Onde está o problema do código florestal!

Alex Arbarotti

A sociedade atual ainda respira a ideia cartesiana de ciência e todas as suas consequências. Depois de tempos de fragmentação a humanidade perdeu a capacidade de se pensar em um todo. É fato que a produção de conhecimento aumentou, mas cada vez mais sabemos mais de cada vez menos. Estamos em uma sociedade produtora de ausências. Elas, porém, sempre existiram, mas a contemporaneidade alargou isso de tal maneira que acabou por produzir especialistas ignorantes.

Para exemplificar isso tomemos como exemplo o problema da fome. No senso comum é pensado que a fome existe por falta de alimento, mas não é verdade. Atualmente a produção é maior que a necessidade, entretanto o modelo agrário agrícola implementado não visa a alimentação, mas sim o lucro. Esse modelo por sua vez causa a fome e a insegurança alimentar, visto que está baseado na monocultura, na exportação, no grande uso de fertilizante, no uso de sementes transgênicas e de tecnologias ligadas ao grande capital.

Esses elementos não acabam somente com a diversidade biologia, mas é responsável pela homogeneização da multiplicidade cultural. Modos diversos de percepção do território e do tempo são legados a apenas uma: a do capital. Esta por sua vez é abstrata e tem como característica a sua velocidade frenética, o foco na acumulação de dinheiro e a visão da natureza como recurso para obtenção de riqueza.

Todos esses elementos ficam encobertos pela visão fragmentária a que estamos submetidos. A humanidade que levou milênios para se constituir com múltipla, diversa e plural está a mercê da lógica do capital que quer homogeneizar tudo e todos produzindo um ser humano transitório, fugaz, efêmero e fragmentado. Um ser humano mimético incapaz de inserir algo ao real, fechado em um projeto único.

A mudança do código florestal demonstra que as discussões que os governos travam sobre a temática ambiental não saem do nível da superficialidade e estão influenciados por essa visão fracionada da realidade. Assim as medidas não saem do nível do paliativo e não são capazes de fazer a diferença e não conseguem produzir mudanças no rumo do planeta e da vida na terra. Falta um projeto com visão holística do mundo e que leve em consideração as multiplicidades de saber, de perceber o tempo e o território. Um projeto que desperte nas pessoas o nó de relações em que estamos envolvidos com o planeta, os animais, as plantas, ou seja, todos os organismos vivos.

Urge a necessidade do florescimento de uma nova civilização pautada nos valores éticos de respeito e dignidade e que a beleza esteja em viver em comunhão com a natureza e com as diferenças e a busca não seja por dinheiro e acumulação, mas por uma humanidade plena. É urgente descortinarmos nossos olhos, pois estamos a alguns passos de um abismo que pode não ter volta.

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One response to this post.

  1. Congratulações

    Atenciosamente,

    Responder

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