Visita ao assentamento: um relato.

Alex Arbarotti

No último final de semana, 11 e 12 de junho, o CPEA realizou visita ao assentamento Reunidas em Promissão-SP. Este assentamento se destaca por ser o maior do estado, com cerca de 17.000 ha e 634 famílias distribuídas em 10 agrovilas. O INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) distribuiu as famílias de acordo com a cidade ou região de destino, a saber: Agrovila Central: 98 famílias; Agrovila 44: 101 famílias; Agrovila Birigui: 78 famílias; Agrovila Bonifácio: 80 famílias; Agrovíla Campinas: 79 famílias; Agrovila Penápolis; 83 famílias; Agrovila São João ou Promissão 30 famílias; Agrovila Cintra ou Promissão: 31 famílias; Agrovila do trevo ou São João: 42 famílias; Grupo dos 12: 12 famílias. Totalizando 634 famílias assentadas.

O Objetivo desta visita foi proporcionar aos alunos de ciências sociais da Unesp de Marília a oportunidade de conhecerem e descobrirem o que realmente acontece nos assentamentos, como é a vida cotidiana, como são as festas, a convivência e a produção. Participaram da visita 95 alunos e três professores. Devida às grandes proporções do assentamento a visita se concentrou na agrovila de campinas. Os alunos ficaram alojados no barracão da antiga cooperativa e também montaram barracas em seu entorno.

A visita seguiu basicamente o seguinte roteiro. Foi realizada uma conversa com os assentados na capela do local. Essa atividade foi toda organizada pelos assentados que passaram um vídeo sobre a agrovila e falaram sobre o processo de luta e depois responderam a perguntas dos alunos. Logo em seguida os alunos foram até o lote de seu João Martiniano. Seu João e sua esposa dona Francisca são duas grandes personagens da luta pela terra. O bate papo com seu João e dona Francisca de pé a porta da sala com os alunos espalhados em seu terreiro é uma verdadeira aula magna. Nele os alunos vêem toda teoria encarnada e muitos se comovem com a partilha da experiência daqueles que viveram e doaram suas vidas por uma causa.

Na noite do sábado, organizada pelos membros assentados da comunidade Padre Josimo, na agrovila campinas, foi realizada uma quermesse. A festa tem o intuito de integrar os universitários e os assentados. A comunidade se mobilizou um mês antes para organizar esta festa esperando os alunos. Segundo Lourdes a vista é muito importante porque  eles, os assentados, podem mostrar o que não aparece na mídia sobre o movimento. Ela disse: “Aqui não é só tragédia, nos fazemos festa, trabalhamos, plantamos. Tem vida aqui no assentamento. Mas a mídia só mostra as coisas ruins”.

No domingo pela manhã os alunos foram até um acampamento próximo que está acontecendo. Lá eles puderam perceber a diferença entre assentamento e acampamento e um pouco da experiência política que envolve o acampamento.

Por fim na tarde do domingo cada grupo foi atrás de realizar entrevistas com assentados para perceberem os varias aspectos e a dinâmica que acontece no assentamento.

Este relato, praticamente formal, tem a pretensão de registrar o fato ocorrido e de nenhuma forma esgota a experiência riquíssima que se teve nestes dois intensos dias. Com certeza cada aluno teve a oportunidade de captar a sua maneira a vida no assentamento. O ponto comum entre as experiências talvez seria a quebra de preconceitos e o sentimento de satisfação por ver tanta vida, alegria e satisfação.

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2 responses to this post.

  1. minha agrovila e nada mais q maravilhosa
    adoro morar la

    Responder

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