. O índice de Gini, em 1967, era de 0,836 e em 2006 (último dado do IBGE) era de 0,854. (No índice de Gini quanto mais perto de 1,0 mais concentrado)

Outro dado revela que as propriedades, com menos de 10hectares, ocupam 2,36% do total de terras, embora representem quase metade, 47, 86%, dos estabelecimentos rurais. Já o latifúndio com mais de mil hectares controlam 44, 42% das terras e não representa nem 1% dos estabelecimentos rurais.

O auge dos investimentos agrários da última década aconteceu em 2005, quando estourou a crise do chamado mensalão. Foram aplicados 1,9 bilhão de reais na obtenção de terras e 529 milhões na instalação de assentamentos. A partir daí os gastos voltaram a ser declinantes. E nos sete meses de governo Dilma, até 22 de julho, gastou-se 9,7% dos 530 milhoes de reais autorizados para a obtenção de imóveis rurais.

Assim percebe-se que a terra em vez de ser distribuída está sendo concentrada. As medidas político-econômicas do governo, segundo especialistas, privilegiam ações focadas na agricultura familiar, como o Pronaf ou o recém lançado Brasil Sem Miséria. Diante disso Edécio Vigna, cientista político do Inesc, avalia que não há uma proposta do governo para reforma agrária. Observando os gastos da década, pode-se afirmar que só há atendimentos pontuais, de acordo com a pressão dos movimentos sociais em cada época.

Fonte: Carta Capital de 3 de agosto de 2011

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2 responses to this post.

  1. […] Veja também: Os números da Reforma Agrária […]

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