Energias renováveis x produção de alimentos: Qual o caminho?

Cassia Lussani

A temática relativa aos recursos energéticos renováveis e limpos ambientalmente ganhou grande visibilidade na atualidade. Vários estudos estão sendo estimulados para tratar dos problemas que surgem com essa mudança do padrão de proveniência da energia. A diminuição da emissão de CO2 assim como a necessidade de se encontrar novos meios sustentáveis e que não sejam recursos energéticos de curto prazo de alcance se tornaram pauta dos noticiários como de órgãos de pesquisa públicos e privados.

Em reportagem* do dia 22 de fevereiro vinculada a Folha de São Paulo (versão digital), publicou-se que, segundo estudo do Banco Mundial, para se reduzir a emissão de CO2 no Brasil até 2030 seriam necessários em torno de 400 bilhões de dólares em investimentos.

Muitas alternativas indicam a substituição da utilização de combustíveis fósseis, como a gasolina, pelo etanol. E o uso de energias limpas, como as produzidas em hidrelétricas e a eólica aparecem como competentes para a continuidade de expansão industrial sem ônus para o meio-ambiente.

Estudos que se voltam para essa temática ambiental nos contemplam por estarem abordando um problema que tão pouco destaque teve nos anos que a industrialização iniciou-se e que, como conseqüência, suas ações mal direcionadas são sentidas na atualidade.

Porem, ao pensarmos as formas como estão sendo pensadas essas alternativas de energia, percebemos que a viabilidade econômica é pensada de forma aprimorada, mas não os impactos socioambientais que a implementação dessas alternativas causariam. Veiculada pela Folha de São Paulo no dia 16 de fevereiro, uma reportagem** afirma que segundo balanço do IPEA, o Brasil consumiu, em 2009, 25 bilhões de litros de etanol, e que, para o ano de 2017, essa demanda poderá ser de 60 bilhões de litros. Mas de onde iremos tirar tamanha produção de álcool combustível?

Apesar da grande área agriculturável do Brasil, sabemos que esse recurso utilizado de forma imprudente pode se esgotar. A necessidade imediata de alternativas energéticas também não considera o principal papel da agricultura: a produção de alimentos! A quem o papel de produtor de alimentos para o consumo humano será dado quando os incentivos a produção de soja e outras oleaginosas superar a agricultura tradicional destinada a produção de alimentos de primeira necessidade?

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Referências:

* http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/879348-brasil-necessita-de-us-400-bilhoes-para-cortar-emissoes-de-co2.shtml

**http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/876405-brasil-precisa-de-investimento-em-energia-limpa-diz-ipea.shtml

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